‘Aranho’ existe? Masculino de aranha faz muita gente escorregar na gramática
Conheça a curiosidade sobre o gênero de 'aranha' e como a língua portuguesa trata substantivos epicenos.
A dúvida sobre qual é o masculino de aranha é mais comum do que parece e revela muito sobre as regras da gramática da língua portuguesa, especialmente no que se refere ao gênero dos substantivos que nomeiam animais.
Vamos direto ao ponto: não existe “aranho”. A forma correta de se referir a um exemplar masculino da espécie é “aranha macho”. Isso acontece porque o termo “aranha” é um substantivo epiceno, ou seja, possui apenas um gênero gramatical — neste caso, o feminino — independentemente do sexo biológico do animal.
O que é um substantivo epiceno?
Na gramática portuguesa, os substantivos epicenos são aqueles que apresentam uma única forma de gênero gramatical, mesmo quando designam animais que biologicamente possuem macho e fêmea.
Para indicar o sexo do animal, utiliza-se um modificador como “macho” ou “fêmea”.
Exemplos:
- a aranha macho / a aranha fêmea
- a cobra macho / a cobra fêmea
Mesmo que o animal seja macho, o substantivo permanece no feminino gramatical.
Outros exemplos de substantivos epicenos
Esse fenômeno não se limita à palavra “aranha”. Diversos nomes de animais seguem essa mesma lógica, ainda que causem certa estranheza a quem ouve pela primeira vez.
- jacaré (substantivo masculino): o jacaré macho, o jacaré fêmea
- onça (substantivo feminino): a onça macho, a onça fêmea
- tubarão (substantivo masculino): o tubarão fêmea, o tubarão macho
Pode soar estranho dizer “a onça macho”, mas essa construção está correta e segue a norma culta.
E quanto à palavra ‘aranho’? Ela existe?
Aranha-marrom (Foto: iStock)
Embora o termo “aranho” apareça em registros históricos, dicionários antigos e até em alguns dialetos regionais, ele não é reconhecido oficialmente pela norma-padrão da língua portuguesa como o masculino de “aranha”.
Assim, o uso de “aranha” com os complementos “macho” ou “fêmea” continua sendo a forma correta, tanto na linguagem falada quanto na escrita.
A dúvida sobre o masculino da palavra aranha revela uma das sutilezas da gramática portuguesa. Ao entender o conceito de substantivo epiceno, fica claro por que falamos “a aranha macho” e não “o aranho”.
A língua pode parecer confusa às vezes, mas é justamente essa riqueza de detalhes que a torna tão interessante!

Comentários estão fechados.