A Noite de São Bartolomeu

Catarina de Médici mãe do rei francês Carlos IX ficou conhecida por ter influenciado o filho a perseguir e matar milhares de protestantes. Essa perseguição religiosa ganharia destaque no dia 24 de agosto de 1572 quando por intermédio da rainha mãe o rei mandou massacrar todos os seguidores do protestantismo no território francês.

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Introdução

A queda do Império Romano em 476 após a invasão dos povos bárbaros colocou um ponto final na Idade Antiga e deu início a uma nova era: a Idade Média. Se antes a Europa se curvava diante o poder do imperador romano, agora ela passaria a se curvar para a poderosa Igreja Católica.

Quando os povos bárbaros invadiram, a população fugiu rumo aos campos, essa ruralização fragmentou não só a sociedade europeia como também o poder. A autoridade dos nobres ficou restrita aos feudos (direito que alguém adquire sobre um bem, geralmente a terra), a terra passa a ser o centro de todas as relações sociais e econômicas.

Como a Europa não possui mais um indivíduo com o poder centralizado em suas mãos, a Igreja ganha papel de destaque nessa função. As demais instituições ficam enfraquecidas ou simplesmente desaparecem com a queda do Império Romano do Ocidente e nesse contexto o clero passa a dominar, pois a única instituição que se manteve organizada foi a Igreja Católica Apostólica Romana.

Igreja

O Papa por sua vez, acumula poderes econômicos e religiosos, a sociedade doutrinada pelos católicos incorpora aos seus costumes a preocupação com a salvação, os novos fieis obedecem rigorosamente as leis impostas pelos clérigos. Essa submissão aos clérigos expande cada vez mais o seu poder e as suas posses, se a terra era a maior riqueza desse período era com ela que os cristãos compravam o perdão e a salvação, dessa forma a Igreja se tornou a instituição que mais detinha terras na Idade Média.

O clero monopoliza a religião, a política, a cultura e o saber, como era o único grupo social que tinha o conhecimento suficiente e permissão para decifrar as sagradas escrituras, os demais católicos se tornaram reféns ideológicos, nem sempre aquilo pregado nos sermões pelo Papa e os padres estava realmente escrito na Bíblia, a Igreja usava as páginas do livro sagrado para manipular a sociedade e não media esforços para alcançar os seus objetivos.

Aqueles que iam contra essa doutrinação era considerados hereges e sofriam os mais terríveis castigos, através do Tribunal do Santo Ofício os crimes de heresias eram julgados. Castigos, torturas, prisões e até mesmo assassinatos fizeram parte das penas aplicadas a aqueles que discordavam da Igreja.

A partir do século XVI os abusos cometidos pelo clero passaram a ser condenado por alguns grupos pertencentes à Igreja. O estopim para esse descontentamento foi o aumento da venda de indulgências.

Reforma Protestante

O poder papal começa a ser contestado, era o início do episódio conhecido como Reforma Protestante, os reformadores cristãos liderados principalmente por Martinho Lutero buscam denunciar as práticas erradas cometidas pela Igreja e popularizar os conhecimentos bíblicos.

Os líderes da Reforma pregam que a salvação só é obtida a partir da fé, diferentemente daquilo que era pregado pelo alto clero, estes diziam que a salvação era garantida através das boas obras e principalmente das doações que eram feitas a Igreja.

Muitos cristãos desiludidos com os crimes cometidos pelo Papa passam a migrar para as novas Igrejas criadas pelos protestantes, como: a Igreja Luterana, a Igreja Anglicana e a Igreja Calvinista. Os reformadores contariam também com o apoio da burguesia e da nobreza, os grupos sociais mais descontentes com o poder do clero.

A Reforma Protestante foi responsável pela diminuição do poder do Papa e da Igreja, à medida que o número de católicos diminuía o de protestantes aumentava. Esses novos cristãos foram vistos como uma ameaça para a monarquia dos reinos europeus, a grande maioria dos reis da Europa eram católicos, seu poder era legitimado e apoiado pelo clero e o crescente aumento da influência política dos protestantes preocupava a nobreza.

Instaurou-se na sociedade uma verdadeira disputa entre católicos e protestantes, esse eram também conhecidos como huguenotes. O auge dessa disputa ocorreu na França no ano de 1562, tudo começou com um casamento arranjado pela rainha Catarina de Médici. Naquela época os casamentos representavam mais uma aliança política e econômica do que um enlace matrimonial, quando um casal se unia era a representação da união do poder entre duas famílias.

Quem governava a França nesse período era o rei Carlos IX, mas como era uma pessoa de pulso fraco quem realmente exercia o poder era sua mãe Catarina de Médici. A rainha via com preocupação o crescimento do número de huguenotes na França e para neutralizar a influência política desse grupo ela arquiteta um plano que consistia no casamento de sua filha Margarida Valois, princesa da França e Henrique, rei de Navarra e chefe da dinastia dos huguenotes.

Milhares de protestantes foram convidados para o casamento que aconteceria às margens do rio Sena, esse convite nada mais era do que uma tentativa de mostrar a sociedade o falso desejo da rainha em pacificar as relações entre huguenotes e católicos através da permissão do casamento de sua filha católica com um protestante.

O casamento entre Margarida Valois e Henrique de Navarra não poderia ser celebrado no interior da Catedral de Notre Dame, visto que o noivo não era católico. Assim foi construído um altar sobre o rio Sena onde o casamento foi realizado.

O rei Carlos IX tinha como um dos seus conselheiros o líder dos huguenotes o almirante Coligny, essa proximidade gerava preocupação em Catarina de Médici, ela temia que o chefe dos protestantes franceses influenciasse o seu filho. A partir dai a rainha começa a colocar em prática o seu plano de eliminar os huguenotes, Coligny sofre um atentado planejado por Catarina, no entanto ela diz ao rei que o incidente foi liderado por católicos e que a vítima apesar de ter sofrido apenas ferimentos leves estaria esperando o momento certo para se vingar da população católica.

A noite de São Bartolomeu

Carlos IX manipulado pela mãe autorizou no dia 24 de agosto de 1562 a perseguição e morte a todos os huguenotes do território francês, inclusive ordenou a morte de Coligny que foi torturado e morto com requintes de crueldade.

O episódio de perseguição e morte aos huguenotes se prolongaria por vários meses, a matança ficaria conhecida na história como O Massacre de São Bartolomeu ou A Noite de São Bartolomeu.

Os historiadores não conseguem chegar a um acordo sobre o verdadeiro número de mortos. A contagem varia entre dois mil huguenotes assassinados e setenta mil, o lançamento de corpos no rio Sena dificultaria a chegada em um resultado mais preciso.

O rei Henrique de Navarra conseguiu sobreviver ao massacre, pois aceitou abandonar os princípios protestantes e aderir ao catolicismo. Quando subiu ao poder na França assinou um documento que concedia aos huguenotes os mesmos direitos políticos e a liberdade de culto, o Édito da Tolerância de Nantes. Com essa atitude o rei impediu que a França fosse dividida em dois reinos, um comando pelos protestantes e outro pelos católicos.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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