Nos próximos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar um novo decreto que corrige o salário mínimo nacional. O valor, afirmam interlocutores do governo, subirá de R$ 1.412 para R$ 1.518, com alteração a partir de janeiro de 2025.
A medida reflete cortes de gastos aprovados pelo Congresso Nacional. Com isso, o valor final ficará R$ 10 inferior ao estimado anteriormente, caso seja confirmado.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2020 e 2022, o salário mínimo foi ajustado apenas pela inflação. Desde o início de seu mandato, a proposta de Lula prevê aumento real, superior à inflação, proporcionando alívio financeiro a muitos brasileiros.
Porém, esse acréscimo real não deve atingir o valor esperado inicialmente, demonstrando as preocupações do governo com o aumento das contas públicas. Seja qual for a decisão, o reajuste ainda aguarda um anúncio oficial.
Novo cálculo e limitações
O aumento do salário mínimo para 2025 considera uma nova fórmula, parte de um pacote de cortes fiscais. A correção utiliza o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro, de 4,84%, além do crescimento do PIB de dois anos atrás, que foi de 3,2%.
Contudo, um teto limita o crescimento das despesas para além de 2,5%. Essa regra implica um aumento menor do que o projetado antes da aprovação do pacote fiscal, quando seguiria a totalidade do PIB.
Pela nova fórmula, o mínimo seria R$ 1.517, mas arredondamentos indicam R$ 1.518. Se o teto de 2,5% não fosse aplicado, o valor chegaria a R$ 1.528.
Impacto econômico
O reajuste do salário mínimo afeta diretamente as aposentadorias e outros benefícios previdenciários. O governo estima que cada R$ 1 adicional implica um custo de R$ 392 milhões, o que significa que, com a nova regra, o país economizará R$ 4 bilhões em 2025 e R$ 110 bilhões até 2030.
Esse ajuste poderá influenciar negativamente o consumo, um motor econômico crucial. Menor poder aquisitivo resultará em menor demanda por bens e serviços, o que pode afetar o crescimento econômico, segundo o Dieese.
Referência para milhões
O salário mínimo é essencial para 59,3 milhões de brasileiros, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Assim, qualquer alteração no mínimo tem efeitos abrangentes na economia.
A decisão de Lula enfatiza a ideia de um aumento acima da inflação, refletindo um compromisso político. Contudo, a data exata da publicação do decreto permanece indefinida.
