Bullying praticado no Brasil supera a média internacional

A afirmação vem da pesquisa realizada pela OCDE em 48 países. Professores denunciam falta de políticas públicas para solucionar o problema.

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Uma pesquisa divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que as escolas brasileiras possuem duas vezes mais chances de prática de bullying do que a média geral de escolas em outros 48 países.

De acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem de 2018 (TALIS), o educador brasileiro utiliza apenas 67% do tempo em sala de aula para ministrar conteúdos didáticos.

Ainda de acordo com a pesquisa, 28% dos responsáveis por escolas brasileiras de ensino fundamental indicaram a intimidação ou prática do bullying como um problema semanal ou diário nas escolas. Além disso, 18% dos diretores de escolas com ensino médio relatam que possuem o mesmo problema.

Dessa forma, o percentual relatado no Brasil supera as médias da América Latina, cerca de 13%, e também mundiais, 14%. Contudo, o bullying no Brasil é ainda mais presente no sistema público de ensino, no qual os números sobem para 35% no ensino fundamental e 23% no ensino médio.

Ao se deparar com o resultado da pesquisa, especialistas e professores afirmam que os números revelam a urgente necessidade de medidas para evitar a violência física e emocional contra os alunos.

Falta de Estrutura e Políticas Públicas

De acordo com a professora Andréa Dutra, que possui sete anos de magistério e atua em colégios da rede pública, as escolas brasileiras não possuem a estrutura adequada para lidar com a complexidade do bullying. Além disso, Andréa afirma que não há políticas públicas eficientes para a solução do problema.

Andréa Dutra ainda denuncia a ausência de porteiros, inspetores e orientadores educacionais nas unidades de ensino brasileiras. Para ela, a ausência desses profissionais dificulta o atendimento especial ao aluno que pratica o bullying. Além disso, a professora ressalta que no ensino público, apenas professores buscam resolver o problema.

Medidas Internacionais

O documento divulgado pela OCDE demonstra exemplos de políticas públicas para lidar com a prática. Na Estônia, uma campanha contra o bullying está sendo implementada desde o jardim de infância. Já no Canadá, professores recebem recursos do Ministério da Educação com o intuito de desenvolver políticas contra a prática.

Entretanto, uma medida americana recente ganhou espaço nos jornais atualmente. De acordo com o New York Times, uma cidade americana pretende multar pais de alunos que pratiquem o bullying nas escolas. A ideia já foi aprovada em primeira votação e passará por nova análise no mês que vem.

Com essa medida, a finalidade dos governantes de Wisconsin Rapids (situada no estado americano de Wisconsin) é proibir o bullying e o assédio na cidade, de modo a proteger as pessoas que realizarem a denúncia. A medida foi pensada após o suicídio de um estudante causado pelo bullying que sofria na escola.

O projeto foi inspirado em uma medida já adotada por uma cidade próxima. Nela, os pais e responsáveis por jovens menores de 18 anos devem ser multados pela prática de bullying pelos filhos.

Os alunos que forem reincidentes na prática são encaminhados à polícia local. Desse modo, a notificação será enviada por escrito para casa dos responsáveis. A multa pode chegar ao valor de US$ 313 (cerca de R$ 1.200,00).

Psicanalista afirma que punição não é solução

De acordo com a psicanalista Mônica Donetto Guedes, as punições não podem ser adotadas como solução para o bullying. A profissional atende constantemente crianças e adolescentes que são vítimas da prática. Assim, Mônica afirma que políticas públicas envolvendo alunos e professores são mais efetivas que pagamento de multas.

Além disso, a psicanalista afirma que não há sentido da multa dentro do ponto de vista social, uma vez que cabe à instituição lidar com esse problema. Para ela, o bullying é uma questão social e cultural, não apenas uma questão legal.

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