Barack Obama: o presidente negro de um país marcado pela tensão racial

Ku Klux Klan, organização secreta racista criada nos Estados Unidos após a guerra civil americana. Seus membros usavam da violência contra os negros para garantir a supremacia branca no país.

Em 2008, Barack Obama foi eleito para a presidência dos Estados Unidos, o primeiro negro a governar o país. Sua vitória causou uma grande euforia não só entre os norte-americanos, mas no mundo inteiro. Uma nação que tem em sua origem uma história de segregação racial assistia entusiasmada a eleição de Obama.

Com ele surgiu uma nova esperança em tempos melhores, sem desigualdades sociais e raciais, o anseio de que em um futuro bem próximo os negros e demais minorias que já sofreram todo tipo de perseguição também tenham a chance de conquistar seu espaço. A construção de uma nação mais igualitária e democrática é um desejo dos negros e brancos abolicionistas desde o fim da escravidão após a violenta guerra civil americana. Entenda como tudo começou.

A Guerra de Secessão ou Guerra Civil Americana ocorreu nos Estados Unidos entre os anos de 1861 e 1865, envolveu de um lado os estados do norte (unionistas) e do outro os estados do sul (confederados). As diferenças existentes entre essas duas regiões foram o estopim para a deflagração do conflito. O Sul tinha sua economia voltada para a agricultura que era praticada com a utilização da mão de obra escrava. Já o norte tinha uma baseada no comércio e na produção de manufaturas.

Quando Abraham Lincoln, representante do Norte foi eleito presidente dos Estados Unidos em 1860 os Estados do sul resolveram se separar da união, seguindo seu exemplo outros dez governos se separaram. Essa atitude sulista fez com que o Norte declarasse guerra contra os separatistas. O conflito resultou em mais de 600.000 mortes e na devastação da economia, a superioridade bélica permitiu a vitória aos unionistas.

Com a vitória, Lincoln garantiu a unidade da nação e aboliu a escravidão, os negros agora libertos iniciaram uma tentativa de se integrar ao mercado de trabalho. Porém tudo isso não foi suficiente para por fim aos conflitos entre os radicais do norte e do sul, o próprio presidente foi assassinado por um fanático sulista. Enquanto os ex-escravos tentavam reconstruir a sua história, organizações secretas baseadas em ideologias racistas começam a se espalhar pelos Estados Unidos.

Entre elas pode-se destacar a Ku Klux Klan, fundada em 1866, no Tennessee por jovens da Confederação sulista. Suas ações violentas contra os negros e contra aqueles que os defendiam ganharam rapidamente repercussão nacional, fazendo com que ela se espalhasse para outros estados americanos. Suas identidades eram preservadas através do uso de máscaras o que começou a causar grande preocupação ao governo, suas ações cada vez mais violentas levou o governo a criar uma série de leis contra essas organizações, o que acabou por enfraquecer esse tipo de movimento.

Os estados sulistas não se conformavam com a abolição da escravatura, culpavam os negros pela crise econômica e os considerava um atraso para a nação, visto que eram “preguiçosos” e “pouco inteligentes”. O racismo se institucionalizou nos Estados Unidos, políticas segregacionistas impediam os negros de exercer o direito de voto, em todos os lugares como cinema, escolas, clubes, Universidades, ônibus havia um espaço reservado aos negros, separado dos brancos, inclusive os casamentos Inter-raciais eram proibidos, assim se evitaria a miscigenação.

A história dos negros ganha novos rumos a partir dos anos 60 quando surgem movimentos liderados por negros que exigiam os mesmos direitos civis reservados aos brancos. Um desses movimentos foi liderado por Martin Luther King, um pastor evangélico que através dos seus discursos conseguiu a atenção do governo para a situação humilhante em que viviam os negros norte americanos.

Leis que concediam direitos civis aos negros foram incorporadas a constituição, as leis foram modificadas, mas a mentalidade racista permanece infiltrada em muitos cidadãos brancos até os dias de hoje nos Estados Unidos.

Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia mesmo o estado do Mississippi, um estado desértico sufocado pelo calor da injustiça, e sufocado pelo calor da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje.

(Trecho extraído do célebre discurso “Eu tenho um sonho”de Martin Luther King. 28 de agosto de 1963. Foi morto em quatro de abril de 1968, os disparos teriam sido realizado por racistas incomodados com sua atuação em defesa dos negros).

Esse histórico de tensões raciais promoveu uma onda de euforia entre os americanos quando Barack Obama foi eleito, negros e brancos celebraram sua vitória, era o início de uma nova era nos Estados Unidos.

Sua eleição desencadeou um impacto moral nos demais negros, pesquisas apontam que o número de afrodescendentes matriculados em escolas e universidades teve um aumento, entre suas medidas de proteção as minorias, ele criou leis que ampliavam o direito ao seguro desemprego e a educação, além disso, continua a combater duramente o racismo.

Apesar desses avanços conquistados ao longo do século XX, muito ainda tem a ser mudado, recentemente diversos casos de negros assassinados por brancos vem reacendendo os debates em torno do assunto. Os índices de desemprego, população carcerária e evasão escolar são maiores entre os negros, o que comprova que eles ainda não estão totalmente integrados a sociedade americana.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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