Conquistar um emprego que esteja alinhado com seus valores pessoais é, para muitos, o verdadeiro sucesso profissional. E não estamos falando apenas de salário ou cargo.
A verdadeira realização está em trabalhar em um lugar onde os seus princípios caminham lado a lado com a cultura da empresa. Quando há esse alinhamento, o tão desejado match, os resultados são positivos para todos: profissionais mais engajados e organizações mais produtivas.
No entanto, descobrir os valores reais de uma empresa durante o processo seletivo nem sempre é uma tarefa simples. Aquilo que está no site institucional ou no folheto corporativo pode ser apenas uma vitrine, sem conexão com a realidade do dia a dia.
A boa notícia é que existe uma pergunta poderosa que pode ajudar o candidato a entender melhor a cultura organizacional de forma autêntica.
A pergunta que todo candidato deveria fazer
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A sugestão vem de Suzy Welch, especialista em gestão e professora da NYU Stern School of Business, uma das escolas de negócios mais renomadas dos Estados Unidos.
Em seu curso de MBA chamado “Tornando-se Você”, Welch ajuda alunos a encontrar empregos alinhados com seus verdadeiros propósitos e valores, algo que muitos sequer sabem definir com clareza.
“Minha pesquisa mostra que apenas cerca de 7% dos adultos conhecem seus valores com verdadeira clareza. E pior: a maioria também não sabe identificar os valores reais de uma empresa”, afirma a especialista.
Isso acontece porque valores não são o que uma empresa diz que acredita. Valores são como o trabalho realmente é feito. Por isso, segundo ela, todo candidato deveria fazer a seguinte pergunta ao final da entrevista ou após receber uma oferta de emprego:
“Que tipo de pessoa não deveria trabalhar nesta empresa?”
Essa pergunta, aparentemente simples, é eficaz por um motivo: ela desarma o entrevistador. Segundo Suzy, os gestores costumam ser mais sinceros quando pegos de surpresa, oferecendo respostas mais espontâneas e reveladoras.
O que as respostas podem revelar
Suzy compartilhou algumas respostas reais ouvidas de seus alunos.
- “Uma pessoa que não quer mandar mensagens nos fins de semana.”
- “Alguém que quer experimentar diferentes funções — este é um lugar para especialistas.”
- “Uma pessoa muito social.”
- “Qualquer um que goste de trabalhar muito sozinho.”
Cada resposta, segundo ela, diz muito sobre os valores reais da organização, muitas vezes em contraste com o que está no discurso institucional.
Por exemplo, a primeira resposta contradiz empresas que afirmam priorizar o bem-estar e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Já a terceira revela pouco apreço por um ambiente colaborativo ou comunitário.
Como fazer essa pergunta do jeito certo?
A recomendação da especialista é ser estratégico: a pergunta deve ser feita com um tom de curiosidade leve e genuína, e não de maneira confrontadora.
“Você está investigando, sim, mas precisa parecer apenas curioso. Isso faz toda a diferença”, alerta.
Outro ponto fundamental levantado por Suzy Welch é a distinção entre virtudes e valores pessoais. Enquanto as virtudes são qualidades universais, como honestidade, justiça e integridade, os valores são escolhas únicas e individuais sobre como cada pessoa prefere viver e trabalhar.
Para ajudar seus alunos, Welch desenvolveu uma ferramenta de autoconhecimento com 15 valores essenciais, como Afluência, Realização e Centralidade na Família.
Entender seus próprios valores é o primeiro passo para identificar se a empresa compartilha esses princípios e, assim, tomar decisões mais conscientes na carreira.
Pergunta pode mudar sua trajetória profissional
Ao buscar um novo emprego, é comum focar em remuneração, benefícios ou cargo. No entanto, ignorar os valores organizacionais e a cultura interna da empresa pode levar à frustração profissional. Por isso, antes de aceitar uma proposta, faça essa pergunta estratégica.
Saber quem não se encaixa na empresa revela muito sobre quem realmente é valorizado por lá. E isso pode fazer toda a diferença na sua experiência profissional.

