Coronelismo – Resumo, o que foi, características e declínio

Saiba tudo sobre uma das práticas que dominou a política brasileira durante a República Velha.

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O que foi o Coronelismo? A palavra Coronelismo refere-se a um sistema político que teve seu auge no Brasil no final do século XIX e início do século XX. Por meio dele, os coronéis, que tinham alto poder aquisitivo, exerciam autoridade local, principalmente por meio de violência e repressão.

Contexto histórico

A palavra Coronelismo está ligada a patente de coronel da Guarda Militar. Este cargo podia ser comprado por membros da elite, que passavam a fazer parte do mais alto escalão militar e social do país. Essa prática teve início durante o período regencial, mas consolidou-se na República Velha.

Não só os postos de coronel, como outras patentes foram colocados a venda para que dirigentes locais mais abastados pudessem reprimir as rebeliões que estavam ocorrendo em todo o país.

Dessa forma, donos de grandes propriedades rurais, comerciantes e políticos locais compraram estes títulos e passaram a controlar a região onde estavam instalados, inicialmente os municípios e depois os estados, por meio da Política dos Governadores.

As pessoas viam o abuso de autoridade como algo legítimo e os atos se justificam principalmente pela influência que essas pessoas exerciam sob a população mais simples. Eles eram vistos, até mesmo, como parte de uma nobreza, sendo esta ótica um fator que aumentava exponencialmente a influência dos coronéis.

Em relação a ordem social, que era o desejo inicial do governo, eles eram capazes de mantê-la e defender seus interesses ao mesmo tempo, para isso, faziam uso de força, principalmente através das milícias.

Eram figuras muito contraditórias, pois ao mesmo tempo que eram capazes de matar quem os desagradasse, concediam benefícios, apadrinhavam crianças e eram muito religiosos, estabelecendo relações de temor e admiração ao mesmo tempo.

Principais características e práticas do Coronelismo

O Coronelismo ficou marcado por uma série de práticas, que estavam relacionadas, principalmente, a política brasileira. Se o objetivo dos coronéis era garantir o poder, era necessário utilizar alguns meios para que isso acontecesse. Veja quais foram os mais adotados.

Política café-com-leite

Para tratar deste aspecto da política brasileira, é essencial tratar dessa fase, uma vez que ela é o maior exemplo das práticas coronelistas. Entre o finalzinho do século XIX e início do século XX, a elite agrária do país estava concentrada nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Representação da politica de café-com-leite por meio de charge
Representação da politica de café-com-leite por meio de charge

Naquele momento, Minas Gerais era o principal produtor de leite do país, enquanto São Paulo se destacava por conta da cafeicultura. Utilizando os meios citados logo a seguir, como fraudes da eleições e votos de cabresto, políticos representantes dos dois estados, durante muito tempo, se revezaram na presidência do Brasil.

Fraudes eleitorais

Para alcançar o resultado esperado nas eleições, garantindo a manutenção da política do café-com-leite na presidência, e consolidação dos coronéis como governadores dos estados, estes, utilizavam-se dos mais diversos meios para fraudar o processo eleitoral.

As práticas mais comuns eram o uso de documentos falsificados para que as pessoas pudessem votar mais de uma vez, uso de documentos de pessoas mortas, desaparecimento de urnas, e tudo que fosse necessário para garantir o resultado favorável.

Voto de cabresto

As expressões voto de cabresto e curral eleitoral foram criadas por historiadores para caracterizar o tipo de voto praticado durante a República Velha. Se naquele período era relativamente fácil manipular as eleições, imagina os eleitores.

Práticas como a troca de votos por favores, quantias irrisórias, ou pequenas contrapartidas eram bastante comuns. Entretanto, muitas vezes, bastava que os coronéis coagissem as pessoas que os votos fossem dados de acordo com o que eles desejavam.

Uma vez que os locais de votação eram abertos, para fiscalizar os votos, homens a serviço dos coronéis, popularmente conhecidos como “capangas” eram enviados a estes locais para conferir se os eleitores estavam cumprindo com o trato feito.

Decadência e fim do Coronelismo

A revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder está entre as principais causas que levaram ao fim do Coronelismo. O político ascendeu ao poder justamente por conta da fim da política café-com-leite.

Depois do fim dessa prática, os coronéis perderam um espaço importante, e já não tinham forças e influência como antes.

Outro fator importante, que deve ser levado em consideração, é o surgimento de novos grupos sociais que questionavam este tipo de política, a modernização das cidades e as mudanças nos pensamentos das pessoas.

Vale lembrar que desde aquela época, até hoje, o processo eleitoral sofreu muitas alterações, com o objetivo de garantir a democracia e a soberania popular. Porém, práticas muito semelhantes ao Coronelismo ainda podem ser verificadas em muitas cidades brasileiras, principalmentes nas situadas no interior do estado.

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