Pompeia: A história da cidade destruída

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No ano 79 da era cristã, a cidade de Pompeia foi arrasada por uma das maiores catástrofes da humanidade. No dia vinte e quatro de agosto a cidade romana nos arredores de Nápoles no sul da Itália foi totalmente destruída.

Dezesseis mil pessoas morreram nessa trágica demonstração de força da natureza, atualmente as ruínas da cidade fazem parte de um parque arqueológico que recebe milhares de visitantes por ano.

Em 1944, foi a última vez que se teve noticia da erupção do vulcão Vesúvio. Localizado no golfo de Nápoles, no sul da Itália, próximo a cidade de mesmo nome, ele é o único vulcão localizado em uma parte continental do território italiano, os outros estão situados em ilhas.

Oficialmente Vesúvio está inativo, os estragos causados por sua última erupção nem de longe se compara a tragédia provocada por eles na cidade romana de Pompeia no ano 79 da era cristã. No dia vinte e quatro de agosto os moradores dessa cidade foram surpreendidos pela violência provocada pela atividade do vulcão.

Uma chuva de cinzas e pedras que saia da cratera do vulcão cobriu toda a cidade. Além de Pompeia as cidades de Herculano e Stabia na mesma região, também foram atingidas.

No dia da tragédia os moradores ouviram um tremor vindo do solo, mas jamais imaginavam que a região onde eles plantavam, abrigava um perigoso vulcão. Uma sucessão de explosões fez o Vesúvio expelir pedras e rochas que alcançaram um raio de milhares de metros e uma fumaça formada por gases tóxicos que chegou a atingir uma altura de trinta quilômetros.

O vulcão Vesúvio deixou um grande rastro de destruição, as pedras expelidas e a densa fumaça em pouco tempo deixaram a cidade de Pompeia soterrada. Das vítimas que conseguiram sobreviver às pedradas, muitas morreram por inalar a fumaça tóxica, estima-se que o número de vítimas fatais chegou a dezesseis mil.

A avalanche de pedras provocou desespero e pânico entre os moradores, a busca desordenada por abrigos contribuiu para o aumento do caos, dessa forma várias pessoas morreram pisoteadas. Prédios públicos, casas, arenas, tudo foi destruído, a cidade foi transformada em um grande cemitério a céu aberto.

Os moradores que conseguiram fugir a ferocidade do vulcão tentaram retomar suas vidas na cidade, mas desistiram diante de tamanha destruição, não sobrou nada que pudesse ser utilizado. Tanto a cidade de Pompeia, como Herculano e Stabia, não foram reconstruídas.

Durante muitos séculos as ruinas de Pompeia ficaram esquecidas, somente no século XVI quando o arquiteto italiano Domenico Fontana tentou abrir um túnel sob o monte La Civita elas foram descobertas.

Apesar da descoberta, somente no século XVIII, mais precisamente no ano de 1738 é que as ruínas começaram a ser exploradas a mando do rei da Espanha Carlos III. Primeiramente foram descobertos vestígios da cidade de Herculano, em 1763 as escavações comandadas pelo engenheiro Rocco Giacchino de Alcubierre, descobriram inscrições que remetiam a cidade perdida de Pompeia.

A medida que as ruínas eram desvendadas, o engenheiro Alcubierre também se deparava com a descoberta dos cadáveres dos antigos moradores. Espantosamente os corpos das vítimas haviam se transformado em estátuas de pedra ( a inalação das cinzas e gases tóxicos foi responsável pela petrificação).

O fascínio em torno de Pompeia está justamente na descoberta das vítimas petrificadas. O acúmulo de cinzas e lama sobre os objetos e corpos foi responsável por conservá-los exatamente como foram deixados. Abaixo se pode adquirir uma noção da magnitude do estrago provocado por Vesúvio.

Cadáveres
Estudiosos acreditam que a morte dos moradores aconteceu instantaneamente, por terem sido pegos de surpresa, foi impossível buscar proteção.
Sítio Arqueológico
O local onde foram encontrados os corpos foi transformado em um sítio arqueológico.
Escavação dos petrificados de Pompeia
O trabalho de escavação dos petrificados de Pompeia foi realizado com extremo cuidado pela equipe. Os pesquisadores sabiam que a conservação dos restos mortais poderia responder muitas perguntas sobre a tragédia.
Trinta corpos foram descobertos
Trinta corpos foram descobertos durante as escavações. Atualmente uma equipe formada por arqueólogos, radiologistas, antropólogos e até dentistas analisam os restos mortais.

A partir da descoberta desses corpos foi possível compreender um pouco da história de Pompeia. Através de exames de tomografias, os estudiosos puderam traçar um perfil do cotidiano dos antigos moradores, um dos resultados chegou a conclusão de que os habitantes da cidade eram adeptos de uma alimentação saudável pobre em açúcar, a descoberta é fruto da análise dos dentes saudáveis dos corpos encontrados.

Embora os dentes fossem saudáveis, concluiu-se que os ossos eram fracos devido ao excesso da ingestão de flúor contido nas águas. Os estudos são capazes de decifrar até mesmo a profissão exercida pelas estátuas de pedra.

Diferentemente das outras províncias pertencentes ao poderoso Império Romano, as pesquisas com base nos corpos petrificados conclui que os moradores de Pompeia eram pacatos provincianos.

A base da economia era o comércio de azeite e de vinho, que depois de produzidos eram comercializados com as cidades vizinhas as margens do Mediterrâneo. O estilo arquitetônico também pode ser vislumbrado através das descobertas oriundas das escavações.Outra descoberta diz respeito à religiosidade, os estudiosos encontraram templos em homenagem a deuses oficiais, o que reforçou a tese de que os moradores eram adeptos do politeismo.

No dia da tragédia, a cidade estava em plena atividade, a posição dos corpos foi capaz de reconstruir alguns afazeres do cotidiano dessas pessoas, inclusive pode demonstrar que os pompeianos lutaram muito para resistir a morte.

O jovem poeta conhecido como Plínio, o Moço, foi contemporâneo da tragédia em Pompeia e escreveu o seguinte em uma carta que teria sido endereçada ao historiador Tácito:

O Vesúvio brilhava com enormes labaredas em muitos pontos e grandes colunas de fogo saíam dele, cuja intensidade fazia mais ostensivas as trevas noturnas. O dia já nascia em outras regiões, mas aqui continuava noite, uma noite fechada, mais tenebrosa que todas as outras; a única exceção era a luz dos relâmpagos e outros fenômenos semelhantes.

Atualmente, os mistérios envolvendo a cidade de Pompeia e o comunicado de que os corpos estão sendo analisados, aumentaram a curiosidade sobre o episodio ocorrido no ano 79 da era cristã.

Um dos principais destinos turísticos do sul da Itália, nos arredores de Nápoles, são os sítios arqueológicos onde estão depositadas as ruínas dos templos, afrescos, arenas e prédios públicos de Pompeia.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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