Professores se unem e expõem escolas que não pagam salários

Professores denunciam irregularidades em escolas particulares, como atrasos salariais e assédio moral.


Professores do Rio de Janeiro têm usado redes sociais e grupos de discussão para denunciar irregularidades em escolas particulares. Além de compartilharem oportunidades de trabalho, esses espaços se tornaram canais de alerta sobre instituições que não cumprem com pagamentos e direitos trabalhistas.

A lista obtida pela Agência Brasil aponta mais de 100 escolas com denúncias, incluindo unidades localizadas na zona sul da capital fluminense. O tema gerou repercussão em toda a rede educacional.

Os relatos detalham práticas como atrasos constantes no pagamento de salários e encargos, além de casos de assédio moral. Muitos docentes compartilham experiências que vão além das dificuldades financeiras, expondo situações de vulnerabilidade e pressão no ambiente de trabalho.

Um professor, que pediu anonimato, descreveu ter atuado em escolas que fecharam sem honrar dívidas e em algumas instituições os custos de transporte precisavam ser arcados pelos próprios profissionais.

Esses depoimentos reforçam a necessidade de fiscalização e transparência no setor, além de alertar colegas sobre os riscos ao ingressar em determinadas instituições.

Impacto nos professores e nas instituições

O professor João, que já enfrentou atrasos salariais em duas instituições, relata que teve de pagar para ir trabalhar. Em uma das escolas, a mensalidade dos alunos começava em R$ 2,4 mil, enquanto o salário do professor ficava em torno de R$ 2,5 mil.

Além do baixo valor e dos problemas com pagamentos, nenhuma das duas escolas oferecia benefícios de transporte para que o profissional se deslocasse.

Essa situação é comum e reflete um desrespeito à profissão docente, segundo o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio).

Condições de trabalho precárias

A problemática dos pagamentos atrasados não é isolada. De acordo com o Sinpro-Rio, existem 36 processos coletivos e cerca de três mil individuais em andamento devido ao descumprimento de normas trabalhistas. João declara:

“Isso leva a uma alta rotatividade na escola. Não pagam os salários. Os professores acabam pedindo demissão e os alunos têm mais de um professor no mesmo ano. Isso é ruim inclusive para o ensino e aprendizagem dos estudantes”.

Essas condições precárias também afetam a saúde mental dos professores e tratam a educação como uma mercadoria, conforme destaca Afonso Celso Teixeira, diretor do sindicato.

Desafios financeiros das escolas particulares

A expansão das matrículas em escolas particulares no Brasil contrasta com as dificuldades financeiras enfrentadas por muitas instituições. Lucas Machado, presidente da Fisepe/RJ, explica que 70% das escolas no Rio são pequenas, com menos de 300 alunos, o que agrava os problemas econômicos.

Ainda assim, ele enfatiza que o não pagamento dos professores é uma medida extrema que deve ser evitada.

Possíveis soluções

Ambos os sindicatos, de professores e patronais, recomendam a busca por mediação e negociação para resolver as questões trabalhistas. A mediação sindical pode incluir multas por descumprimento, garantindo que os acordos sejam cumpridos.

As escolas são incentivadas a contatar sindicatos patronais para orientação jurídica e econômica, buscando soluções específicas para cada caso.

O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) também pode ser acionado em casos coletivos ou de demissões em massa, abrindo inquéritos para investigar denúncias. Dessa forma, busca-se proteger os direitos dos professores e encontrar soluções para garantir o pagamento de seus salários.

*Com informações da Agência Brasil.

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Escrito por

Lorena de Sousa

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integra o time VS3 Digital desde 2016. Apaixonada por redação jornalística, também atuou em projetos audiovisuais durante seu intercâmbio no Instituto Politécnico do Porto (IPP).

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