Reforma Protestante – Resumo, o que foi, causas e consequências

Um resumo sobre o que foi a Reforma Protestante, as causas para o movimento, quando e onde ocorreu, além dos principais nomes envolvidos.

A influência da Igreja Católica na Idade Média era intensa e se expressava no controle da mentalidade do povo, além da própria política e governo praticados pelos senhores feudais. No entanto, a transição do sistema feudal para o capitalismo e a passagem para a Idade Moderna provocaram mudança de pensamentos em toda a Europa.

Confira um comparativo entre Feudalismo e Capitalismo

O primeiro sinal das transformações estava no Renascimento Cultural cujo impacto foi decisivo nas artes e ciência europeias. Como não seria diferente, o pensamento religioso foi influenciado pelas necessidades de mercado e fiéis passaram a questionar os “mandos e desmandos” do catolicismo romano.

Nesse cenário, surgiu a figura de Martinho Lutero, monge agostiniano alemão que questionou as práticas da Igreja Católica que considerava abusivas. Lutero tornou-se uma das figuras centrais da Reforma Protestante cuja história e consequência conheceremos a partir de agora.

O que foi a Reforma Protestante

A Reforma Protestante, ou Reforma Religiosa, foi um conjunto de movimentos religiosos de contestação ao poder exercido pela Igreja Católica. Os principais deles foram a Reforma Calvinista, a Reforma Luterana e a Reforma Anglicana na França, Alemanha e Inglaterra, respectivamente.

Martinho Lutero por Lucas Cranach
Martinho Lutero por Lucas Cranach

O movimento foi liderado por Martinho Lutero e teve como ponto de partida a publicação de suas 95 teses em outubro de 1517. As 95 Teses de Lutero foram publicadas na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg criticando as vendas de indulgências. Tratavam-se de convites para que as doutrinas católicas fossem academicamente debatidas.

As teses foram impressas e distribuídas por estudantes, até chegar à Igreja Católica. Em 1520, o Papa Leão X redigiu a Bula Papal na qual condenava Lutero e exigia sua retratação, o que não obteve êxito. No ano seguinte, o Imperador Carlos V convocou a Dieta de Worms, assembleia na qual declarou o monge como um herege.

Lutero foi, então, acolhido pela nobreza alemã e dedicou-se a traduzir a Bíblia para o alemão, desenvolvendo os princípios para uma nova religião. A doutrina Luterana foi fundamentada em 1530 a partir da Confissão de Augsburg, escrita pelo discípulo de Lutero, Melanchthon.

Desde então, várias guerras religiosas foram empreendidas e só terminaram em 1555 com a Paz de Augsburg, acordo que determinava aos governantes a liberdade de escolha da religião praticada por eles e seus súditos dentro do Sacro Império. Os princípios de Lutero foram propagados pelo Calvinismo (França e Holanda) e Anglicanismo (Inglaterra).

Qual foi a causa da Reforma Protestante?

A principal causa da Reforma Protestante iniciada por Lutero foi o protesto contra os abusos do clero. O ponto primordial das críticas era a venda de indulgências, isto é, do perdão divino a quem pudesse pagar. A partir daí, sugeriu a proposta de reforma do catolicismo romano a partir da mudança em pontos da doutrina católica baseada no que Martinho entendia como um retorno às escrituras sagradas.

Embora tenha tido motivos iniciais religiosos, a Reforma Protestante sempre foi calcada em causas de cunhos sociais e políticos. Citando os principais deles, temos:

  • conflitos políticos entre autoridades da Igreja Romana e monarcas que tomar para si o poder espiritual e ideológico da Igreja
  • como a usura era condenada pelo catolicismo romano, a burguesia capitalista sentir-se-ia confortável perante nova ética religiosa
  • desejo da nobreza e dos príncipes de se apossar das terras e riquezas da igreja romana

Quando e onde ocorreu a Reforma Protestante?

A Reforma Protestante aconteceu em diferentes países da Europa no século XVI. O movimento teve seu início com Martinho Lutero, na Alemanha de 1517. Mas, logo se estendeu para Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e Leste europeu, principalmente Países Bálticos e Hungria.

A doutrina luterana encontrou respaldo entre a burguesia por defender as ideias de prosperidade e acúmulo de capital, dois fatores de fundamental importância em um período marcado pela transição do feudalismo para o capitalismo.

