Se você quer um cérebro até 7 anos mais jovens, aqui estão os hobbies perfeitos

Hobbies criativos podem rejuvenescer o cérebro, melhorando saúde mental e desempenho cognitivo.


O cérebro parece responder a desafios criativos como se promovesse um atraso no relógio biológico. Um estudo liderado pelo Instituto Latino-Americano de Saúde Cerebral (BrainLat) mostrou que hobbies podem rejuvenescer a mente em até cinco anos.

Para além do lazer, o efeito de atividades como dança, música e videogames alcança o desempenho e a tomada de decisão.

A equipe, comandada pelos neurocientistas Carlos Coronel e Agustín Ibáñez, usou inteligência artificial para criar “relógios cerebrais”. Ao cruzar idade cronológica com padrões neurais, os pesquisadores analisaram cerca de 1,4 mil exames de neuroimagem coletados em 13 países, revelando diferenças consistentes.

Os dados indicam que atividades criativas e desafiadoras funcionam como um escudo cognitivo. Elas mantêm os circuitos ativos, retardam os sinais de envelhecimento e ampliam a reserva mental. Assim, o hábito regular deixa de ser um passatempo e passa a integrar estratégias reais de saúde cerebral.

Impacto dos hobbies na idade do cérebro

O time do BrainLat estimou a idade do cérebro a partir de marcadores estruturais e funcionais. Em seguida, avaliou como hobbies criativos alteram essa estimativa.

Como resultado, criatividade e desafio cognitivo protegeram áreas vulneráveis ao envelhecimento e, ainda, tornaram a comunicação neural mais eficiente, segundo os autores.

O neurocirurgião Julio Pereira, da Beneficência Portuguesa e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, destaca que atividades desafiadoras funcionam como “musculação” para os neurônios.

Por outro lado, ele ressalta que o cérebro reage ao esforço, independentemente de vir do trabalho ou do lazer. Portanto, o essencial é a exigência mental combinada.

Quanto cada hobby reduz a idade cerebral

Os pesquisadores observaram efeitos específicos por modalidade, sempre vinculados a múltiplos sistemas cognitivos, motores e sensoriais. Os resultados apareceram de forma consistente entre grupos distintos. Veja, a seguir, os destaques encontrados no estudo.

  1. Dança: praticantes de tango exibiram cérebros com aparência de mais de sete anos mais jovens.
  2. Música: músicos apresentaram redução de cinco a seis anos na idade cerebral estimada.
  3. Videogames: gamers tiveram cérebros avaliados como quatro anos mais jovens no estudo publicado pela Nature.

Por que os ganhos ocorrem

A dança combina memória de passos, raciocínio, coordenação muscular e esforço cardiovascular. Já a música exige processamento auditivo e coordenação fina.

Enquanto isso, os games atuam simultaneamente em visão, estratégia e planejamento. Como consequência, o cérebro integra redes diversas e fortalece conexões sinápticas.

Nunca é tarde: benefícios também a iniciantes

Em uma segunda etapa focada em aprendizado, novatos que passaram 30 horas no jogo de estratégia StarCraft II exibiram “rejuvenescimento” de dois a três anos, o que demonstra que o ganho não depende de prática de longa data.

Com esses achados, as tentativas de cantar, desenhar ou aprender um novo jogo se mostram válidas a qualquer momento da vida.

Para profissionais sob alta pressão, adotar um hobby criativo pode ampliar a resiliência e, ao mesmo tempo, favorecer a saúde cerebral de maneira mensurável.

Ademais, o estudo sugere priorizar atividades que combinem atenção, memória, coordenação e tomada de decisão. Portanto, escolha algo instigante e mantenha a regularidade.

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Escrito por

Lorena de Sousa

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integra o time VS3 Digital desde 2016. Apaixonada por redação jornalística, também atuou em projetos audiovisuais durante seu intercâmbio no Instituto Politécnico do Porto (IPP).

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