Classe média em crise: poder de compra diminui e hábitos de consumo mudam – por quê?
Nos últimos anos, a classe média enfrentou profundas mudanças econômicas, impactando diretamente seus hábitos de consumo.
A classe média brasileira tem vivido grandes transformações econômicas nos últimos anos. Nesse período, a renda disponível para consumo diminuiu drasticamente, especialmente para as famílias da classe C.
Essa redução está diretamente ligada às dificuldades econômicas causadas pela pandemia de Covid-19.
De acordo com pesquisa da consultoria Tendências, a renda disponível dessa classe caiu quase 10%, passando de R$ 286 milhões para R$ 259 milhões. Esse cenário obriga muitas famílias a fazerem escolhas difíceis e a repensarem seus hábitos de consumo.
Com a inflação em alta e o aumento do desemprego, a classe média brasileira deixou de consumir produtos que antes eram considerados essenciais, como eletrodomésticos e carros novos. Agora, a prioridade são itens de necessidade básica.
Desigualdade social e seus reflexos na classe média
Durante a pandemia, as desigualdades entre classes sociais se acentuaram no Brasil, e a polarização entre as classes média alta e baixa aumentou. Essa dinâmica forçou muitas famílias da classe C a se aproximarem da classe baixa.
A alta taxa de desemprego, que atingiu 14,2% no início de 2025, contribuiu para essa realidade. Com trabalhadores que compõem grande parte da classe C, a perda de empregos agravou ainda mais a situação econômica dessas famílias.
Adaptação nos hábitos de consumo
Com menos recursos, a classe média foi obrigada a cortar despesas consideradas supérfluas. De acordo com Isabela Tavares, economista da Tendências, compras de roupas, carros novos e eletrodomésticos foram postergadas para priorizar alimentação e transporte.
- Roupas: compras deixaram de ser prioritárias frente a gastos básicos.
- Carros: queda na compra de veículos novos, com preferência por usados.
- Eletrodomésticos: aquisições adiadas para preservar recursos.
Desafios no custo de vida
A inflação é um obstáculo significativo para a classe média, especialmente no que se refere ao custo dos alimentos. Na Região Metropolitana de São Paulo, o custo da alimentação para a classe C aumentou 12,4% em um ano.
Esse aumento impacta diretamente o poder de compra das famílias, obrigando-as à substituição de produtos de marca por alternativas mais econômicas. A alta do dólar também influencia nos custos das contas domésticas.
Setores impactados pela crise
A crise também mudou o mercado automotivo, resultando em queda de 23% nas vendas de carros novos entre 2008 e 2020, segundo a Fenabrave. A oferta limitada e a alta nos preços levaram as famílias a preferir carros usados.
No turismo, a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) apontou uma redução nas viagens. A incerteza econômica faz com que as famílias priorizem gastos essenciais, cortando viagens de lazer.
Embora o cenário atual seja desafiador, há sinais de que a classe média poderá se recuperar gradualmente. Alguns especialistas acreditam que uma retomada econômica pode trazer alívio para essa parcela da população.
No entanto, a recuperação depende de investimentos públicos no setor produtivo e da estabilização da economia. Enquanto isso, a classe média deve se adaptar a um novo padrão de consumo, priorizando necessidades básicas.
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