Comer ovo com gema mole faz bem ou mal? Veja o que a ciência descobriu

Ovo é nutritivo, mas gema mole pode trazer riscos de contaminação.


Queridinho das mesas brasileiras, o ovo reina do café da manhã ao jantar, sobretudo na versão de gema mole. Mas o prazer desse clássico esconde um alerta crescente entre especialistas em saúde.

Pesquisas recentes mostram que o preparo inadequado pode transformar o alimento em uma porta aberta para contaminações sérias.

Estudos da Universidade de São Paulo (USP) revelam que a Salmonella pode penetrar o interior do ovo, mesmo quando a casca parece perfeita. A infecção, portanto, não depende de rachaduras visíveis e pode atingir diretamente a gema.

O risco aumenta quando o cozimento é parcial, hábito comum entre os fãs da textura cremosa. Por trás da aparência inofensiva, o ovo malcozido pode carregar um perigo invisível, o que reforça a importância de atenção redobrada no preparo diário.

O que dizem as pesquisas da USP

Os estudos descrevem rotas de transmissão que envolvem fezes de aves e contato com a casca. No entanto, o problema começa antes: a bactéria infecta o ovário da galinha e contamina o ovo em formação.

Em situações como essa, ovos mal cozidos não atendem à segurança microbiológica.

Os autores reforçam que nenhum ovo in natura garante inocuidade absoluta. Portanto, ações educativas sobre compra, armazenamento e manipulação tornam-se essenciais para reduzir os riscos.

Quando a procedência falha, a orientação geral é priorizar o consumo do alimento bem cozido, com gema e clara firmes, a fim de eliminar a Salmonella.

A salmonelose provoca diarreia, febre e dor abdominal, quadro que pode evoluir mal em grupos vulneráveis. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa sofrem maior impacto. Por isso, quem pertence a esses grupos deve evitar a gema mole.

Maionese e refeições fora de casa

Outra investigação da USP relaciona hábitos comuns no Brasil, como comer fora e usar ovos em receitas, ao aumento de risco. Em especial, o estudo coletou 20 amostras de saladas com maionese em cinco restaurantes localizados em Rondônia.

Segundo os autores, surtos após o consumo de maionese ocorrem com frequência, pois a bactéria habita o trato gastrointestinal de aves e, por consequência, alcança os ovos usados nessas preparações.

Dicas de procedência e preparo

Na rotina, decisões simples podem reduzir bastante o risco sem abrir mão do alimento. Portanto, quem não consegue garantir a procedência deve adotar cuidados básicos e padronizados. A seguir, veja orientações em ordem crescente de prioridade.

  • Comprar de granjas certificadas.
  • Usar ovos pasteurizados em preparações sem cozimento.
  • Manter cadeia fria adequada durante transporte e armazenamento.
  • Cozinhar até gema e clara ficarem firmes quando houver dúvida.
  • Redobrar atenção com maionese caseira e refeições fora de casa.

O ovo segue como alimento nutritivo, contendo proteínas, vitaminas e gorduras boas que se encaixam no dia a dia. Contudo, a segurança deve vir antes do ponto da gema.

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Escrito por

Lorena de Sousa

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integra o time VS3 Digital desde 2016. Apaixonada por redação jornalística, também atuou em projetos audiovisuais durante seu intercâmbio no Instituto Politécnico do Porto (IPP).

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