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Goiás e os caminhos até a Proclamação da República

Goiás pertencia à Capitania de São Paulo até 1749. Após a Independência, Goiás passa a ser uma Província e Vila Boa conhece seu primeiro governador: o capitão-general Conde dos Arcos.

História de Goiás parte 3

Goiás pertencia à Capitania de São Paulo até 1749. Após a Independência, Goiás passa a ser uma Província e Vila Boa conhece seu primeiro governador: o capitão-general Conde dos Arcos. Todo governador tinha ligação direta com Lisboa e o Conselho Ultramarino. O primeiro Governador nomeado por Dom Pedro foi Caetano Maria Lopes Gama, em 14 de setembro de 1824.

Goiás continuaria sob o mesmo marasmo econômico e a popularidade de D. Pedro ficaria abalada, pois a população começaria a perceber que poucas mudanças aconteciam mesmo após a Independência, estando a maioria dos cargos públicos ainda nas mãos dos portugueses.

A impopularidade de D. Pedro aumentou com a questão Cisplatina (atual Uruguai) a região da Província da Cisplatina havia sido anexada ao Brasil por D. João VI e com D. Pedro no poder, a guerra que se criou para impedir a independência do povo cisplatino não agradou a população. Além deste fato, em Portugal, D. Pedro abdicou do trono para deixa-lo para sua filha, D. Maria da Glória, o imperador só não contava com a astúcia de seu irmão D. Miguel, que iria usurpar o trono da sobrinha. Desta maneira, D. Pedro ficava dividido entre os problemas portugueses e brasileiros, deixando dúvidas sobre suas condições de governar o Brasil.

Os jornais criticavam o governo e um jornalista, conhecido por Líbero Badaró, foi assassinado em 1830, a população prontamente acusou os simpatizantes do imperador pelo ocorrido. Com tantos problemas, D. Pedro resolveu testar sua popularidade pelo país, visitando as Províncias, não foi bem recebido e em seu retorno ao Rio, os comerciantes portugueses tentaram fazer uma festa no seu retorno, acabaram produzindo um enfrentamento com os brasileiros insatisfeitos, essa noite de enfrentamento ficou conhecida como a Noite das Garrafadas.

D. Pedro I abdica do trono brasileiro após pressão dos populares e de soldados. Deixa o trono para seu filho de apenas 5 anos de idade. D. Pedro I e volta para Portugal disposto a reconquistar o trono português que havia sido tomado por seu irmão, D. Miguel. Em Goiás, após a abdicação de D. Pedro I, ocorre um movimento de caráter nacionalista. Em 13 de agosto de 1831, liderados pelo bispo cego Dom Fernando Ferreira, o padre Luís Bartolomeu Marquez e o coronel Felipe Antônio Cardoso, com adesão e apoio das tropas, o movimento depõe todos os portugueses que ocupavam os cargos públicos em Goiás.

Ao falarmos da Proclamação da República no Brasil, não podemos nos esquecer da abolição dos escravos, são movimentos que andaram juntos no século XIX brasileiro, a abolição ocorre oficialmente em 1888 e a República é proclamada em 1889.

A história de Goiás mostra que na transição da sociedade aurífera para a agropecuária a população que era de 79 mil habitantes em 1849, em 1890 passa para 227 mil, além desse crescimento, a relação do escravo com o senhor vai se tornando mais distante com o trabalho do pastoreio do gado, diminuindo a hierarquia. O movimento abolicionista crescia pelo Brasil e o tráfico de escravos se tornava cada vez mais difícil (Lei Bill Aberdeen – 1845), tornando o escravo caro para a produção.

O movimento republicano em Goiás estará ligado a nomes de famílias tradicionais, como Félix Bulhões, que foi um abolicionista acima de tudo, como também era poeta, ficou conhecido como o Castro Alves goiano, referência ao poeta nacional que também lutou pela abolição. Guimarães Natal é um republicano histórico que após finalizar os estudos de Direito em São Paulo, retorna a Goiás para comandar o jornal Bocayuva e espalhar os ideais republicanos pela região. Quando da Proclamação da República, Guimarães é aclamado como Presidente do Estado de Goiás mas não aceita, sugerindo uma junta governativa com mais alguns integrantes.

O 15 de novembro em Goiás ficou restrito às questões administrativas e políticas, as elites dominantes eram as mesmas, centradas nas famílias Bulhões e Jardim Caiado, culturalmente a região continuaria atrasada, os escravos, agora libertos, caminhavam para a marginalização, a decadência econômica prevalecia e o povo continuou esquecido e usado pelos políticos.

Carlos Beto Abdalla
Historiador e Mestre em Estudos Literários