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Fósseis

Fósseis são os restos mortais dos dinossauros, certo? Mas para o que servem? O que realmente são?

Fósseis

Vamos começar com um pouco de história. Fósseis intrigam a humanidade há muito tempo. Por volta de 600 a.C., Thales de Mileto e Anaximandro já tentavam encontrar explicações naturais para a existência dos fósseis. Durante a Idade Média, fósseis foram inclusive considerados lubus naturae, ou seja brinquedos da natureza (erros, basicamente), inclusive eram considerados apenas “esboços orgânicos”, tentativas do esforço criador natural que não deram certo. Basicamente, protótipos dos seres já existentes.

Por volta do século XIII, estudiosos já consideravam que os fósseis poderiam representar autênticos restos de animais e vegetais transformados por agentes petrificantes.

Os primeiros, realmente considerados como paleontólogos (pesquisadores que se dedicam ao estudo de fósseis) foram George Cuvier, considerado o Pai da Paleontologia de Vertebrados e Lamarck, que tem o mesmo título, mas para os invertebrados.

O que são?

A palavra fóssil, deriva do latim fossilis, que basicamente significa “que é escavado da terra”. Isso tem certa lógica, visto que o primeiro passo para uma peça ser fossilizada é ela ser completamente isolada do ambiente atmosférico, o meio mais fácil para que isso ocorra é o completo soterramento. Quando pensamos em fósseis, logo nos vem à mente os suntuosos esqueletos de dinossauros, mas não são só isso, vamos saber um pouco mais.

Archaeopteryx
O Archaeopteryx emblemático fóssil de dinossauro aviano que demonstrou pela primeira vez a proximidade entre as aves e os dinossauros

Como acontece o processo?

A fossilização é a interrupção do processo natural de decomposição, geralmente de partes duras (basicamente ossos), gerando a preservação por tempo indeterminado e isso pode acontecer de diversas formas. Como os processos são variados, existe um ramo da paleontologia dedicado ao estudo da formação do fóssil, a tafonomia.

Para que ocorra a fossilização alguns fatores são necessários: o primeiro é o rápido sepultamento que isole o corpo das condições atmosféricas, evitando o desenvolvimento da putrefação e maior degradação dos tecidos. Segundo é a natureza do material sepultante, quanto mais fino e possuir mais componentes duros, maior a chance do material ser fossilizado.

Em relação ao segundo aspecto estamos enfatizando a fossilização por substituição mineral, mas como mostrado na figura do âmbar  acima, existem outros tipos que podem preservar inclusive tecidos moles, como o caso mais recente de um filhote de mamute  encontrado congelado. Ainda há outros tipos de fossilização, como a impressão  da estrutura na rocha, como se fosse um contramolde, ou até os chamados icnofósseis  que é a fossilização dos vestígios deixados pelas espécies que andaram sobre nosso planeta, como por exemplo pegadas e fezes.

Exemplos de fósseis
Exemplos de fósseis “não tradicionais” como o mamute congelado à esquerda, a “impressão” da Meganeura (uma libélula prá-histórica) ao centro e uma pegada de dinossauro fossilizada à direita

Autóctone x Alóctone

Dois termos parecidos, mas que tem uma diferença muito grande na paleontologia.  A classificação de um fóssil em alguma dessas categorias é determinante para a reconstituição da história da espécie.

Um fóssil é classificado como autóctone, quando o local da fossilização foi o mesmo em que a espécie morreu e alóctone quando ele foi fossilizado em um lugar diferente da morte ou depois de fossilizado, o material foi “carregado” para outro lugar. Parece estranho que o indivíduo se mova depois de morto, mas se ele morre à beira de um curso d’água, afogado ou em um local de grande inclinação, facilmente pode ser deslocado por condições naturais.

Jurassic Park, é possível?

Muitos de vocês são jovens e não eram nascidos da época, mas em 1993, Steven Spielberg revolucionou o cinema e os efeitos especiais ao transformar em filme a obra literária de mesmo nome de autoria de Michael Crichton, o Jurassic Park.

No filme, um bilionário excêntrico resolve criar um parque temático com dinossauros vivos como atração, para isso eles coletaram sangue do aparelho digestivo de mosquitos hematófagos (que se alimentam de sangue) pré-históricos, e reconstituíram o DNA das espécies das quais os mosquitos se alimentaram trazendo assim aquelas espécies à vida. Parece legal né?

âmbar
Artrópode preso no âmbar, será que contém sangue de dinossauro? Podemos fazer nosso próprio T.rex.

Infelizmente, isso é impossível. O último dinossauro não-avianos (isso mesmo, uma linhagem dos dinossauros ainda vive, são nossas aves) conhecido foi extinto à cerca de 65 milhões de anos. A molécula de DNA não consegue se manter intacta durante tanto tempo, ela se degrada muito antes, logo ter, mesmo que fragmentos, de DNA de tanto tempo atrás é praticamente impossível.

Então tirem o cavalinho da chuva, por hora nada de tiranossauros vivo nos parques da Disney.

Paulo Ribeiro
Biólogo, Mestre em Zoologia Aplicada