Crise silenciosa: maioria dos jovens no ensino médio relata sinais de sofrimento emocional, aponta pesquisa

Estudantes do ensino médio no Brasil enfrentam alta depressão e ansiedade, exigindo suporte emocional nas escolas.

A saúde mental dos estudantes do ensino médio acendeu um alerta no Brasil. Um levantamento conduzido pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com o CAEd da Universidade Federal de Juiz de Fora, revelou que 79% dos jovens apresentam sinais de depressão e ansiedade.

O estudo abrangeu cinco estados e expôs o impacto emocional crescente entre adolescentes às vésperas do fim da vida escolar.

Mais do que números, os dados refletem o peso de uma rotina cada vez mais exigente. Cerca de 20,4% dos estudantes afirmaram sentir-se infelizes ou deprimidos, quadro que se intensifica à medida que se aproximam dos vestibulares e da entrada no mercado de trabalho.

Especialistas apontam que o acúmulo de cobranças, o medo do fracasso e a incerteza sobre o futuro alimentam esse cenário. O desafio, agora, é transformar escolas em espaços que também priorizem o bem-estar emocional, e não apenas o desempenho acadêmico.

Desafios emocionais enfrentados por estudantes

A pesquisa não apenas identifica sintomas, mas também detalha as dificuldades enfrentadas. Por exemplo, 38,9% dos participantes relatam sentir-se esgotados, enquanto 33,9% enfrentam insônia devido a preocupações.

Além disso, 22,1% têm problemas de confiança, e 22% sentem-se incapazes de lidar com suas dificuldades.

Impacto na autoestima e segurança pessoal

Segundo Ana Crispim, doutora em Psicologia e Gerente de Pesquisa do Instituto Ayrton Senna, as dificuldades de regulação emocional impactam diretamente a autoestima e a segurança dos alunos. Ela explica:

Na vida acadêmica, essas angústias podem incluir preocupações com provas ou avaliações, por exemplo, mas também com a convivência na escola, ou ainda com a vida futura, como pressões e expectativas internas e externas que acontecem próximo do fim do Ensino Médio.

Ainda segundo a especialista, “essas vivências podem afetar a motivação, o engajamento e a confiança dos estudantes em suas próprias capacidades”.

O papel das escolas e educadores

Gisele Alves, gerente executiva do laboratório de ciências para educação do Instituto Ayrton Senna, enfatiza a importância da escola como um ambiente seguro para o aprendizado e o bem-estar. Os professores, passando muito tempo com os alunos, desempenham um papel crucial no desenvolvimento emocional destes.

No entanto, os docentes também enfrentam desafios emocionais próprios. A especialista orienta:

“Portanto, precisamos também estabelecer medidas para que os professores encontrem apoio e espaço para se desenvolverem e para que não fiquem sozinhos nessa interação com os estudantes”.

Assim, é fundamental criar medidas de suporte tanto para ambos os lados envolvidos no processo de aprendizagem. Espaços de apoio emocional e desenvolvimento devem ser priorizados para garantir uma interação saudável e produtiva no ambiente escolar.

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