Os Barões do Café

Com a expansão da produção cafeeira surge no Brasil uma nova e importante classe social: os barões do café.

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Ostentando riqueza e poder os grandes cafeicultores aumentaram sua riqueza graças ao cultivo desse fruto vindo da África e dos negros escravizados de mesma origem. Grandes aliados do imperador, esse seleto grupo exerceu grande influência no país até a queda da monarquia em quinze de novembro 1889.

No decorrer do século XIX, o café ganhou grande importância na sociedade imperial. Graças às terras férteis das regiões dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo esse fruto encontrou o ambiente propício para se desenvolver.

Além das vantagens climáticas e do solo favorável, o aumento do consumo do produto na Europa e nos Estados Unidos fizeram com que o Brasil se tornasse um grande exportador de café.

O ciclo do café gerou importantes mudanças na sociedade do período imperial. O lucro garantido com as exportações foi em parte utilizado para impulsionar o desenvolvimento das cidades, ferrovias e promover o enriquecimento dos donos dos cafezais.

Café, escravos, fortuna e requinte europeu foram à receita que proporcionou aos cafeicultores lugar de destaque na sociedade brasileira.

A Chegada do Café

O café chegou ao Brasil vindo da província de Belém do Pará, porém esse fruto é originalmente africano, mais precisamente nativo das montanhas da Etiópia. Quando começou a ser consumido, ele era comido em forma de pasta.

O modo de consumo mudou a partir de sua entrada na península arábica, nessa região ele passou a ser torrado e transformado em pó, sendo consumido após se lançar em água fervente.

O produto chegou a Europa através das cidades italianas que mantinham um estreito contato com mercadores árabes. Ao chegar a solo europeu ele ganhou uma nova forma de consumo, ao contrário dos árabes, os italianos não apreciavam a borra do café e então passaram a coar a bebida. Assim, chegou-se a fórmula que é largamente consumida nos dias atuais.

Existem duas versões para a entrada do café no Brasil: a primeira relata que as primeiras mudas chegaram ao país clandestinamente, quando a mulher do governador da Guiana Francesa as doou para um oficial português que a teria plantado no Pará. Já a segunda versão diz que as primeiras mudas vieram diretamente de Goa, na Ásia, para as terras do Rio de Janeiro. Mas mito ou realidade, o certo é que os primeiros cafeicultores surgiram no Pará.

A entrada do café no Brasil nas primeiras décadas do século XVIII daria início a uma história de sucesso. O produto foi o carro chefe das exportações até meados da década de 1920. É claro que outros bens eram exportados, mas nenhum representou tamanho significado como o café.

As exportações desse produto só entrariam em declínio no momento em que o mundo enfrentou os reflexos da crise de 1929. Nesse período, os países afetados diretamente pela crise diminuíram a compra do produto numa tentativa de reorganizar sua economia, a medida atingiu diretamente o Brasil que precisou buscar alternativas econômicas.

Barões do Café: títulos, luxo e riquezas

Quem eram os Barões do Café? O título de “Barão do Café” era concedido pelo imperador para demonstrar a importância desses cafeicultores para o desenvolvimento do país. Essa concessão era uma tradição com base na cultura portuguesa, em que o monarca premiava com títulos da nobreza aqueles que contribuíam de alguma forma para a prosperidade ou proteção da nação. Na Europa recebiam títulos da nobreza aqueles que também triunfavam nas guerras e garantiam a defesa do reino.

No Brasil, a expressão “Barões do Café” foi utilizada pelos historiadores para se referir aos ricos cafeicultores, em geral a maioria estava concentrada no Vale do Paraíba, região entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Apesar do enriquecimento dos cafeicultores, nem todos receberam o título de Barão e não somente os plantadores de café foram agraciados com ele. Senhores de engenho, ricos donos de indústrias, banqueiros, comerciantes, entre outros, também receberam o baronato.

Mas ao contrário do que ocorre na família real, os títulos concedidos a esses ricos homens não era hereditário. Caso o filho tivesse o interesse de ser um “nobre”, ele teria que expressar o seu desejo ao imperador.

Quando o imperador concedia o baronato aos homens ricos da sociedade, muito mais do que reconhecimento, ele estava demonstrando o seu desejo de conquistar novos aliados. Durante todo o período do Segundo Império, D. Pedro II contou com o apoio e fidelidade dos barões do café.

A iniciativa tardia em abolir o regime escravocrata, era uma prova da estreita ligação entre o monarca e os cafeicultores. Nos momentos em que D. Pedro foi pressionado para colocar um fim a escravidão, ele se sentiu extremamente acuado. Se por um lado por fim a escravidão representava agradar a interesses estrangeiros como o dos ingleses, por outro desagradava à elite econômica do país, que tinha a escravidão como alicerce para suas riquezas.

D. Pedro II concedeu durante o seu governo, mil e sessenta e cinco títulos de nobreza, a elite rural era prestigiada com a concessão do baronato, porém títulos mais elevados foram distribuídos, como o de marquês e conde. No entanto estes eram concedidos aos homens que ocupavam importantes cargos no cenário político nacional.

Existiram alguns casos em que cafeicultores, dado a sua importância local, chegaram a assumir cargos ministeriais. Tudo isso acontecia graças ao desejo do imperador em manter próximo a ele seus maiores aliados.

A riqueza alcançada do café levou os barões a investirem também em educação. A escolaridade ganha relativa importância nesse período, como as universidades e escolas era escassa no império, os cafeicultores enviavam os seus filhos para estudar em renomadas faculdades europeias.

Mas engana-se quem acredita que a preocupação de todos era com a formação intelectual de seus filhos, a maioria despachava os herdeiros para a Europa como forma de garantir um status social entre as outras famílias. Era comum que muitos donos de cafezais não soubessem sequer assinar o próprio nome. Quando os filhos voltavam com os diplomas da graduação estes eram ostentados nas paredes das salas de estar, no entanto uma pequena parcela ansiava por exercer a profissão.

Com o fim do período monárquico e a instauração da república, os barões do café tiveram que se esforçar para manter o prestígio. Alguns conseguiram conquistar graças a sua influência política, cargos no regime republicano. Mas, com a crise do café na segunda década do século XX, os grandes cafeicultores foram perdendo importância juntamente com a insignificância de seus títulos.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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  1. Nilman Santos Diz

    Quero falar aqui que sua matéria me foi de muita ajuda e informação valiosa por ser de muita qualidade e bom conhecimento. São poucos sites que tem esse apreço pelo leitor. OBG

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