Há menos de um século, o nome do Brasil passou por uma mudança significativa em sua grafia. Antes de 1931, usava-se a letra “z”, prática comum inclusive em documentos oficiais.
No entanto, essa realidade foi alterada por um decreto presidencial de Getúlio Vargas, presidente na época, que assinou o Decreto 20.108/31 no dia 15 de junho de 1931, determinando a alteração oficial.
A mudança resultou de um acordo entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras (ABL), promovendo uma unificação ortográfica entre Brasil e Portugal.
Anos de divergência e unificação
Durante séculos, a grafia do nome do país variou, sendo formalmente escrita com “z”. Exemplos incluem a “Constituição Política do Império do Brazil” de 1824. Apesar da resistência inicial da ABL, o Código Civil de 1916 já utilizava “s”.
O decreto de Vargas não só alterou o nome do país, mas também outras palavras como “idade” (edade) e “igreja” (egreja), removendo também dígrafos como “ph”, “rh”, “th”.
A mudança contribuiu para a simplificação da língua portuguesa.
Diferenças entre Brasil e Portugal
Mesmo após 1931, diferenças ortográficas permaneciam. A convenção de 1943 e, posteriormente, a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, foram passos importantes para a unificação, que só se consolidou em 1971 no Brasil e em 1973 em Portugal.
Diversos ajustes foram realizados até os anos 1980, culminando no acordo ortográfico de 1986, que unificou cerca de 99,5% do vocabulário da língua portuguesa. Hoje, países como Angola, Cabo Verde e Moçambique seguem o acordo.
Brasil pelo mundo
Curiosamente, apesar da mudança, o nome do país ainda é escrito com “z” na língua inglesa. Em outras línguas latinas, como francês, italiano e espanhol, utiliza-se a grafia com “s”, respeitando a adaptação feita em 1931.
Dessa forma, a alteração da grafia do Brasil não só simplificou a ortografia como também fortaleceu laços culturais e linguísticos lusófonos. A medida refletiu um esforço conjunto para a padronização e a preservação da língua portuguesa.
