Vulcão inativo pode mudar a história do Brasil após 1500 anos

Um vulcão inativo pode reescrever a história do Brasil, substituindo o Monte Pascoal pelo Pico do Cabugi na chegada de Cabral.

E se o que aprendemos na escola sobre o descobrimento do Brasil não estivesse completamente correto? Uma teoria intrigante, defendida por alguns historiadores e pesquisadores, está dando o que falar.

Em linhas gerais, ela propõe que Pedro Álvares Cabral teria avistado o Pico do Cabugi, no Rio Grande do Norte, e não o famoso Monte Pascoal, na Bahia, em 1500.

Se comprovada, essa hipótese poderia mudar a narrativa oficial do descobrimento do Brasil.

O que é o Pico do Cabugi e por que ele é tão importante?

Localizado no Rio Grande do Norte, o Pico do Cabugi é o único vulcão inativo do Brasil que preserva sua forma original. A montanha de origem vulcânica já é uma atração natural por si só, mas agora ganha protagonismo em um debate que mexe com os alicerces da história nacional.

Segundo estudiosos como o pesquisador Lenine Barros Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e o engenheiro Manuel Oliveira Cavalcanti, autor de “1500: De Portugal ao Saliente Potiguar”, Cabral e sua frota teriam desembarcado no litoral do Rio Grande do Norte, mais precisamente na cidade de Touros, e não em Porto Seguro, como ensina a história oficial.

A base dessa teoria está na leitura de documentos históricos, registros de navegação, análises geográficas e condições naturais descritas na famosa carta de Pero Vaz de Caminha, na qual ele relata o avistamento de um “grande monte, mui alto e redondo”.

Para os defensores da nova hipótese, essa descrição se encaixa muito mais no perfil do Pico do Cabugi do que no Monte Pascoal.

Pico do Cabugi (Foto: Marinelson Almeida Silva/Wikimedia Commons)

Em 2000, durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento, Brasil e Portugal organizaram uma reconstituição da rota de Cabral.

A embarcação seguiu as técnicas de navegação da época e, surpreendentemente, chegou à costa do Rio Grande do Norte — em Touros, e não à Bahia. Para muitos, esse foi um indício relevante de que a versão tradicional pode estar incorreta.

Outros indícios que sustentam a nova narrativa

Os defensores da teoria apontam diversos elementos que reforçam a possível revisão histórica.

  • Correntes marítimas: as rotas naturais favoreceriam a chegada ao litoral potiguar;
  • Referência a lagoas de água doce: característica mais comum no litoral norte-rio-grandense do que em Porto Seguro;
  • Posição dos marcos geográficos portugueses: a distância entre o primeiro e o segundo marcos registrados na costa brasileira faz mais sentido partindo do Rio Grande do Norte;
  • Geografia costeira: a descrição do terreno por Pero Vaz de Caminha se assemelha mais à paisagem potiguar.

Vale lembrar que essa é uma hipótese sustentada por um grupo restrito de pesquisadores. A versão oficial — de que o Brasil foi descoberto em Porto Seguro, na Bahia — ainda é a mais aceita pelos principais historiadores e consta nos documentos escolares e acadêmicos.

Embora a teoria ainda enfrente resistência, ela abre espaço para reflexões importantes sobre como interpretações históricas podem ser revistas à luz de novas evidências.

O Pico do Cabugi, outrora apenas um símbolo geológico, hoje é também um símbolo de questionamento e, talvez, de uma nova leitura sobre o verdadeiro local do descobrimento do Brasil.

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