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Hibernação

Aposto que você já pensou que poderia dormir dias, meses e até já desejou isso, mas o que é esse processo? Como e por quê animais hibernam?

Hibernação

Alguns animais enfrentam situações tão críticas em seus ambientes que a melhor estratégia para sua sobrevivência é literalmente “dar um tempo” em suas atividades normais. E como fazem isso? Dormindo, é claro.

Em ambientes extremos, com temperaturas atingindo níveis alarmantes (muito frias), muitos indivíduos não conseguem manter a homeostase do seu corpo em um nível que lhe permita sobreviver. Antes de tudo vamos esclarecer o termo. Homeostase é uma condição de estabilidade mínima de que os organismos necessitam para realizar suas atividades vitais.

Hibernação
Os ursos-polares são o caso mais famoso de hibernação. As fêmeas dão a luz aos filhotes durante esse período e os jovens vão conhecer o mundo exterior somente por volta dos quatro meses de vida

Durante a primavera e o verão, os animais consomem o máximo de comida que podem para que se criem reservas de gordura. Nesse período passam boa parte do tempo se alimentando.

Quando chega o inverno, esse animal procuram locais seguros (geralmente tocas ou cavernas, no caso dos ursos-polares são tocas escavadas na neve) onde se isolam do exterior e entram em sono profundo. Nesse período, seu corpo vai consumir apenas a reserva de gordura que o animal acumulou nas estações anteriores.

Ao sair desse período (início da primavera), os animais estão magros e famintos, logo sua principal prioridade é iniciar a alimentação para que consiga acumular energia necessária para o próximo período de hibernação.

Algumas espécies fazem o que chamamos de estivação. Ao contrário da hibernação, a estivação ocorre durante o verão, quando as temperaturas estão muito quentes. Ao contrário da hibernação, na estivação há apenas a redução das taxas metabólicas, não uma dormência profunda.

O indivíduo, caso seja importunado, na maioria dos casos reagirá quase que instantaneamente à ameaça, no caso da hibernação leva um tempo para o indivíduo “acordar”.

Na Caatinga brasileira, o sapinho conhecido pela ciência como Pleuroderma diplolistris se enterra durante os meses de seca (podendo chegar a 10 meses) em um processo de estivação. O sapinho só se desenterrará quando as chuvas voltarem, e pode cavar cada vez mais fundo em busca de maior humidade.

Independente das estratégia, a vida em ambientes naturais não são fáceis e ao longo da história evolutiva vários organismos sobreviveram pelo fato de a estratégia ter garantido a sua sobrevivência e reprodução, o que perpetuou a espécie.

Paulo Ribeiro
Biólogo, Mestre em Zoologia Aplicada