Terra começa a girar mais rápido e isso pode afetar o GPS

Especialistas observam aceleração na rotação da Terra, o que pode impactar equipamentos tecnológicos.


Entre julho e agosto, o planeta Terra tem girado mais rápido do que o habitual. Embora essa aceleração seja quase imperceptível, cientistas têm registrado com precisão.

Em 9 de julho, por exemplo, a Terra girou 1,3 milissegundo mais rápido, e a previsão para 5 de agosto é que o dia seja 1,52 milissegundo mais curto.

Para compreender essa variação, é importante saber que em 1,5 milissegundo uma fibra óptica pode transmitir dados por 300 quilômetros, ou uma bala de fuzil AK-47 pode se deslocar um metro. Portanto, mesmo pequenas diferenças podem ter um impacto em tecnologias como GPS e missões espaciais.

Causas da aceleração da rotação

Segundo o geofísico Eder Molina, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), a posição da Lua é um dos principais fatores que influenciam essa aceleração passageira.

“Quando seu efeito gravitacional incide mais sobre os polos do que sobre o Equador, a massa da Terra se redistribui mais próxima ao eixo de rotação, o que acelera o giro do planeta”, explica o especialista.

Além disso, fenômenos como o El Niño e alterações no núcleo e manto terrestres também afetam a rotação.

Molina observa ainda que a extração de água subterrânea, o derretimento de geleiras e eventos extremos, como o terremoto de 2011 no Japão, também interferem no movimento da Terra. Este último deixou o dia 1,8 microssegundo mais curto após deslocar a ilha principal do país em 2,4 metros.

Impactos tecnológicos

Observando os números apresentados, a variação pode parecer mínima, mas já é capaz de impactar de forma significativa equipamentos tecnológicos. Erros de milissegundos podem afetar sistemas de GPS e o pouso de espaçonaves.

Para Molina, essa aceleração é um lembrete poético de que cada milissegundo é precioso, como um sorriso ou um olhar gentil. “Se até a Terra tem pressa, vale aproveitar cada milissegundo para fazer o bem”, diz.

A USP segue acompanhando o fenômeno e transmitindo informações atualizadas para todo o Brasil.

*Com informações do Jornal da USP.

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Escrito por

Lorena de Sousa

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integra o time VS3 Digital desde 2016. Apaixonada por redação jornalística, também atuou em projetos audiovisuais durante seu intercâmbio no Instituto Politécnico do Porto (IPP).

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