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As competências exigidas para a prova de Redação do Enem

Domínio da norma padrão da língua escrita; compreensão da proposta e escrita de um texto dissertativo; defender um ponto de vista e argumentar bem; demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos e elaborar proposta de intervenção para o problema abordado: Essas são as cinco competências exigidas pela prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio.

Linguagens e Códigos e a redação do Enem

Alcançar a nota 1.000 na redação do Exame Nacional do Ensino Médio é um verdadeiro sonho para a maioria dos candidatos que realizam anualmente aquele que é o maior vestibular do Brasil. Atingir a pontuação máxima significa que o candidato terá maiores chances de ocupar a tão sonhada vaga na instituição de ensino que escolheu, no curso que optou, por isso muitos se empenham para escrever uma dissertação-argumentativa capaz de impressionar os corretores.

A nota 1.000 ainda é um desafio para a grande maioria dos estudantes: em 2014, conforme dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), apenas 250 alunos dos cerca de 6,2 milhões que realizaram a prova atingiram a pontuação máxima. Embora seja um feito difícil de ser alcançado, não é impossível, principalmente se o candidato estiver por dentro das cinco competências avaliadas na redação. Mas, não basta conhecê-las, é preciso treinar bastante para que no grande dia o candidato seja capaz de coloca-las em prática.

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Entre as habilidades esperadas para a escrita da redação estão o domínio da norma padrão da língua escrita, a compreensão da proposta e escrita de um texto dissertativo, defesa de um ponto de vista e boa argumentação, demonstração de conhecimento dos mecanismos linguísticos e elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado. Vale lembrar que cada uma dessas competências equivale a 200 pontos, sendo que a redação representa 20% da composição da nota final do Exame Nacional do Ensino Médio.

Os temas da Redação do Enem costumam apresentar dialogismo com questões político-sociais, por isso é importante, além de conhecer todas as competências exigidas, estar por dentro dos principais assuntos discutidos pela sociedade nos últimos doze meses (lembrando que o tema da redação nunca é factual). Caso você não esteja tão familiarizado assim com a proposta, fique atento aos textos de apoio (também conhecidos como coletânea), pois eles oferecem bons elementos para a elaboração da dissertação-argumentativa. Uma leitura cuidadosa da coletânea – bem como de toda a prova – pode fazer toda a diferença na hora de colocar as ideias no papel.

Alcançar uma boa nota significa que o candidato obteve êxito no exame; já um zero na redação significa que o candidato foi eliminado automaticamente, adiando o sonho de estudar em uma boa universidade para depois. Para que isso não aconteça, e para ajudar você a ter sucesso na redação do Enem, o site Escola Educação vai falar para você sobre cada uma das cinco competências exigidas pelo Exame. Fique atento! Bons estudos e boa prova!

As cinco habilidades exigidas na prova de Redação do Enem

  1. Domínio da norma padrão da língua escrita

Conhecer a norma padrão da língua escrita é fundamental para quem quer escrever bem e para quem quer arrasar na redação do Enem. Os vários registros da língua portuguesa são importantes, contudo, na hora de escrever uma redação do tipo dissertativo, é preciso colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos (principalmente aqueles relacionados à norma culta) ao longo da carreira escolar.

Nessa competência o examinador avaliará a capacidade de adequação do candidato à modalidade padrão da língua, por isso é indispensável que você respeite as normas gramaticais, entre elas a ortografia e a acentuação. Uma boa dica é ler bastante, principalmente textos que estejam de acordo com esse registro, entre eles textos nos quais predominem a função referencial da linguagem, como notícias, reportagens e artigos, encontrados em revistas e jornais.

  1. Compreensão da proposta e escrita de um texto dissertativo

Essa é a segunda competência avaliada na redação do Exame Nacional do Ensino Médio. Para escrever um texto dissertativo-argumentativo o candidato precisa conhecer as características estruturais e discursivas desse tipo textual. A modalidade exige que o autor apresente uma tese que esteja de acordo com a proposta; além disso, é preciso também que apresente argumentos consistentes que convençam o leitor. Para isso, você deverá apresentar um raciocínio e a defesa de um ponto de vista coerente, isto é, que faça sentido. É importante ficar atento para não cair em contradição e assim invalidar seus argumentos, sob pena de ter sua nota prejudicada.

Infelizmente, muitos candidatos são incapazes de elaborar argumentos suficientemente críticos e embasados, o que acaba revelando pouca leitura e bagagem cultural insuficiente. Não basta apoiar-se em dicas, é preciso ler bastante para afastar o risco de apresentar uma redação cuja argumentação seja frágil e inconsistente. Ainda que você não conheça bem o assunto, faça uma leitura minuciosa da coletânea e tente extrair dela o máximo de informações, articulando todas as perspectivas apresentadas no enunciado da redação.

