Brasil e a transição energética: uma história que nasceu no campo e ganhou o mundo

País lidera a transição energética global, com etanol de cana como protagonista, desde os anos 1970, impulsionando uma matriz energética sustentável.

Na vanguarda da transição energética, o Brasil tem se destacado transformando canaviais em uma vasta fonte de energia limpa. Esta trajetória começou nos anos 1970, com o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), e hoje coloca o país em uma posição de destaque global.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém, Pará, em novembro, trará à tona debates sobre descarbonização, uma pauta na qual o Brasil já possui uma significativa contribuição.

O etanol, derivado principalmente da cana-de-açúcar, é o principal pilar deste avanço. Ele representa quase 30% da matriz energética brasileira, o que é o dobro da média mundial, conforme a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Esta evolução contínua ao longo de cinco décadas segue impulsionada por políticas públicas e inovações tecnológicas, fortalecendo a capacidade do Brasil de liderar a transição energética.

A evolução do etanol no Brasil

Foto: Shutterstock

O advento do Proálcool nos anos 1970 foi um marco na redução da dependência de combustíveis fósseis. Este programa consolidou uma cadeia produtiva referência em sustentabilidade e inovação.

Desde então, o etanol tem se expandido com a participação crescente do milho na produção, representando, conforme previsão da EPE para 2024, 20% do total fabricado no país.

Participação do setor privado

A indústria automotiva desempenhou um papel crucial na popularização do etanol, principalmente com a introdução do motor flex em 2003, que concede aos consumidores a escolha entre etanol, gasolina ou a mistura de ambos. Esta inovação foi fundamental para aumentar a adesão do consumidor ao biocombustível.

Em 2024, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 30%.

Esta ação está em linha com a Lei Combustível do Futuro, sancionada no mesmo ano, que visa promover a descarbonização e o uso de energias renováveis no Brasil.

Avanços tecnológicos e inovação contínua

A contínua busca por melhorias tecnológicas, evidenciada por empresas como a Stellantis e a Toyota, marca o avanço do país no uso do etanol.

A Stellantis, por exemplo, lançou recentemente veículos híbridos que combinam eletrificação com etanol, enquanto a Toyota trouxe ao Brasil tecnologias híbridas flex, reduzindo significativamente as emissões de CO₂.

Impacto ambiental e futuro promissor

Conforme estimativas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), o uso do etanol na frota de veículos flex do Brasil pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação à gasolina. Este cenário reforça o potencial do país em liderar a transição para uma matriz energética mais sustentável.

  • Consumo de combustível deve ultrapassar 70 bilhões de litros anuais.
  • Veículos flex continuarão a representar 75% da frota.
  • A conscientização sobre os benefícios do etanol está em ascensão.
  • Cada 10% a mais de etanol evita 6 milhões de toneladas de CO₂.

O Brasil, com suas raízes firmes na produção de etanol, está bem posicionado para dar mais um passo significativo em sua jornada rumo à sustentabilidade.

Ao final, com uma infraestrutura madura e capacidade de distribuição eficiente, o país está preparado para atender à crescente demanda global por energia limpa e sustentável.

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