A Semana de Arte Moderna de 1922

O movimento modernista fez com que os artistas brasileiros percebessem a riqueza cultural do próprio país.

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Você já ouviu falar sobre a Semana de Arte Moderna de 1922? Se você gosta e se interessa por literatura brasileira, provavelmente sim.

Se você ainda não sabe a importância desse evento histórico, é bom se informar, pois a Semana de 22 é assunto recorrente nas provas de vestibular pelo Brasil, principalmente no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Preparados? No texto abaixo discorremos sobre o evento, quando e onde aconteceu, falamos um pouco sobre suas características, sobre o contexto histórico, obras e artistas e muito mais! Boa leitura e bons estudos!

Semana de Arte Moderna no Brasil – Resumo

A arte brasileira, até meados da primeira década do século XX, estava profundamente influenciada pela arte europeia.

Movimentos artísticos que influenciaram a Semana de 22

Embora as primeiras tentativas de construção de uma identidade literária genuinamente brasileira tivessem surgido ainda nos primórdios do Romantismo (vide a obra de Gonçalves Dias e José de Alencar), foi apenas com o Modernismo que elas obtiveram êxito.

Naquela época, o Parnasianismo, respaldado pela crítica e pela burguesia, dava as cartas na literatura nacional, acompanhada do Pré-Modernismo, movimento que congregava um grupo de escritores que, apesar de não possuírem um projeto artístico em comum, apresentavam características bem distintas da estética parnasiana e do Realismo.

Nesse contexto surgiram as primeiras manifestações modernistas. Já em 1911, os ideais do grupo de jovens escritores paulistas começavam a tomar corpo, mas foi apenas em 1922 que, enfim, o movimento modernista brasileiro ganhou visibilidade.

Organização da Semana de Arte Moderna

Não consta ao certo de quem foi a ideia de realizar um evento que reunisse artistas envolvidos com a arte moderna, mas sabe-se que desde 1911, Oswald de Andrade, um dos principais representantes da fase heroica do Modernismo brasileiro, pretendia comemorar de maneira memorável o ano do Centenário da Independência do Brasil.

Quando e onde ocorreu a Semana de Arte Moderna?

A Semana de Arte Moderna foi realizada entre os dias 13 e 18 de fevereiro, no Theatro Municipal de São Paulo, e reuniu vários artistas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Artistas que participaram da Semana de Arte Moderna

O evento foi aberto ao público, que durante toda a semana pôde visitar o saguão do teatro e conferir a exposição de artes plásticas com obras de artistas modernistas como de Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Zina Aita, Di Cavalcanti, Harberg, Brecheret, Ferrignac e Antonio Moya.

Além da exposição, foram realizados saraus com apresentação de conferências, leitura de poemas, dança e música, com a participação dos escritores Graça Aranha, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho, e com execução de músicas de Ernâni Braga e Villa-Lobos.

Entre os principais organizadores e idealizadores da Semana de Arte Moderna estão os escritores Oswald e Mário de Andrade.

Embora tenha contribuído para a divulgação e para solidificação dos ideais do movimento, Manuel Bandeira, a outra parte da chamada tríade modernista, não participou da organização do evento, tampouco compareceu no Theatro Municipal durante sua realização.

O escritor, que morava no Rio de Janeiro, era entre os três, o menos engajado e menos radical. Apesar do afastamento, enviou o célebre poema “Os sapos”, que foi lido pelo poeta Ronald de Carvalho na segunda noite da Semana.

O poema foi concebido como uma ironia corrosiva aos parnasianos, grupo que ainda dominava o gosto do público brasileiro, e foi lido sob protestos da plateia, que reagiu por meio de vaias e gritos. Confira um trecho da obra citada:

Os Sapos, de Manuel Bandeira

“Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
– ‘Meu pai foi à guerra!’
– ‘Não foi!’ – ‘Foi!’ – ‘Não foi!’.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – ‘Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…’

[…]”

Tríade modernista
Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Manuel Bandeira formaram a célebre tríade modernista, e consagraram-se como os principais representantes da primeira geração do Modernismo brasileiro.

Outras artistas renomadas no que se refere à pintura modernista brasileira são Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Confira algumas obras:

Obra de Anita Malfatti
O Homem Amarelo, de Anita Malfatti, 1917.
Tarsila do Amaral
Abaporu, de Tarsila do Amaral, 1928.

Esta última obra foi criada por Tarsila do Amaral, em 1928, como presente de aniversário para o escritor Oswald de Andrade, seu marido na época.

O título da obra, Abaporu, que significa “homem que come carne humana”, foi dado por Oswald e pelo poeta Raul Bopp, que indagou ao ver a pintura: “Vamos fazer um movimento em torno desse quadro?”.

Características da Semana de Arte Moderna

A partir desse evento, o panorama das artes no Brasil mudaria drasticamente. Os modernistas pregavam o rompimento com a arte tradicional, acusada de não representar a cultura e a sociedade brasileira.

Os moldes artísticos europeus não conseguiam traduzir os anseios dos artistas que buscavam o abrasileiramento das artes plásticas, da música e da literatura em nosso país.

A Semana de Arte Moderna provocou grandes e profundas modificações no campo das artes, e por esse motivo é considerada por muitos estudiosos da literatura como um divisor de águas para a produção cultural no Brasil.

Semana de Arte Moderna – Conclusão

A Semana de Arte Moderna não teve grande visibilidade à época, sequer mereceu mais do que algumas colunas nas páginas dos principais jornais.

Entretanto, aos poucos a Semana de 22 foi ganhando uma enorme importância histórica, uma vez que reuniu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922 várias tendências de renovação, cujo principal objetivo, embora não houvesse um projeto artístico em comum que as unisse, era o de combater a arte tradicional.

Conforme dito por Mário de Andrade em uma conferência realizada em 1942 por ocasião dos vinte anos da Semana de Arte Moderna de 1922, “o Modernismo no Brasil, foi uma ruptura, foi um abandono de princípios e de técnicas consequentes, foi uma revolta contra o que era a Inteligência nacional”.

Graças à ousadia dos modernistas, a arte brasileira tomou novos rumos, especialmente na literatura, consolidando assim uma produção literária autônoma e com identidade própria.

Modernistas
Mário de Andrade (primeiro à esquerda, no alto), Rubens Borba de Moraes (sentado, segundo da esquerda para a direita) e outros modernistas em 1922, dentre os quais (não identificados) Tácito, Baby, Mário de Almeida e Guilherme de Almeida e Yan de Almeida Prado.

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