Por que o celular mostra anúncios após conversas? Verdade por trás disso é assustadora

Veja se os celulares realmente escutam o que você fala ou se isso não passa de mito.

Nos últimos anos, muitos usuários têm relatado a sensação de que seus celulares estão “escutando” suas conversas. Você menciona um produto ou serviço e, logo em seguida, um anúncio sobre o tema aparece em seu dispositivo. A impressão de estar sendo monitorado é comum, mas a verdade por trás disso pode ser surpreendente.

De acordo com especialistas, não há evidências de que os dispositivos móveis gravem tudo o que falamos. Em vez disso, esses aparelhos utilizam estratégias sofisticadas para monitorar hábitos e prever interesses.

Isso ocorre por meio da análise de interações em aplicativos, localização e proximidade com outros dispositivos, sem a necessidade de utilizar o microfone.

Uma pesquisa realizada pela Sherlock Communications mostrou que 69% dos brasileiros acreditam que seus celulares os ouvem sem permissão.

Porém, estudos indicam que os dispositivos não captam o áudio ambiente para fins publicitários; em vez disso, utilizam algoritmos para analisar dados demográficos e comportamentais. Vamos entender melhor como isso acontece.

Entendendo a atuação dos algoritmos

Ao navegar na internet ou utilizar aplicativos, deixamos rastros de interesse que são coletados pelas grandes empresas de tecnologia.

Também fornecemos voluntariamente informações pessoais, como idade e localização, ao nos cadastrarmos em serviços online. Esses dados alimentam algoritmos que buscam exibir anúncios relevantes para nós.

Empresas como Google e Meta utilizam os dados coletados para segmentar anúncios de maneira cada vez mais precisa.

Elas cruzam informações sobre comportamento, interesses e conexões sociais para estimar o que pode estar se passando na mente de cada usuário. Isso explica a coincidência de vermos anúncios sobre algo que recentemente comentamos.

Foto: Shutterstock

Microfone: sempre aberto?

Os dispositivos com assistentes por voz, como Siri ou Alexa, mantêm o microfone ativo para ouvir comandos específicos. Contudo, eles não gravam nem transmitem dados enquanto estão em modo de espera. Somente quando ativados por palavras-chave, esses assistentes se conectam à internet para processar as solicitações do usuário.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor no Brasil desde 2020, estabelece normas para a coleta e utilização de dados pessoais, garantindo que as empresas obtenham consentimento em muitos casos. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) fiscaliza o cumprimento dessas regras, protegendo a privacidade dos usuários.

Como preservar sua privacidade online

Para aqueles que se sentem incomodados com a coleta de dados, algumas medidas podem ajudar a reforçar a privacidade:

  • Reduzir o compartilhamento de informações em redes sociais;
  • Revogar permissões desnecessárias em aplicativos;
  • Utilizar navegadores focados em privacidade;
  • Navegar no modo anônimo;
  • Desativar anúncios personalizados;
  • Evitar logins de terceiros;
  • Usar e-mails diferentes para cada serviço;
  • Utilizar uma VPN confiável.

Adotar essas práticas pode reduzir a relevância dos anúncios recebidos, mas oferece maior proteção à privacidade. A escolha entre privacidade e personalização cabe a cada usuário, considerando os limites da LGPD e a ausência de evidências de espionagem.

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