Cientistas usam drones e descobrem detalhes chocantes sobre as baleias

Drones estão espionando baleias e o que foi descoberto é inacreditável.

Nas águas cristalinas do Caribe, um novo capítulo da ciência marinha está sendo escrito. Um simples drone, descendo suavemente do céu, encosta nas costas de um cachalote e fixa um sensor por meio de ventosas.

Esse pequeno gesto abre as portas para algo grandioso: entender de forma inédita a saúde, o comportamento e até a comunicação das baleias sem causar perturbações significativas a esses gigantes do oceano.

A técnica inovadora, batizada de “tap-and-go” (toque e siga), foi apresentada recentemente na revista PLOS One e já está sendo considerada um divisor de águas no estudo da vida marinha.

Ao contrário do método tradicional, em que cientistas precisam se aproximar com barcos e longas varas para fixar etiquetas nos animais, muitas vezes gerando ruídos e estresse, os drones oferecem uma abordagem mais ágil, precisa e menos invasiva.

Segundo Daniel Vogt, engenheiro de pesquisa de Harvard e autor principal do estudo, o objetivo é claro: reduzir o impacto sobre as baleias e, ao mesmo tempo, ampliar a qualidade dos dados coletados.

“Queremos observar sem perturbar, registrar sem invadir. Esse é o futuro da pesquisa marinha”, afirmou.

Drones: aliados da ciência e da preservação

Foto: Projeto Ceti

Nos últimos anos, os drones vêm se tornando ferramentas indispensáveis para pesquisadores. Além de instalar sensores, eles podem:

  • Medir e identificar diferentes espécies;
  • Registrar padrões de comportamento na superfície;
  • Coletar amostras biológicas a partir do “sopro” das baleias, revelando informações sobre hormônios, microbiomas e até genética.

Testes já foram realizados com espécies em risco, como a baleia-de-Rice, que conta com menos de cem indivíduos sobreviventes. Outras espécies, como baleias-azuis, cachalotes e jubartes, também já receberam etiquetas por meio dessa técnica.

Com o método “toque e siga”, os cientistas conseguem alinhar o drone à baleia e concluir toda a operação em menos de sete minutos, com taxas de sucesso superiores a 50%. Para animais que permanecem pouco tempo na superfície, como os cachalotes, essa agilidade representa um avanço crucial.

O futuro da pesquisa marinha

Esses sensores permitem coletar informações detalhadas sobre padrões de caça, interações sociais e sons emitidos pelas baleias.

O material é essencial para projetos ambiciosos, como o Projeto CETI, que investiga se a inteligência artificial pode decifrar a linguagem desses animais extraordinários.

Para especialistas como Jeremy Goldbogen, biólogo marinho de Stanford, a novidade é promissora:

“Estamos diante de um método que amplia nossas possibilidades de estudo e preservação, adicionando mais uma ferramenta ao vasto arsenal da ciência oceânica.”

Ao unir tecnologia, preservação e inovação científica, os drones não apenas aproximam os pesquisadores das baleias, mas também fortalecem a esperança de compreender melhor e proteger algumas das criaturas mais fascinantes do planeta.

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