Estudo da Unesco revela baixa representação feminina na Ciência

Menos de 30% dos pesquisadores em todo o mundo são mulheres, além de também receberem o menor número de premiações.

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Um estudo realizado pela Unesco mostra o quão árduo, ainda, é o caminho da luta pela igualdade de gênero no mercado de trabalho. De acordo com a pesquisa, apenas 28% dos pesquisadores de todo o mundo nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática são mulheres. O estudo revela, ainda, que o sexo feminino concentra o menor número de premiações.

Os dados foram levantados “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática”. No entanto, o estudo mostra, também que a disparidade não está relacionada à capacidade intelectual mas, às construções sociais que afastam representantes do sexo feminino dessas áreas. Construções, estas, reforçadas na escola e na própria família.

A autora do estudo é a especialista da Seção de Educação para a Inclusão e Igualdade de Gênero da Unesco, Theophania Chavatzia. Em conversa com a Agência Brasil, ela aponta que metade da produção e potencial não serão aproveitadas caso esse tipo de exclusão continue. A pesquisadora reforça o reconhecimento da importância de STEM (sigla que representa as áreas de apontadas) para a solução de problemas de nossa geração.

Theophania menciona que os estereótipos de gênero afastam as meninas dessa área desde muito cedo. A conclusão é reforçada pelos resultados obtidos no Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce), do Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação. O relatório mostra que, no 4º ano do Ensino Fundamental, o desempenho das meninas é cerca de 15 pontos melhor que os meninos.

Porém, no 7º ano, essas posições se invertem e os meninos passam a ter a mesma vantagem quanto ao desempenho em relação às meninas. Isso acontece porque, na medida em que crescem, elas vão perdendo o interesse em STEM e focam nas demais áreas, passando a escolher outras carreiras. Elas passam a acreditar que essa área não é apropriada para elas, uma situação bastante complexa.

Porém, isso não acontece em todos os países. Em nações onde a diferença entre meninos e meninas na STEM não é significativa, o desempenho feminino é cerca de três vezes melhor que o masculino. De acordo com o Estudo Internacional de Matemática e Ciências, nos países em que os meninos se destacam mais que meninas, a diferença nas ciências é de oito pontos. Nas regiões onde ocorre o inverso, a diferença é de 24 pontos.

Por isso, Theophania frisa a necessidade de criar políticas públicas que evitem o afastamento das meninas de STEM. São áreas afetadas pelo estereótipo de gênero e é preciso encorajar o sexo feminino a entrar nelas, provendo-lhes oportunidades. Ela cita o exemplo da Austrália que investe milhões na promoção da educação de STEM para meninas por meio de bolsas de estudos.

A pesquisadora comenta sobre os riscos que o mundo corre ao perder meninas nas áreas de STEM. Na entrevista à Agência Brasil, ela comenta que deixar metade da população de fora significa que metade não apresentará soluções. E, ainda, “se considerarmos STEM como o trabalho do futuro, com melhores salários e reconhecimento, e excluirmos as mulheres, estamos reforçando as desigualdades”.

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