O que foi a Cruzada dos Mendigos?

Saiba tudo sobre como foi a revolta popular que aconteceu no período da Idade Média, incluindo seus principais personagens, causas e consequências.

0

O período da Idade Média tem as Cruzadas como uma de suas principais características. Trata-se de movimentos de inspiração cristã que partiram dos mais diversos pontos da Europa em direção à Terra Santa e Jerusalém no intuito de conquistá-las, sob a égide do Cristianismo. Seus empreendedores eram cavaleiros membros da nobreza.

Entretanto, a era medieval viu eclodir um outro tipo de cruzada, sem convocação da Igreja Católica nem composta pelos ricos cidadãos. Estamos falando da Cruzada dos Mendigos, também conhecida como Cruzada Popular. Espontânea, foi liderada por agricultores e cavaleiros pobres.

O que foi a Cruzada dos Mendigos?

Em 1095, durante o Concílio de Placência, o Papa Urbano II recebeu pedido de ajuda por parte do imperador bizantino Aleixo I Commeno para lutar contra os turcos. O líder católico, então, enxergou uma oportunidade para acabar com o Cisma do Oriente (movimento de separação), objetivando reunir a Igreja Católica sob seu domínio.

Em novembro do mesmo ano, um novo concílio foi realizado, o Concílio de Clermont. Nele, Urbano II exultou a importância de parar com a expansão dos muçulmanos e a necessidade de tirar Jerusalém de suas mãos. Em troca da luta pela retomada, ele prometeu indulgência plena para aqueles que morressem na Terra Santa.

A incursão rumo à Terra Santa seria chamada de Cruzadas, sendo a primeira delas prevista para saída em 15 de agosto de 1096. Os exércitos seriam formados por membros da nobreza que logo começaram a se organizar. Entretanto, o apelo papal não se restringiu a eles e foi difundido por toda a Europa por pregadores populares.

Entre os principais estava Pedro, o Eremita, que conseguiu mobilizar milhares de pessoas rumo à Cruzada dos Mendigos ou Cruzada Popular. Esse movimento se levantou antes mesmo da saída da cruzada oficial e era formada por pobres, ladrões, camponeses e cavaleiros sem estirpe. Sem reconhecimento papal, o grupo se concentrou na cidade de Colônia, na Alemanha.

Lá, contaram com o auxílio do cavaleiro Gautier Sans Avoir. Europeus de todas as camadas populares passaram a bordar uma cruz vermelha em suas vestimentas, símbolo que lhes rendeu o título de cruzados. Para empreender suas viagens, muitos venderam bens para angariar o dinheiro necessário à compra de armas e a própria expedição.

Mesmo diante dos parcos recursos, cerca de 40 mil homens saíram sob a liderança de Pedro e Gautier em direção à Terra Santa. O papa ainda tentou frear o movimento, proibindo mulheres, monges e doentes de participar da expedição. Porém, não teve sucesso. Sem dinheiro ou comida, atravessaram os territórios realizando pequenos furtos ou pedindo esmola.

Apesar de ter, entre eles, cavaleiros com alguma noção bélica, o grande problema enfrentado pelo grupo foi a falta de disciplina militar. Os primeiros cruzados entraram em combate com nativos de nações, ainda, cristãs. Enfrentando as adversidades, conseguiram chegar a Constantinopla em julho de 1096.

A multidão, então, realizou saques que deixaram os locais assustados. Para que a situação fosse contornada, Aleixo Commeno determinou que eles se alojassem nas fronteiras, incentivando-os a lutar contra os mouros. Liderados por Pedro, os enfraquecidos cruzados alcançaram a Ásia Menor, onde lutaram com os turcos em Nicéia.

Perante a primeira vitória, tomaram um fortaleza, dando um pequeno período de trégua. Aproveitando-se disso, o sultão Kilij Arslan organizou um cerco que os deixou sem água. O quadro fez com que muitos deles fossem mortos na Anatólia, em outubro de 1096. Os poucos sobreviventes voltaram para casa ou foram auxiliados pelos cavaleiros nobres.

Características principais

  • Participação aproximada de 40 mil cruzados
  • Maioria camponeses pobres e marginalizados na sociedade medieval
  • Presença de cavaleiros de baixa estirpe
  • Organização inadequada e armamento precário
  • Ao final da Batalha de Anatólia, a maioria foi morta, presa, vendida como escravos e, os poucos restantes, voltaram para suas cidades de origem
  • O insucesso da Cruzada dos Mendigos expôs os problemas econômicos que motivaram o movimento cruzadista

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.