Um estudo da Universidade da Pensilvânia, liderado pela Wharton School, desperta preocupações sobre o impacto da inteligência artificial (IA) generativa no aprendizado. Ao comparar o uso do ChatGPT com mecanismos tradicionais de busca, como o Google, surgiram diferenças significativas.
Com a participação de mais de 4.500 pessoas, a pesquisa revelou que aqueles que recorreram à IA apresentaram menor compreensão dos assuntos abordados. Além disso, suas respostas foram menos originais e detalhadas.
Este alerta se soma às preocupações em torno do uso crescente da tecnologia no dia a dia.
Comparação entre ChatGPT e Google
Os pesquisadores realizaram quatro experimentos sobre temas cotidianos. Um deles, por exemplo, envolveu ensinar mais de mil pessoas a plantar hortas. Metade dos participantes usou o ChatGPT, enquanto a outra metade recorreu ao Google.
Os resultados mostraram que o uso da IA levou a um menor esforço na pesquisa e a respostas mais genéricas.
Os autores da pesquisa destacam que a diferença de desempenho não está na qualidade das informações, mas em como elas são apresentadas. Informações fragmentadas, como nas buscas tradicionais, facilitam melhor retenção e reflexão crítica.
Comparação com estudo do MIT
Outro estudo, ainda sem revisão por pares, do MIT usou eletroencefalogramas para investigar a atividade cerebral de 54 participantes. Identificou-se menor engajamento neural em usuários de IA.
Contudo, suas limitações, como a pequena amostra e a curta duração, são ressaltadas por especialistas.
Implicações educacionais e motivacionais
Para Shiri Melumad, professora da Wharton, a passividade gerada pelos modelos de linguagem é preocupante. A rápida acessibilidade a respostas prontas diminui a motivação para o aprendizado ativo.
Daniel Oppenheimer, da Carnegie Mellon University, também destaca o problema motivacional, notando que estudantes confiam excessivamente na “inteligência” das IAs.
O papel da IA como ferramenta de apoio
Embora os riscos sejam claros, Melumad e Oppenheimer não defendem o abandono do uso de IAs. Ao contrário, eles sugerem que, quando usadas de forma crítica, essas ferramentas podem enriquecer a revisão de textos e a formulação de contrapontos.
O estudo da Wharton destaca-se pela robustez estatística em comparação ao do MIT, mas ambos indicam que a adoção indiscriminada de IA pode comprometer o aprendizado profundo.
A reflexão crítica e a motivação devem ser preservadas para evitar substituições prejudiciais ao raciocínio humano.
