Quem manda nas terras raras? Veja os 5 países que dominam esse recurso valioso

Entenda o que isso tem a ver com tecnologia, energia e poder.

Em um cenário global cada vez mais impulsionado por tecnologias sustentáveis e pela transição energética, os chamados elementos de terras raras assumem um papel estratégico na economia mundial.

Essenciais para a produção de ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de ponta e aplicações militares, esses elementos são o motor silencioso por trás da inovação tecnológica e da transformação energética.

Embora o nome possa sugerir escassez absoluta, as terras raras são relativamente abundantes na crosta terrestre. O desafio está na viabilidade econômica e ambiental da extração, já que os depósitos mais acessíveis são limitados a algumas regiões do planeta.

Isso cria uma concentração geopolítica significativa e coloca certos países em posição de vantagem estratégica sobre a cadeia global de suprimentos.

Segundo o mais recente levantamento do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), as reservas globais de terras raras somam cerca de 130 milhões de toneladas métricas.

5 países com as maiores reservas de terras raras do mundo

Terras raras: China é a campeã mundial (Foto: iStock)

A seguir, descubra quais são os cinco países com os maiores depósitos e como cada um tem lidado com a extração, regulação e comercialização desses recursos vitais:

1. China – Líder absoluta em reservas, produção e controle do mercado global

Com aproximadamente 44 milhões de toneladas métricas em reservas confirmadas, a China ocupa com folga a liderança global em terras raras, tanto em volume quanto em capacidade produtiva e domínio tecnológico. Em 2024, o país extraiu cerca de 270 mil toneladas métricas, consolidando sua posição como principal fornecedor mundial.

O governo chinês adota uma postura estratégica sobre o setor, incluindo controle rigoroso da mineração, combate à extração ilegal e políticas de exportação restritivas. Em 2023, por exemplo, proibiu a exportação de tecnologia para a produção de ímãs de terras raras, intensificando seu poder de barganha no mercado internacional.

Esse domínio chinês levanta alertas em países altamente dependentes da importação, como os Estados Unidos, e reforça as tensões comerciais em torno do controle de recursos críticos.

2. Brasil – Um gigante em potencial com reservas subexploradas

O Brasil aparece como o segundo país com maior volume de reservas de terras raras, somando 21 milhões de toneladas métricas. Apesar do imenso potencial, a produção brasileira ainda é modesta, com apenas 20 toneladas métricas extraídas em 2024.

Essa realidade começou a mudar com o início da operação comercial da mineradora Serra Verde, em Goiás, em 2024. O depósito Pela Ema, onde ocorre a atividade, é considerado um dos maiores do mundo em argila iônica, fonte importante de elementos como neodímio, térbio, disprósio e praseodímio, cruciais para a indústria de ímãs permanentes.

Com investimentos em infraestrutura e regulação ambiental, o Brasil tem potencial para se tornar um player global de destaque no mercado de terras raras, especialmente diante da crescente demanda por energia limpa e eletrificação da mobilidade.

3. Índia – Expansão estratégica e independência tecnológica

A Índia possui cerca de 6,9 milhões de toneladas métricas em reservas, com uma produção de 2.900 toneladas métricas em 2024. O país detém aproximadamente 35% dos depósitos de areia mineral de praia, ricos em elementos de terras raras.

Nos últimos anos, o governo indiano tem intensificado investimentos em pesquisa, desenvolvimento e industrialização do setor, com foco em reduzir a dependência externa. Um marco nesse esforço é a construção da primeira planta nacional dedicada à produção de metais, ligas e ímãs de terras raras, um passo essencial rumo à autonomia tecnológica e industrial.

4. Austrália – A principal alternativa fora da Ásia

Com 5,7 milhões de toneladas métricas em reservas, a Austrália ocupa a quarta posição global. O país é o maior fornecedor de terras raras fora da Ásia, com uma produção de 13 mil toneladas métricas em 2024.

A mina Mount Weld, operada pela Lynas Rare Earths, é um dos principais ativos do setor fora da China. A empresa planeja aumentar sua capacidade com novos projetos de refino e separação fora do território chinês. Outro destaque é a mina Yangibana, da Hastings Technology Metals, que deve iniciar operações em 2026.

A Austrália se posiciona como alternativa segura e sustentável para o Ocidente, com forte apelo entre países que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos.

5. Rússia – Potencial ameaçado por conflitos e sanções

Com 3,8 milhões de toneladas métricas em reservas, a Rússia fecha a lista dos cinco países com maiores depósitos de terras raras.

Em 2024, o país manteve uma produção estável de 2.500 toneladas, mas sofreu uma forte revisão negativa nas estimativas de reservas, que eram de 10 milhões de toneladas em 2023.

Planos ambiciosos, como um investimento de US$ 1,5 bilhão para ampliar a produção e competir com a China, foram prejudicados pelas tensões geopolíticas resultantes da guerra na Ucrânia, dificultando acesso a tecnologias e investimentos internacionais.

Mineração de terras raras: desafios ambientais e técnicos

Apesar de seu valor estratégico, a extração de terras raras envolve desafios técnicos e impactos ambientais significativos.

A separação dos elementos exige processos químicos complexos, e muitos depósitos contêm material radioativo, como tório e urânio, o que aumenta os riscos para o meio ambiente e a saúde humana.

Casos como o da China e de Mianmar ilustram os impactos negativos da mineração mal regulada: desmatamento, poluição de rios, escassez hídrica e perda de biodiversidade.

Um relatório da Global Witness revelou a existência de mais de 2.700 piscinas ilegais de lixiviação em Mianmar, cobrindo uma área comparável à cidade de Cingapura.

Esses problemas tornam urgente o investimento em tecnologias de mineração limpa, regulamentação ambiental rigorosa e transparência nas cadeias de extração.

Uma corrida global por liderança no mercado de terras raras

Com a produção global saltando de 100 mil toneladas métricas em 2014 para 390 mil em 2024, o mercado de terras raras segue em plena expansão.

Essa tendência acompanha o crescimento da indústria de energias renováveis, da mobilidade elétrica e da tecnologia digital, setores altamente dependentes desses elementos.

Enquanto países como Brasil, Vietnã e África do Sul se preparam para ampliar sua participação, a China permanece como o centro nervoso da cadeia global, tanto em extração quanto em processamento e tecnologia.

Essa concentração de poder alimenta disputas comerciais e reforça a necessidade de diversificação geopolítica, cooperação internacional e inovação em mineração sustentável.

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