A Crise de 1929 e o New Deal

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O presidente Franklin Delano Roosevelt foi eleito pelo partido democrata em 1932. Quando assumiu o governo dos Estados Unidos se deparou com um cenário nada animador, a grande crise econômica de 1929 havia devastado o país.

Bancos falidos e milhões de desempregados eram alguns dos problemas que ele haveria de enfrentar. Para conter a crise econômica propôs a criação de um plano chamado New Deal, que prometia retirar os Estados Unidos do caos e elevá-lo novamente ao posto de superpotência mundial.

Introdução: Contexto Histórico

Quando a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) chegou ao fim, os países que participaram do conflito estavam devastados social e economicamente. A Europa contava um saldo de treze milhões de mortos, a economia havia se estagnado, as baixas taxas de natalidade somada ao número de mortes levou a um decréscimo populacional, além disso, grandes dívidas foram contraídas por essas nações que tiveram que desfazer de suas reservas de ouro e de negócios no exterior para saná-las.

Apenas um país foi beneficiado com a Guerra: os Estados Unidos.

Enquanto as grandes nações europeias se preocupavam com estratégias militares para vencer o inimigo durante o conflito, os norte-americanos usufruíam da sua posição de neutralidade.

Nos primeiros anos da Grande Guerra os Estados Unidos participou do conflito vendendo armas e alimentos para os países beligerantes, esse empreendimento contribuiu para o seu fortalecimento econômico e desenvolvimento industrial. Houve também uma ampliação do mercado consumidor americano, se a Europa estava guerreando era o momento de firmar outros laços comerciais, dessa forma expandiu a sua produção para o continente asiático e para a América Latina.

A rápida ascensão alemã durante a Primeira Guerra preocupou os países que formavam a Tríplice Entente e pressionou os Estados Unidos a declarar a sua entrada no conflito em abril de 1917.

Sabe-se que as razões dessa repentina decisão são muito mais de caráter econômico e político do que social, os americanos usaram como pretexto para entrar na guerra o afundamento de dois navios que transportavam suprimentos para a Inglaterra. A superioridade bélica e o forte exército sob a liderança do general John J. Pershing foram fatores decisivos para a derrota da Alemanha.

Os Estados Unidos emergem do conflito como a maior potência mundial responsável por cerca de 42% da produção industrial mundial, o cenário era de euforia e confiança em dias cada vez mais prósperos.

Os norte-americanos se tornaram os principais credores do mundo, o aumento do mercado consumidor gerava a necessidade de uma produção muito mais acelerada. Para dar conta de escoar toda essa produção era preciso aumentar também o poder de compra dos trabalhadores, assim o governo iniciou uma política de aumento salarial e criação de novos créditos, à medida que surgia um pequeno sinal de recessão o presidente intervia criando mais créditos.

Causas e Consequências

Em 1929 o aumento das especulações na Bolsa de Valores de Nova York causou uma desestabilização nos valores das ações, a elevação do preço logo foi acompanhada por uma brusca queda. A introdução de novos títulos gerou essa crise, havia muitas ações para poucos compradores interessados. Esse episódio ficaria conhecido com a Quebra da Bolsa de Nova York.

O colapso da Bolsa de Nova York gerou grande preocupação nos outros setores da economia, bancos congelaram os empréstimos, as indústrias diminuíram o ritmo de produção e para piorar esse cenário, os países europeus caminhavam em passos largos rumo à reconstrução econômica, agora eles dependiam menos das importações de produtos norte americanos o que acelerou a crise econômica nos Estados Unidos.

A diminuição da produção nas fábricas estimulou os empresários a demitir milhares de funcionários por todo o território americano, muitas decidiram por fechar as portas.

Pessoas perderam as suas casas, o número de desabrigados pelas ruas dos Estados Unidos aumentou consideravelmente, os índices de suicídios e crimes também tiveram uma grande elevação. Para tentar proteger a economia os países aumentavam as taxas sob os produtos norte americanos, o que contribui ainda mais para a redução do comércio internacional.

Como a crise de 1929 afetou o brasil

Esse episódio seria retratado na historiografia como a Grande Depressão. Essa crise refletiu em diversos países, até mesmo o Brasil foi afetado. Dependente das exportações do café o país se viu inserido na crise, já que os Estados Unidos que eram o principal comprador do produto diminuiu o número de sacas de café compradas, por garantia outros países também diminuíram a compra.

Para tentar conter a crise o governo brasileiro ordenou a compra e queima de cerca de oitenta milhões de sacas de café. A crise arruinou a economia cafeeira e abriu espaço para a industrialização do país a partir de 1930 sob o governo do presidente Getúlio Vargas.

A eleição do presidente Franklin Delano Roosevelt (1933-1945) reacende as esperanças dos americanos em se ver livre da crise, ele promete agir imediatamente para restaurar a economia do país e o caminho encontrado parece ser o aumento da intervenção do Estado na economia.

A crise e o New Deal

Um conjunto de medidas econômicos e sociais que recebeu o nome de New Deal (Novo Acordo) começa a ser colocado em prática entre os anos de 1933-1937 com o objetivo de reverter à situação de crise.

A política adota pelo programa vai contra o liberalismo econômico, a forte intervenção do Estado vai ser o caminho para a reconstrução dos Estados Unidos. Essa medida estava baseada na teoria econômica de John Maynard Keynes, segundo o economista somente o Estado seria capaz de gera o bem-estar social.

As principais medidas contidas no New Deal são:

  • investimento maciço na construção de obras públicas: estradas, pontes, rodovias, hidrelétricas, usinas, aeroportos, portos, barragens, escolas, hospitais, etc. Essa medida pretendia gerar emprego para os milhares de pessoas desempregadas desde o auge da crise em 1929. O aumento de trabalhadores elevaria o consumo e consequentemente a produção;
  • o governo passou a controlar os preços dos produtos para evitar uma nova crise de superprodução, já que uma das razões da Grande Depressão foi o acúmulo de produtos nas fábricas;
  • criação de leis para controlar e fiscalizar o mercado financeiro a fim de evitar as especulações;
  • incentivo através de empréstimos aos grandes e pequenos agricultores. Além de aumentar a produção agrícola, a medida pretendia frear o grande êxodo rural;
  • aumento de medidas sociais como a criação da Previdência Social, o seguro desemprego e o seguro para idosos acima de 65 anos;
  • diminuição da jornada de trabalho, essa medida visava criar dois turnos de trabalho nas fábricas e gerar um maior número de empregos.

As medidas implantadas pelo New Deal foram um sucesso, já no início da década de 40 os americanos conseguiram perceber a estabilização do sistema financeiro, o aumento de empregos, a elevação da produção e das exportações. O programa econômico e social gerou um alto custo para os cofres públicos, o que segundo os especialistas apresenta mais características positivas do que negativas, pois, possibilitou o fim da crise.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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