Cientistas revelam técnica para “desligar” o medo no nosso cérebro
Cientistas revelam avanços em como o cérebro processa e supera medos naturais.
O medo, um sentimento essencialmente humano, muitas vezes nos protege de perigos, mas também pode nos limitar ao enfrentar desafios inofensivos.
Pesquisadores do Sainsbury Wellcome Centre, vinculados à Universidade College London, na Inglaterra, conduziram um estudo pioneiro para desvendar como o cérebro lida com tal sentimento. Para isso, realizaram experimentos inovadores em camundongos ao explorarem essa questão.
Embora o medo de cobras e aranhas seja comum, poucos conhecem as estatísticas relacionadas a acidentes com esses animais.
Saber, também, que é mais provável sofrer um acidente em um elevador do que em um avião não inibe o medo de voar, por exemplo. Logo, entender o mecanismo cerebral por trás desses medos pode ser a chave para superá-los.
Medo é uma emoção primitiva que nos estimula a nos proteger ou fugir – Imagem: reprodução/Andrea Piacquadio/Pexels
Mecanismos cerebrais do medo
Os cientistas iniciaram suas pesquisas com aproximadamente 100 camundongos. Durante os experimentos, os animais foram expostos repetidamente à sombra de um predador, um simulacro que inicialmente provocou o instinto de proteção.
No entanto, após cerca de 50 exposições, os roedores aprenderam a desconsiderar a ameaça. Tal mudança de comportamento indicou o domínio do medo instintivo.
Os pesquisadores então identificaram o núcleo geniculado ventrolateral (vLGN), uma área cerebral anteriormente subestimada, como o local onde essas memórias são armazenadas. Até então, acreditava-se que o córtex visual era responsável por todo o processamento.
Perspectivas de novas terapias
A neurocientista Sara Mederos, principal autora do estudo, sugere que a descoberta pode melhorar terapias para transtornos de medo, inclusive fobias e Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT). Métodos possíveis incluem medicamentos, estimulação cerebral ou ultrassons.
Embora ainda haja necessidade de mais estudos, a possibilidade de aliviar medos infundados é promissora. Mederos compara o processo à adaptação das crianças ao som dos fogos de artifício, o que mostra que experiências podem modificar reações primitivas de medo.
A pesquisa inovadora, publicada na revista Science, não se limita ao entendimento animal; ela oferece ainda a esperança de avanços em terapias humanas, almejando um futuro no qual o medo irracional possa ser controlado e superado com mais eficácia.
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