Nelson Mandela e a luta contra o apartheid

Nelson Mandela em um encontro com o então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton em 1993.

0

Quem foi Nelson Mandela? Nelson Mandela é um dos símbolos da resistência negra, foi preso no dia cinco de agosto de 1962, seu crime: lutar contra um regime segregacionista imposto por uma minoria branca permaneceu preso por longos vinte e sete anos. Sua imagem carismática fez dele uma figura lendária, entrando para a história como o primeiro presidente negro da África do Sul.

Biografia Nelson Mandela

Rolihlahla Madiba Mandela era o seu nome verdadeiro, de etnia Xhosa, Mandela nasceu num pequeno vilarejo na região do Transkei. Foi o primeiro membro de sua família a frequentar uma escola, seu pai daria a ele o nome de Nelson em homenagem ao almirante inglês herói da batalha de Trafalgar (batalha naval entre França e Espanha contra a Inglaterra no ano de 1805).

Seu pai Henry possuía origens aristocráticas, o que não o impediu de possuir um imenso senso de justiça que seria transferido ao filho. Após a morte de seu pai continuou os seus estudos, aprendeu a língua inglesa o que lhe permitiu compreender um pouco do universo do colonizador branco, porém sua educação foi baseada na cultura Xhosa, Mandela jamais se afastaria de suas origens.

O território sul africano foi totalmente dominado pelos ingleses em 1902, no ano de 1910 os colonizadores proclamariam a União da África do Sul. A partir desse momento, seria imposta aos negros uma dura política de segregação racial: o apartheid.

O que foi o apartheid?

O termo apartheid significa “estado de separação”, passou a ser utilizada no vocabulário sul-africano no final da década de quarenta. Os britânicos que eram a minoria na África do Sul empreenderam uma severa política de segregação racial, eles eram os únicos que detinham o direito de voto, aos negros restava à exclusão e a obediência.

Com a chegada do Novo Partido Nacional (NNP) ao poder, esse regime separatista passaria a ser institucionalizado, entre outras restrições, o negro agora perderia o direito de adquirir propriedades privadas nas mesmas regiões que o branco e a liberdade de ir e vir, para circular eles deveriam portar um documento que autorizaria o seu deslocamento.

Entre outras leis impostas ao negro pelo regime do apartheid pode-se citar:

  • a proibição de casamentos inter-raciais;
  • era expressamente proibido ao negro participar de qualquer tipo de movimento social;
  • aos negros era proibido frequentar os mesmos locais que os brancos, escolas, hospitais, praças, etc. Assim foram sendo criados espaços reservados a população de acordo com a cor da pele;
  • eram obrigados a residir em bairros afastados, os guetos;
  • nos documentos pessoais, certidão de nascimento e identidade deveria estar registrada a raça: branco ou negro;

Em 1944, quando ingressa na Universidade de Fort Hare, Mandela se juntaria ao CNA (Congresso Nacional Africano), grupo que se tornaria famoso por sua luta contra o regime segregacionista. Nesse período ele iniciaria sua militância pacífica contra o apartheid, a luta pela liberdade seria o seu ideal de vida. Em 1952 se tornou vice-presidente do CNA, nesse ano lideraria um movimento de desobediência civil que resultaria na prisão de oito mil pessoas.

Membros fundadores do Congresso Nacional Africano (CNA)

Um episódio ocorrido no dia 21 de março de 1960 mudaria o pensamento e a forma de atuação de Mandela, na cidade de Joannesburgo, capital da África do Sul, um grupo formado por vinte mil jovens protestavam no bairro de Shaperville contra a lei do passe, que os obrigava a portar documentos de identificação descrevendo os locais onde eles poderiam circular, as tropas do exército se lançaram contra os manifestantes, deixando um saldo de sessenta e nove mortos e cento e oitenta e seis feridos.

A ação ficaria conhecida como o “Massacre de Shaperville”, em memória às vítimas, a Organização das Nações Unidas-ONU-instituiria o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. Nelson Mandela revoltado com a ação violenta do governo passaria a defender a luta armada. Suas ações ganhariam repercussão mundial, quando tentaria financiamento de organizações internacionais para dar continuidade à luta.

Em 1962 foi condenado a cinco anos de prisão por incentivar os movimentos contra o regime de separação, entre outras acusações pesavam sobre ele os crimes de desobediência por ter viajado ao exterior sem permissão, a organização de movimentos grevistas e atentados “terroristas”.

O ano de 1964 mudaria radicalmente a vida de Mandela. Em um novo julgamento ele seria condenado à prisão perpétua, permaneceria preso entre os anos de 1964 a 1990. Em sua defesa no tribunal ele encerrou sua participação proferindo as seguintes palavras:

Durante a minha vida eu me dediquei ao sofrimento do povo africano. Eu lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu apreciei o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas vivem em harmonia com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e atingir. Mas se necessário, é um ideal pelo qual eu estou preparado para morrer

Os membros do júri não se comoveram com suas palavras. Juntamente com outros membros do CNA recebeu a pena máxima.

Os anos no cárcere foram marcados por sua inabalável resignação, encarava a prisão como parte da luta. Tornou-se o prisioneiro mais famoso de Robben Island. Mesmo isolado do mundo e passando parte do seu tempo executando trabalhos forçados, ele não ficava alheio às manobras políticas do governo.Ganhou a confiança e o respeito dos outros presos e em especial de um carcereiro James Gregory, que daria um testemunho emocionado em seu livro Mandela, meu prisioneiro, meu amigo.

Diversas organizações mundiais iniciariam uma campanha pela libertação do prisioneiro político mais antigo do mundo. Na década de oitenta o presidente Pieter Willem Botha já dava sinais que estaria disposto a uma negociação, o seu sucessor Frederik de Klerk, assim que foi eleito anunciou em dois de fevereiro de 1990 a libertação de Mandela, o que aconteceu em onze de fevereiro de 1990.

Em 1991 Madiba (como era chamado carinhosamente pelo seu povo) foi eleito presidente do Congresso Nacional Africano e lutou arduamente para o fim do regime do apartheid.

A política segregacionista que perdurou por quase todo o século XX, chegaria ao fim em 1993, ano em que Mandela e o presidente Frederik de Klerk ganhariam o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços em busca da unidade do povo sul africano.

Em 1994 Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul nas primeiras eleições multirraciais, durante o seu mandato promoveu diversas ações para a diminuição dos conflitos entre negros e brancos, uma de suas estratégias foi utilizar o esporte como meio de unir negros e brancos.

Retirou-se da vida pública em 2004, mas continuou engajado em causas humanitárias, como a busca de ajuda financeira para o combate ao vírus da AIDS na África. Morreu em 2013 aos 95 anos, porém deixou um legado de coragem que será referência para todos os povos que se dedicam a lutar contra a violência praticada principalmente contra as minorias.

Frases de Nelson Mandela

“A educação é a mais poderosa arma pela qual se pode mudar o mundo.”

“Seja qual for o Deus, eu sou mestre do meu destino e capitão da minha alma.”

“Bravo não é quem sente medo, é quem o vence.”

“Depois de escalar uma grande montanha se descobre que existem muitas outras montanhas para escalar.”

“Eu odeio o racismo, pois o considero uma coisa selvagem, venha ele de um negro ou de um branco.”

“Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia.”

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

“Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria linguagem, você atinge seu coração.”

“A educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através dela que a filha de um camponês pode se tornar uma médica, que o filho de um mineiro pode se tornar o diretor da mina, que uma criança de peões de fazenda pode se tornar o presidente de um país.”

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.