Autismo em adultos é pouco diagnosticado: só 10% acima dos 40 recebem identificação

Pesquisa destaca a grave subnotificação de autismo em adultos acima de 40 anos, afetando a saúde e o bem-estar desta população.

Um novo estudo realizado por pesquisadores do King’s College London (KCL) revelou uma realidade preocupante: cerca de 90% dos adultos autistas com mais de 40 anos nunca receberam um diagnóstico formal.

Este dado sugere que o autismo, ao contrário do que muitos pensam, não é uma condição moderna, mas sim subdiagnosticada.

O aumento considerável nas taxas de diagnóstico de autismo nas últimas décadas levou a especulações sobre sua origem ser nova ou relacionada a fatores ambientais. No entanto, a pesquisa sugere que essa condição abrange gerações mais velhas, permanecendo amplamente desconhecida.

Impactos na saúde e bem-estar

As implicações da falta de diagnóstico são diversas e afetam significativamente a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos indivíduos autistas. A ausência de um reconhecimento adequado os torna mais vulneráveis a problemas de saúde relacionados à idade e ao isolamento social.

A pesquisa apontou que indivíduos autistas têm um risco quatro vezes maior de desenvolver demência precoce e seis vezes maior de ideação suicida. Além disso, sua expectativa de vida é seis anos menor do que a de seus pares não autistas.

Também foi constatado que adultos autistas enfrentam taxas elevadas de doenças graves, como distúrbios imunológicos, cardiovasculares e gastrointestinais. Condições relacionadas à idade, como Parkinson, osteoporose e artrite, também são mais comuns entre eles.

Desafios no diagnóstico e estatísticas alarmantes

Durante o século XX, o autismo frequentemente foi associado a deficiências intelectuais e descrito de maneira restrita. Isso resultou em uma negligência significativa da população adulta. Apenas a partir dos anos 1980, os critérios diagnósticos começaram a se expandir.

Essa expansão nos critérios, juntamente com o aumento da conscientização, explica parcialmente as crescentes taxas de diagnóstico. Porém, deixou uma lacuna significativa, excluindo muitos adultos mais velhos das estatísticas.

  • 89% dos adultos autistas entre 40 e 59 anos não possuem diagnóstico formal.
  • 97% dos autistas com mais de 60 anos também não foram diagnosticados.
  • 20% dos adultos autistas acima de 40 anos relatam isolamento social.

Caminho para a inclusão

Para enfrentar esses desafios, é necessário um enfoque abrangente que integre pesquisas de longo prazo, atenção médica personalizada e suporte social ampliado. Dessa forma, os indivíduos autistas poderão viver de maneira mais plena e saudável.

O estudo sublinha a urgência de se entender melhor as necessidades dessa população envelhecida, lembrando que as gerações ocultas de adultos autistas não diagnosticados precisam de reconhecimento e apoio dos formuladores de políticas públicas e clínicos.

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