Mesmo após mais de uma década em vigor, a reforma ortográfica ainda tropeça no uso cotidiano. Em muros, apostilas e até em documentos formais, acentos insistem em aparecer onde já não são mais bem-vindos.
Desde 2009 no Brasil, com exigência plena a partir de 2016, o Acordo Ortográfico de 1990 promoveu uma limpeza estratégica na acentuação. A proposta foi enxugar excessos, eliminar exceções pouco intuitivas e criar uma escrita mais uniforme entre os países de língua portuguesa.
Hoje, a grafia correta está claramente definida e respaldada por fontes oficiais, como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Em avaliações, concursos e produções acadêmicas, a norma vigente é soberana, e ignorá-la pode custar mais do que um simples erro de acento.
Palavras sem acento que insistem em acentuar
Termos como ideia, feiura e heroico seguem grafados sem sinal gráfico por força do costume, não da regra.
O termo mais citado no debate é ideia, que muitos ainda grafam como “idéia”. O costume vem de regras antigas, mas a forma correta atual não leva acento. Do mesmo modo, jiboia e assembleia seguem o mesmo princípio, enquanto heroico também se mantém sem acento.
Três grupos para não errar
Para escrever com segurança, vale classificar os casos, o que diminui tropeços comuns. A distinção evita correções indevidas em redações e relatórios. Veja as dicas, com exemplos que aparecem com alta frequência no dia a dia.
- Nunca tiveram acento: feiura (e não “feiúra”) e feia (nunca “fêia”).
- Perderam acento conforme a norma atual: ideia, jiboia, assembleia, plateia.
- Mantêm a forma sem acento por regra de ditongos/hiatos: heroico e paranoico.
O que mudou com o Acordo Ortográfico
O acordo de 1990 buscou alinhar a escrita entre países lusófonos, além de tornar previsível a acentuação. No Brasil, entrou em vigor em 2009, com transição até 2016. Portanto, manuais e dicionários passaram a refletir esse padrão unificado.
- Ditongos “éi” e “ói” sem tonicidade deixaram de receber acento, como em ideia e jiboia.
- Ajustes em hiatos com “i” e “u” em certas formas verbais, conforme regras atualizadas.
- Simplificação em verbos como arguir e derivados, que perderam marcas consideradas dispensáveis.
Casos práticos
Na revisão de textos escolares, técnicos e jornalísticos, alguns termos concentram a maioria dos erros. Entretanto, a verificação no VOLP e no Portal da Língua Portuguesa resolve rapidamente. A lista abaixo traz as formas corretas, em ordem alfabética e com observações úteis.
- assembleia (e não “assembléia”)
- boia (e não “bóia”)
- Coreia, substantivo comum (e não “coréia”)
- feia (nunca “fêia”)
- feiura (e não “feiúra”)
- heroico (e não “heróico”)
- ideia (e não “idéia”)
- jiboia (e não “jibóia”)
- paranoico (e não “paranóico”)
- plateia (e não “platéia”)
O que não mudou
Alguns acentos permanecem por razões fonéticas claras, e convém não os retirar. País, saída e baú continuam acentuados para marcar hiatos essenciais à pronúncia. No entanto, confundir esses padrões com os ditongos não tônicos leva a erros.
A consulta aos materiais oficiais garante conformidade em concursos, provas e documentos. Adote essas fontes e, sobretudo, atualize materiais escolares e corporativos para evitar confusões.
