A Urbanização Brasileira

O processo de urbanização é caracterizado pelo crescimento das cidades em comparação ao crescimento do campo.

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O processo de urbanização é caracterizado pelo crescimento das cidades em comparação ao crescimento do campo. E isso ocorre tanto no sentido demográfico, ou seja, com a migração da população do campo para as cidades, quanto no sentido econômico, quando o meio urbano torna-se gradativamente mais complexo em suas relações e estruturas.

A urbanização brasileira, de maneira mais evidente e consolidada, ocorreu ao longo do século XX, seguindo algumas premissas gerais desse processo nos países periféricos, como o caráter tardio, a grande dependência para com a atuação de empresas estrangeiras e a velocidade acelerada, haja vista que em poucas décadas deixamos de ser um país rural para nos tornamos um território urbano-industrial.

Seguindo a regra geral, a urbanização do Brasil obedeceu a fatores atrativos e repulsivos. Por fatores atrativos, entende-se os elementos dispostos na cidade que atraem a população, como a maior oferta de emprego. Nesse caso, a industrialização exerceu um papel preponderante, essa se materializando também de maneira tardia no espaço geográfico do país, a partir da década de 1930. Os fatores repulsivos representam os fenômenos que culminaram com a saída forçada da população do campo, como a mecanização da produção e a concentração fundiária.

Portanto, com a conjunção de fatores atrativos e repulsivos, o território brasileiro se urbanizou a partir de um massificado êxodo rural. O período em que o país deixou de ser considerado rural para se tornar urbano, ou seja, com mais da metade da população vivendo em grandes cidades, aconteceu na década de 1960, como resultado da política de intensificação da industrialização e substituição de importações do Governo JK.

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Como a industrialização acontece de maneira mais efetiva naqueles lugares que oferecem uma maior infraestrutura para a instalação das fábricas, com uma rede mais bem articulada de transportes e comunicações, a urbanização seguiu o mesmo modelo. Com isso, a região sudeste do país foi a que mais recebeu investimentos privados e, por isso, a que mais intensamente se urbanizou, concentrando, ainda hoje, as duas maiores cidades do país: São Paulo e Rio de Janeiro.

Além disso, mesmo nas demais regiões e unidades federativas, podemos dizer que a urbanização também se manifestou de maneira concentrada, ou seja, restrita a um número limitado de cidades, notadamente as capitais que rapidamente se transformaram em metrópoles. As metrópoles são centros urbanos avançados que formam em torno de si uma grande área de influência, que vai do nível regional ao mundial, dependendo da complexidade de sua economia. No caso do Brasil, podemos dizer que o processo de urbanização foi, por isso, acompanhado de um igual processo de metropolização.

É importante observar que, mesmo sendo a industrialização uma das principais responsáveis pela urbanização, quem passou a concentrar a maior parte dos empregos gerados na cidade foi o setor terciário (comércio e serviços) que, ainda hoje, é o campo da economia que mais cresce no país e no mundo. Afinal, com o desenvolvimento da produção industrial, o meio comercial alavanca suas atividades, o que é acompanhado por uma maior necessidade de serviços cada vez mais específicos. Não obstante, a dificuldade que as cidades brasileiras encontraram para absorver toda essa massa de trabalhadores advinda do campo gerou um grande número de trabalhadores informais, uma das grandes marcas do desenvolvimento histórico do nosso país.

Um outro aspecto determinante da urbanização brasileira foi o fato de ela ter seguido a lógica econômica do país, marcada pelo intenso crescimento mas também pelo sua ampla desigualdade social. Além disso, assinalando o conceito de macrocefalia urbana, verificou-se o rápido inchaço das cidades devido ao fato de a urbanização ter sido muito acelerada, fato esse que, associado à proeminente falta de planejamento, gerou um grande número de periferias sem infraestrutura básica, além das moradias irregulares e favelas.

TENDÊNCIAS ATUAIS DA URBANIZAÇÃO BRASILEIRA

A partir da década de 1990 e do início do século XXI, a urbanização brasileira passou a ganhar novos contornos e características, incluindo a inversão de algumas dos aspectos acima elencados. Além disso, as mudanças econômicas, políticas e sociais do país nos últimos anos também resultaram em alterações na composição do espaço geográfico.

Uma tendência atual do espaço urbano brasileiro foi a redução da intensidade das migrações. E isso inclui a diminuição do êxodo rural, das migrações inter-regionais e também os fluxos em direção às grandes capitais, embora esses processos ainda ocorram. As razões para isso são estágio consolidado ao qual a urbanização se encontra e a relativa melhoria das condições de vida nas médias e pequenas cidades.

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Soma-se a essa dinâmica, a inversão, mesmo que lenta, do processo de metropolização, o que vem sido chamado de desmetropolização. De toda forma, ainda hoje, as metrópoles concentram a maior parte dos serviços, da população e dos empregos. Algumas delas vêm se especializando em questões burocráticas, de forma que a alta presença industrial vem sendo substituída pela concentração das sedes de empresas nacionais e internacionais.

Um dos efeitos disso é o rápido crescimento das cidades médias atualmente, o que abrange os municípios que possuem, mais ou menos, entre 100 mil e 500 mil habitantes que passam a receber mais infraestrutura e indústrias. Com isso, visualiza-se a formação de grandes parques industriais em áreas interioranas, o que acarreta no crescimento dessas cidades.

Por outro lado, algumas questões sociais ainda prevalecem latentes. A divisão social do trabalho e dos espaços, além da valorização excessiva do solo e da especulação imobiliária, resulta no direcionamento da população mais pobre às regiões periféricas e para locais de moradias irregulares, como as favelas que continuam crescendo (algumas se urbanizando). Vencer a desigualdade social e a segregação urbana e oferecer uma infraestrutura mais adequada para as regiões menos abastadas estão entre os principais desafios vividos pelas cidades no momento histórico atual.

Por Rodolfo Alves Pena
Mestre em Geografia

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