A segurança digital dos adolescentes ganha novo capítulo no Instagram. A Meta lançou um pacote especial para “Contas para Adolescentes”, adotando padrões próximos ao PG-13 e bloqueando conteúdos e interações inadequadas.
Segundo a empresa, a medida atende à demanda de famílias por uma navegação mais segura e transparente.
Entre as novidades estão filtros que limitam buscas, travas que impedem perfis de risco e restrições de conteúdo, garantindo que jovens possam explorar a rede de forma protegida sem perder a experiência de interação.
A Meta reforça a proteção com inteligência artificial: algoritmos classificam publicações e monitoram respostas do chatbot, mantendo o ambiente alinhado ao padrão PG-13 e promovendo uma experiência digital mais segura e consciente para os adolescentes.
O que muda nas “Contas para Adolescentes”
O Instagram reduzirá a circulação de posts com linguagem forte e materiais que incentivem comportamentos perigosos, como acrobacias arriscadas ou itens associados à maconha. Além disso, o app expandirá bloqueios de pesquisa para termos como “álcool” e “gore”.
O chatbot de IA da Meta também passa a evitar respostas que soariam impróprias em um filme PG-13.
Limites de interação e seguidores
A plataforma impedirá que adolescentes sigam contas que publiquem com frequência conteúdos inadequados para a idade. Entretanto, se eles já seguirem esses perfis, o alcance e as conexões serão cortados. Veja o que deixa de acontecer, em ordem crescente:
- Ver e interagir com o conteúdo do perfil classificado como inadequado.
- Enviar ou receber mensagens diretas desse perfil.
- Visualizar comentários desse perfil em outras publicações.
Implementação e controle parental
A Meta aplicará automaticamente as novas restrições a todos os menores de 18 anos. Contudo, adolescentes podem reverter parte das mudanças com a permissão dos pais, caso as contas estejam vinculadas.
Antes, usuários de 16 e 17 anos podiam abrir mão de todas as proteções sem autorização. Eles ainda podem fazê-lo, mas apenas nas configurações de privacidade padrão.
As novas regras começam a valer nesta terça-feira (14/10) para adolescentes nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá, com expansão global nos próximos meses.
Ferramenta “Conteúdo Limitado” e IA
Pais com contas vinculadas podem acionar a opção “Conteúdo Limitado”, que filtra mais tipos de posts e remove a possibilidade de a criança ver, publicar ou receber comentários. A partir do próximo ano, esse ajuste reduzirá o escopo de conversas que adolescentes podem manter com a IA.
Paralelamente, a Meta emprega inteligência artificial para estimar idade e detectar jovens que tentem burlar proteções, independentemente da data de nascimento cadastrada.
Pressões externas e eficácia em debate
Um estudo, divulgado no início deste mês por organizações de segurança online e defesa da criança, indicou que quase 60% dos usuários de 13 a 15 anos, mesmo com as “contas para adolescentes”, relataram conteúdo inseguro e mensagens indesejadas nos últimos seis meses.
A Meta contestou, chamou o relatório de tendencioso e disse à revista Time que ele ignora experiências positivas.
Reportagens da Reuters e do Wall Street Journal neste ano mostraram que o chatbot de IA da Meta flertou e entrou em brincadeiras românticas ou sexuais com jovens. Em resposta, a empresa ajustou interações e limitou personagens de IA.
As novas regras elevam o patamar de segurança para jovens no Instagram, mas abrem um teste de fogo sobre eficácia e execução. Caberá à Meta comprovar que filtros, IA e controle parental, juntos, reduzem exposição a riscos sem sufocar a experiência social.
