O cotidiano digital dos adolescentes norte-americanos foi investigado por um estudo recente do Pew Research Center. Entre os 1.458 jovens analisados, praticamente todos já vivem conectados: 97% acessam a internet todos os dias, e uma parcela expressiva admite que quase não se desgruda das telas.
YouTube e TikTok formam o eixo dessa rotina contínua. Para um em cada cinco adolescentes, essas plataformas funcionam como uma espécie de relógio interno, guiando horas de consumo sem intervalos reais.
Assim, a linha que separa entretenimento e hábito automático fica mais fina do que nunca. Nesse cenário, os chatbots surgem como a nova peça do quebra-cabeça.
O uso da tecnologia já atinge 64% dos jovens, enquanto 30% a incorporam ao dia a dia. Um grupo ainda mais intenso, representando 16% dos participantes, recorre a assistentes de IA várias vezes por dia, redefinindo como a geração Z aprende, conversa e passa o tempo.
Plataformas preferidas e mudanças recentes
Entre os serviços, o YouTube aparece como quase universal. Logo depois, TikTok e Instagram reúnem mais de seis em cada dez adolescentes, enquanto o Snapchat alcança 55%.
Já o Facebook mantém 31%, e o WhatsApp soma 24%. Por outro lado, Reddit e X (antigo Twitter) não ultrapassam um quinto.
Ritmo de acesso diário
Quando se observa o uso cotidiano, o YouTube lidera, alcançando três quartos dos jovens. Em seguida, surgem TikTok (61%), Instagram (55%) e Snapchat (50%). Entretanto, apenas 20% declaram entrar no Facebook todos os dias.
- Facebook: 20%
- Snapchat: 50%
- Instagram: 55%
- TikTok: 61%
- YouTube: cerca de 75%
Uso quase constante por plataforma
O comportamento de permanência quase contínua também chama atenção. Aproximadamente 20% relatam uso intenso de TikTok e YouTube, enquanto Instagram e Snapchat registram 12% cada, e o Facebook fica em apenas 3%. No agregado, 36% agem assim em ao menos uma grande rede.
- Facebook: 3%
- Instagram: 12%
- Snapchat: 12%
- TikTok: aprox. 20%
- YouTube: aprox. 20%
Evolução desde 2022
As curvas de engajamento mudam lentamente. O WhatsApp avançou de 17% em 2022 para cerca de um quarto dos adolescentes em 2025. Em sentido oposto, Facebook e X acumulam quedas na última década. Além disso, cresceu levemente o grupo quase constante no TikTok desde 2022.
Diferenças demográficas e padrões de renda
Os recortes revelam assimetrias. Meninas marcam maior presença no Snapchat e no Instagram, enquanto meninos despontam no Reddit e no YouTube.
Por idade, jovens de 15 a 17 anos usam quase todas as plataformas mais do que os de 13 a 14. Porém, o YouTube agrada igualmente.
As diferenças raciais também aparecem. Adolescentes negros adotam, em maior proporção, Instagram, TikTok, Snapchat e YouTube. Além disso, famílias de menor e média renda mostram uso mais intenso do TikTok e do Facebook quando comparadas ao grupo de renda mais alta.
Chatbots mais usados
Os chatbots de IA conquistam espaço no cotidiano. Cerca de 64% já experimentaram essas ferramentas, 30% usam-nas diariamente e 16% fazem isso várias vezes ao dia ou quase sem pausa.
Entre negros e hispânicos, aproximadamente um terço recorre a chatbots todos os dias. Já na faixa etária de 15 a 17 anos, 31% mantêm o uso diário.
No ranking de preferência, o ChatGPT lidera com 59%. Em seguida, aparecem Gemini (23%) e Meta AI (20%). Enquanto isso, Copilot, Character.ai e Claude registram volumes menores.
Negros e hispânicos usam mais Gemini e Meta AI do que adolescentes brancos. As diferenças por renda também aparecem. O ChatGPT tem maior adoção entre famílias de renda mais alta, enquanto o Character.ai é mais utilizado em lares de renda mais baixa.
Conexão permanente e tendências
O acesso diário atinge 97% dos adolescentes, e quatro em cada dez ficam online quase continuamente. Esse percentual mais que dobrou em dez anos, embora tenha recuado levemente em relação ao ano passado.
Entre negros, o volume de usuários ativos o tempo todo chega a 55%, e entre hispânicos, o número fica em 52%.
Jovens mais velhos passam mais tempo conectados do que os mais novos. Além disso, quem vive em famílias com renda inferior a US$ 75 mil tende a permanecer online quase o tempo todo. Nesse cenário, os hábitos digitais revelam desigualdades e consolidam plataformas como referências diárias.
