Pesquisa do governo vai medir efeitos da restrição de celulares entre estudantes

Objetivo é avaliar impactos da lei sobre uso de celulares na educação.


Celular fora da mochila e debate de volta à mesa. Um ano após a Lei nº 15.100/2025 entrar em vigor e redefinir o uso de smartphones na educação básica, o tema retorna ao centro das decisões públicas.

No dia 13 de janeiro de 2026, o Governo do Brasil anunciou o próximo passo: uma pesquisa nacional para medir os efeitos reais da norma nas escolas.

Conduzido pelo Ministério da Educação, o estudo pretende mapear impactos, práticas adotadas e diferenças entre redes de ensino. A ideia é entender como estados e municípios aplicam a regra no dia a dia e quais mudanças surgiram no ambiente escolar após a restrição.

Segundo o governo, limitar distrações ajuda a preservar o foco dos estudantes sem romper com o uso pedagógico da tecnologia. Por isso, a lei mantém exceções claras.

O que será analisado na pesquisa nacional

Com a lei completando um ano, o MEC lançará uma investigação nacional que mapeará práticas em diferentes sistemas de ensino, mensurará efeitos iniciais e apoiará ajustes. A pesquisa ocorrerá no primeiro semestre de 2026, em parceria com o Instituto Alana.

Entre os focos, a equipe olhará para distrações em sala, clima escolar e bem-estar.

A Lei nº 15.100/2025 não proíbe celulares, mas delimita usos para proteger a aprendizagem e o convívio. Nesse sentido, autoriza dispositivos para fins pedagógicos, acessibilidade, inclusão, necessidades de saúde e direitos fundamentais. Por outro lado, coíbe a hiperconectividade desregulada dentro das escolas.

Dados do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa) 2022 trazem um alerta: 80% dos estudantes brasileiros relatam distração e dificuldade de concentração em matemática por causa do celular. Portanto, a regulação ganha urgência.

Tecnologia com propósito

Em paralelo, o MEC segue a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), orientação que prioriza cidadania digital, com uso seguro, ético, crítico e criativo das tecnologias. Redes de todo o Brasil alinham práticas a essa diretriz para fortalecer aprendizagens significativas.

Situação nas escolas

Na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Dragão do Mar, o diretor Breno Marques relata um início turbulento. Inicialmente, houve resistência de estudantes, ligações a famílias e até crises de ansiedade sem o aparelho.

Contudo, com o apoio dos responsáveis, a comunidade se ajustou progressivamente às novas rotinas. Depois, os efeitos ficaram nítidos para docentes, com estudantes mais atentos, participativos e focados.

O hábito de apenas fotografar o quadro cedeu lugar a registros escritos e interações. Nos intervalos, pátios ganharam conversa, biblioteca, xadrez, quadra e corda, e a aprendizagem avançou.

Segundo ele, a escola registrou o menor número de alunos em recuperação dos últimos anos. Entretanto, surgiram desafios logísticos nas disciplinas eletivas, que às vezes pedem o aparelho em atividades. Nesses casos, a equipe autorizou o uso pedagógico de modo organizado, sem prejuízo aos estudantes.

Materiais de apoio do MEC

Para sustentar a política nas redes, o MEC preparou orientações para secretarias, escolas, docentes, estudantes e famílias.

Os materiais incluem guias, planos de aula, roteiros de reunião e peças de conscientização sobre uso responsável. Todo o conteúdo aparece nos canais oficiais do ministério.

Com a pesquisa nacional em marcha, o MEC reforça compromisso com proteção integral e com uma educação digital e midiática de qualidade e equidade. Dessa forma, os resultados devem orientar ajustes na aplicação da lei e consolidar práticas eficientes em todo o país.

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Escrito por

Lorena de Sousa

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integra o time VS3 Digital desde 2016. Apaixonada por redação jornalística, também atuou em projetos audiovisuais durante seu intercâmbio no Instituto Politécnico do Porto (IPP).

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