Calvinismo

João Calvino
João Calvino

As ideias de Lutero foram absorvidas por toda a Europa especialmente por João Calvino, francês que viveu entre 1509 e 1564. Burguês influenciado pelo Humanismo, Calvino escreveu a Instituição da Religião Cristã que, mais tarde, tornou-se uma espécie de catequese calvinista.

Ampliou a doutrina luterana a partir do estabelecimento de novos princípios, entre eles, que não houvesse nenhuma imagem nas igrejas, nem sacerdotes paramentados. A base da religião seria a Bíblia dispensando a existência de um clero. Calvino pregava ainda que a salvação dos fiéis dependia de Deus, fincando a ideia da doutrina da predestinação.

Rapidamente, o Calvinismo se espalhou por toda a Europa atingindo os Países Baixos, Dinamarca, Escócia (onde os seguidores foram chamados de presbiterianos), França e Inglaterra.

Anglicanismo

Rei da Inglaterra - Henrique VIII
Rei da Inglaterra – Henrique VIII

O Anglicanismo foi uma das vertentes do protestantismo propulsionada pelo Rei Henrique VIII. Surgiu na Inglaterra, em 1534, por motivos de descendência do trono. O Rei era casado com Catarina de Aragão e tiveram apenas uma filha. Sendo assim, o monarca não tinha quem assumisse o trono em seu lugar.

O desejo do rei era divorciar-se e casar-se novamente, o que não era permitido pela Igreja Católica. Tanto que a anulação de seu casamento foi negada pelo Papa Clemente VII. Em 1534, então, o rei impôs o Ato de Supremacia por meio do qual estabelecia a criação da Igreja Anglicana.

Nela, o poder do Estado se sobrepunha ao poder da Igreja, ampliando o poder na monarquia. Com isso, o rei não estava mais sob a autoridade papal e poderia expropriar terras pertencentes à Igreja.

Massacre da Noite de São Bartolomeu

Em meio aos movimentos protestantistas, diversos conflitos sociais de ordem religiosa eclodiram em países europeus, além de perseguições. Um dos episódios mais marcantes desse período aconteceu em 1572 quando cerca de 30 mil protestantes foram assassinados por católicos na França. O fato ficou conhecido com o Massacre da Noite de São Bartolomeu.

Guerra dos Camponeses

Ao mesmo tempo em que conflitos sociais religiosos surgiam, a população se organizava em movimentos que objetivavam implantar um sistema social mais justo. Entre eles, está a Guerra dos Camponeses, movimento alemão de 1525 que lutou pela abolição das obrigações dos servos, criação de um sistema agrário igualitário, além do fim da propriedade privada.

Obviamente, os revoltosos foram duramente reprimidos pela monarquia alemã. O movimento foi criticado inclusive pelo próprio Lutero. Segundo ele, a existência de servos e senhores era da vontade divina e, portanto, deveria ser respeitada.

O que foi a Contrarreforma?

A Contrarreforma foi a reação da Igreja Católica às ações do movimento protestante com medidas iniciadas no Concílio de Trento. Para evitar que as ideias espalhassem para além dos países escandinavos e Leste Europeu, ou seja, a Península Ibérica, foi revitalizada a Inquisição, além de empreendia a censura.

Em 1534, Inácio de Loyola cria uma ordem religiosa chamada Companhia de Jesus, formando seus membros, os jesuítas, como “soldados de Jesus”. O objetivo era combater o protestantismo por meio da expansão da fé católica. Foi reativado o Santo Ofício, responsável pelo tribunal da inquisição.

No Concílio de Trento, realizado em 1545 e 1563, foi criado o Index, lista de livros proibidos pela Igreja que incluía livros científicos, como de Galileu e Giordano Bruno.

Consequências da Reforma Protestante

As ações empreendidas pelos movimentos da Reforma Protestante foram marcantes e provocaram consideráveis rupturas entre Igreja e monarquias. Entre as principais, podemos citar as seguintes:

  • nascimentos de novas igrejas pela Europa, como a Anglicana, Calvinista e Luterana
  • influência reduzida do poder da Igreja Católica tanto na política monárquica quanto na própria Europa
  • princípios sociais e econômicos burgueses fortalecidos e baseados no lucro
  • reação da Igreja Católica ao Protestantismo através da reativação da Inquisição, criação da Companhia de Jesus e combate ao movimento
  • tradução da Bíblia para outros idiomas para que mais pessoas pudessem ter acesso ao seu conteúdo
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