Estudantes usam a robótica para facilitar cotidiano na zona rural

Problemas como desperdício em sistemas de irrigação e alimentação de animais foram solucionados com uso de sistemas simples inventados pelos próprios jovens

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Levantar cedo, alimentar a criação, ordenhar as vacas, cuidar da aragem de terra, plantar, colher… estas são apenas algumas das várias atividades que compõem a vida na zona rural. Rotina cansativa que pode ser facilitada através do uso da robótica. Pelo menos, é o que prometem iniciativas desenvolvidas por estudantes que tiveram seu primeiro contato com a área.

Matéria noticiada pela Folha de São Paulo trouxe o exemplo de Victor Matheus de Jesus. Antes de ir para a escola, o rapaz precisava levantar muito cedo para alimentar os cavalos da família. Até que o jovem teve suas primeiras aulas de robótica na escola onde estudava, em Viamão, município localizado a 25km de Porto Alegre (RS). A unidade é uma das 15 mil instituições atendidas pelo Programa Escolas Conectadas.

A iniciativa tem a gestão da Fundação Telefônica Vivo e foi criada em 2012 para oferecer cursos a professores do campo e implementar escolas laboratórios para experimentação de tecnologias digitais. Não apenas isso mas, introduzir a robótica como meio de solucionar os problemas que fazem parte da rotina dos estudantes. A escola de Victor foi escolhida, justamente, como laboratório para responder às necessidades rurais.

Certo mas, voltemos à rotina de Victor. Seu problema estava em facilitar a forma de alimentar os cavalos cuja ração diária era colocada individualmente, ou seja, de cocho em cocho. Era. Porque Victor desenvolveu, a partir de suas aulas, um cocho automatizado. O equipamento foi feito com correia de bicicleta, tábua de pinos, cordas de nylon e uma placa Arduíno, sistema que permite a criação de equipamentos automatizados.

Agora, o abastecimento dos cochos deixou de ser feito duas vezes ao dia para a reposição única na noite anterior ao consumo. É, facilitou um bocado a vida de Victor! E, engana-se quem pensa que essa foi a única boa ideia desenvolvida na escola através das aulas de robótica! Um grupo de alunos desenvolve, atualmente, uma estufa que pode impedir a destruição de hortaliças pela geada, problema sério no inverno rigoroso da região Sul.

Concomitantemente, outro time está trabalhando para produzir um protótipo que compreenda de forma mais efetiva o uso de insumos na agricultura. O trabalho proporcionado pelo Programa Escolas Conectadas, que tira o foco da sala de aula para vivenciar os conceitos práticos, dá tão certo que estimulou Victor a seguir com os estudos em uma escola técnica. Seu sonho? Ser zootecnista!

Iniciativas para a seca do Nordeste

A escassez de água é um problema real e conhecido da região Nordeste brasileira. A questão hídrica torna-se um desafio para o produtor rural uma vez que qualquer plantação ou criação depende do elemento para sobreviver! Mesmo o abastecimento de caminhões-pipa é insuficiente para atender a demanda de consumo diário e uso nas práticas de agricultura e pecuária.

O cenário fez com que estudantes de uma escola municipal de Vitória de Santo Antão, interior pernambucano, tentem solucionar o problema. O objetivo dos jovens é desenvolver um sistema que permita a irrigação da horta apesar dos intervalos longos entre um abastecimento e outro de água. Mais uma vez, a robótica entra em cena e, com ela, um grupo de 20 alunos de diferentes séries desenvolveram um tipo de vaso inteligente.

O projeto foi construído com sensores de umidade de solo, a placa Arduíno e luzes LED. O equipamento deve liberar água somente de acordo com a necessidade da planta, evitando o desperdício. Os alunos, no entanto, não pretendem parar por aí! O próximo passo é criar um aparelho para uso na própria horta, “um sistema que mande mensagens sobre a necessidade via bluetooth para tablets e celulares”, explica Everton Tadeu Gonçalves.

Ele é o tutor de robótica responsáveis pela orientação dos estudantes. A dificuldade de expandir iniciativas como as do Rio Grande do Sul e Pernambuco é o acesso à tecnologia. Na realidade, uma boa parte das 60 mil escolas rurais brasileiras padece com falta de infraestrutura mínima, como redes de água e esgoto então, imagine como é o uso simples de computadores nestes locais!

Na matéria da Folha, a professora da UnB, Eliene Novaes Rocha, aponta a necessidade de “propostas pedagógicas adequadas à realidade dos sujeitos do campo porque a escola expulsa os seus estudantes quando não contribui com a construção de conhecimentos que os ajude a ter melhores condições de vida”. O ponto de partida, segundo ela, é dialogar com a comunidade e, assim, formar professores e currículo pedagógico.

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