Os mais ricos do mundo são os maiores responsáveis pelo aquecimento global, releva pesquisa
Estudo aponta que os 10% mais ricos são responsáveis por dois terços do aquecimento global desde 1990.
Um novo estudo revela que a elite financeira mundial, composta pelos 10% mais ricos, é responsável por dois terços do aquecimento global desde 1990. Esta análise foi publicada recentemente por pesquisadores que se dedicaram a quantificar o impacto das fortunas concentradas sobre eventos climáticos extremos.
Os resultados mostram que o modo como os ricos consomem e investem aumenta significativamente o risco de ondas de calor mortais e secas. A pesquisa foi pioneira em vincular diretamente as pegadas de carbono dos indivíduos mais ricos aos impactos climáticos reais.
Segundo a cientista Sarah Schoengart, autora principal do estudo, há uma transição da contabilização das emissões de carbono para a responsabilização climática. A pesquisa foi divulgada na revista científica Nature Climate Change.
De acordo com a ONG Oxfam, o 1% mais rico acumulou US$ 42 trilhões em nova riqueza na última década, superando a riqueza dos 95% mais pobres combinados. Um terço dos bilionários do mundo está nos Estados Unidos, mais do que na China, Índia e Alemanha juntas.
Impactos climáticos desproporcionais dos mais ricos
Comparado à média global, o 1% mais rico contribuiu 26 vezes mais para ondas de calor consideradas raras e 17 vezes mais para secas na Amazônia. Nos Estados Unidos e na China, as emissões dos 10% mais ricos geraram um aumento de duas a três vezes nas extremidades de calor.
O estudo destaca que a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento elevaram a temperatura média da Terra em 1,3°C, principalmente nas últimas três décadas.
Além disso, a pesquisa focou também no papel das emissões incorporadas em investimentos financeiros, além do estilo de vida e consumo pessoal.
Políticas fiscais e responsabilidade climática
Carl-Friedrich Schleussner, coautor do estudo, defende que os donos de capital podem ser responsabilizados por meio de impostos progressivos sobre a riqueza e investimentos com alta emissão de carbono.
Estudos anteriores apontam que tributar essas emissões relacionadas a ativos é mais justo do que impostos de carbono amplos.
No ano passado, o Brasil, anfitrião do G20, propôs um imposto de 2% sobre o patrimônio líquido dos bilionários. Contudo, apesar dos compromissos para taxar efetivamente indivíduos com altíssimo patrimônio líquido, não houve avanços práticos.
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