Nas escolas brasileiras, o desafio vai muito além do conteúdo das aulas: é manter os alunos em silêncio. Segundo a nova Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), os professores no Brasil gastam 21% do tempo em sala tentando controlar a turma.
Esse índice está bem acima da média global de 15%, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Realizada entre junho e julho de 2024, a pesquisa ouviu docentes e diretores do ensino fundamental e revelou um cenário preocupante: as interrupções se tornaram rotina, e boa parte das aulas termina prejudicada pela indisciplina.
Muitos educadores relatam que o esforço para manter a atenção dos estudantes tem se tornado tão desgastante quanto o próprio ato de ensinar.
Os dados confirmam essa tensão: 44% dos professores dizem enfrentar interrupções constantes, mais que o dobro da média da OCDE, de 18%. O impacto não se limita ao aprendizado, já que 21% dos docentes relatam altos níveis de estresse, mostrando que, antes de ensinar, muitos precisam vencer o ruído da sala.
Impactos na saúde e valorização profissional
A pesquisa também destaca preocupações com a saúde dos professores. No Brasil, 16% relatam impactos negativos na saúde mental, enquanto na OCDE a média é de 10%. Ademais, 12% sentem efeitos na saúde física, comparados a 8% nos países da organização.
Quanto à valorização profissional, os índices são desanimadores. Apenas 14% acreditam ser valorizados na sociedade, em contraste aos 22% da média da OCDE. No entanto, houve um aumento em relação ao último levantamento, indicando uma leve melhora.
Satisfação e escolha de carreira
- 87% dos professores brasileiros estão satisfeitos com a profissão.
- 58% afirmam que o ensino foi sua escolha inicial de carreira.
- Ambos os índices estão próximos à média da OCDE.
Apesar das dificuldades, a satisfação com a carreira ainda é alta entre os educadores brasileiros, com a maioria expressando contentamento em lecionar. O estudo conduzido pelo Inep, com apoio das secretarias de educação, continua a ser uma ferramenta essencial para compreender e melhorar a educação no Brasil.