  1. Defender um ponto de vista e argumentar bem

Defender um ponto de vista e argumentar bem é a terceira competência avaliada pelos examinadores. Serão avaliados nesse item a maneira como o candidato seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do seu ponto de vista. Espera-se que o candidato posicione-se sobre o assunto e jamais fique “em cima do muro”; para isso a argumentação e defesa de seu ponto de vista é fundamental para que sua posição em relação ao tema seja justificado.

Muitos candidatos acabam cometendo um erro recorrente: tentar defender um ponto de vista que acreditam ser o dos avaliadores. Para evitar que isso aconteça, o estudante deve defender sua ideia com argumentos vindos de um amplo repertório, conquistado por meio da leitura de diversos textos sobre um mesmo assunto que apresentem também diferentes pontos de vista. Por exemplo, se for ler algo sobre a redução da maioridade penal, leia artigos que abordem diferentes perspectivas sobre o tema e também diferentes opiniões para que você escolha aquela que for mais coerente.

  1. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos

Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos é a quarta competência avaliada pelos examinadores do Enem. Mas, o que é esperado do candidato? Espera-se que o candidato saiba, além de estruturar ideias em sequência lógica, usar palavras que estabeleçam conexão entre as declarações, elementos essenciais para o desenvolvimento dos argumentos. Conhecer os elementos que garantem uma boa coesão textual é indispensável, já que eles proporcionam um encadeamento entre as ideias e os parágrafos do texto. Estão entre esses elementos as preposições, as conjunções, os advérbios e as locuções adverbiais, já que eles possibilitam uma correlação entre frases, orações e parágrafos.

Certamente essa está entre as competências mais difíceis, mas, não é preciso se desesperar. Para se preparar e assim demonstrar na prática essa habilidade, você deve se estudar, treinar bastante, ler e compreender textos mais longos, que empreguem diferentes estratégias de coerência e coesão. Nada de preguiça, certo?

  1. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado

Elaborar uma proposta de intervenção para o problema abordado é a última competência exigida pela matriz de referência da prova de redação do Enem. Muitos candidatos desconhecem essa competência e acabam deixando de lado a proposta de intervenção, uma das características da dissertação-argumentativa do Exame. A proposta deve vir na conclusão do texto, e nela o candidato deve apresentar soluções viáveis para o problema proposto, isto é, soluções que possam ser aplicadas a curto e médio prazo. A proposta deve estar relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida durante o desenvolvimento do texto.

Nessa etapa você deve dar detalhes sobre o tema e sugerir ideias que respeitem os direitos humanos, isto é, ideias que não contrariem valores como cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural. A proposta deve extrapolar o mero aconselhamento: ela deve ser funcional, e para isso o candidato deve levar o problema para perto de sua realidade, imaginando assim o que poderia ser feito para saná-lo.

Conheça agora um exemplo de redação nota 1.000 da edição do Exame Nacional do Ensino Médio de 2014, cujo tema foi “Publicidade infantil em questão no Brasil”:

Redação de Mariana Pereira Pimenta, 17 anos, de Maricá, Rio de Janeiro.

A publicidade vem sendo valorizada com a constante globalização, onde o marketing se apropria em atingir diferentes parcelas populacionais. A questão da publicidade infantil vem ganhando destaque no cenário mundial, sendo criticadas suas grandes demandas dirigidas à criança, persuadindo-as em favor do consumismo.

Com a crescente classe média do país, onde milhares de brasileiros são favorecidos pelos créditos governamentais, o consumismo vem afetando toda essa parcela populacional, deixando no passado a falta de eletrodomésticos e a participação social favorecida as elites. Com participação das principais mídias, agrava o abuso do imaginário infantil ao mesmo tempo em que favorece na distinção do benéfico e maléfico ao padrão de vida individual.

É cabível que a anulação da publicidade infantil põe em xeque os ideais democráticos, confrontando tanto as famílias como o mercado publicitário, discriminando tal faixa etária ao mesmo tempo prejudicando o mercado consumidor, fator que pode levar a uma crise interna e abdicar do desenvolvimento comercial de um país subdesenvolvido.

Portanto, a busca da comercialização muitas vezes abrange seu favorecimento através do imaginário infantil com os ideais seguidos por seus ídolos. Entretanto, é de responsabilidade dos pais na conscientização do bom e/ou ruim, em conjunto com a escolaridade infantil na abdicação do consumismo ao mesmo tempo em que o governo estude medidas preventivas que busquem o controle da exploração publicitária sem que atrapalhe o andar econômico do país.

Luana Alves
Graduada em Letras