Pedra que vem dos bois pode valer mais que ouro; 1 kg equivale a R$ 1 milhão
Cálculo biliar de boi alcança preços exorbitantes e vira alvo de contrabando, com casos de prisão no Uruguai envolvendo comércio com a Ásia.
As pedras de vesícula bovina, conhecidas também como cálculos biliares de boi, têm despertado a atenção devido ao seu alto valor no mercado.
Dois irmãos uruguaios foram sentenciados por traficarem este produto para a Ásia, evidenciando a crescente procura e os riscos associados a esse comércio.
Esses cálculos são formações sólidas encontradas na vesícula biliar de bovinos, compostas principalmente por colesterol, bilirrubina e cálcio.
A formação ocorre devido à dieta dos animais, rica em sais e cálcio, o que contribui para o acúmulo dessas substâncias.
Valiosidade e aplicações
Na medicina tradicional chinesa, as pedras de vesícula bovina são altamente valorizadas por suas supostas propriedades curativas.
Elas são empregadas no tratamento de enfermidades hepáticas, febres e problemas digestivos. Além disso, seus componentes são usados na fabricação de medicamentos ocidentais.
Este mercado aquecido faz com que o preço dos cálculos varie conforme sua cor, indo de R$ 150 a R$ 1 mil por grama.
Foto: Reprodução/Pedra de Fel
Criminalidade em torno das pedras de boi
O alto valor das pedras de vesícula bovina atrai criminosos. Um roubo em Barretos, São Paulo, resultou na subtração de R$ 2 milhões em cálculos.
No mesmo ano, quase um quilo desses cálculos foi apreendido pela polícia local, demonstrando o interesse crescente pelo produto.
Condenação no Uruguai
No Uruguai, dois irmãos enfrentaram a justiça por contrabandear pedras de vesícula bovina para Hong Kong.
O homem recebeu uma sentença de dois anos e um mês por contrabando e lavagem de dinheiro, enquanto sua irmã foi condenada a 18 meses por assistência na lavagem de dinheiro.
As transações chegavam a valer entre R$ 1 milhão e R$ 1,08 milhão por quilo, preço superior ao do ouro.
Operação e desdobramentos
Os condenados adquiriram os cálculos de matadouros no Uruguai, distribuídos por Canelones, Montevidéu, Durazno, Salto e Paysandú.
O transporte era feito por encomenda internacional, com empresas de Hong Kong como destinatárias. Os lucros eram transferidos para contas uruguaias, totalizando mais de R$ 17 milhões em transações bancárias.
O caso ilustra o mercado lucrativo das pedras de vesícula bovina e os desafios enfrentados pelas autoridades para combater o tráfico.
Com valores que superam os do ouro, a demanda por esses cálculos só tende a aumentar, tornando-se um problema crescente em várias regiões.

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