Êxodo Rural

O êxodo rural está causando profundas mudanças econômicas, sociais e culturais em diversos países em desenvolvimento.

O Êxodo Rural, que envolve o despovoamento do campo e o abandono de profissões ligadas à terra, tornou-se uma importante questão internacional. Em 2007, e pela primeira vez na história da humanidade, a população urbana superou a rural.

De acordo com um estudo publicado pela FAO em junho de 2006, cerca de 800 milhões de pessoas abandonaram zonas rurais e foram para a cidade nos últimos 50 anos.

Além disso, a saída de agricultores para as cidades têm um impacto mais forte devido ao extraordinário desenvolvimento urbano em certos países em desenvolvimento, principalmente na África e na Ásia.

Se países como os Estados Unidos, a China ou o Brasil experimentam um êxodo rural, as alterações são radicalmente diferentes: o fenômeno nos países em desenvolvimento corresponde a situações econômicas e sociais específicas e é diferente do que aconteceu (e continua acontecendo) em países ocidentais ricos.

As consequências econômicas, sociais e sanitárias são tão sérias que comprometem fundamentalmente as perspectivas de desenvolvimento desses países.

As duas faces do êxodo rural

As diferenças entre os processos de despovoamento rural observados na Europa Ocidental e nos países em desenvolvimento são tais que é possível definir dois modelos, cada um com suas próprias características.

Êxodo rural em países europeus

O abandono das áreas rurais em favor das cidades tem sido gradual na Europa Ocidental, devido a revoluções industriais no século XIX na Inglaterra e durante a segunda metade do século seguinte na França.

Neste caso específico, o êxodo rural coincidiu com um período de modernização dramática nas fazendas: nas décadas de 1950 e 1960, a produtividade aumentou a cada ano em quase 7%, liberando mão-de-obra para indústrias e serviços que estavam se desenvolvendo rapidamente.

Êxodo rural em países em desenvolvimento

O mesmo não pode ser dito para o êxodo rural que está fundamentalmente remodelando a população de muitos desses países.

A competição acirrada entre as agriculturas cada vez mais competitivas, a volatilidade dos preços, a falta de modernização nas fazendas e a deterioração do meio ambiente levaram milhões de camponeses pobres às cidades, na esperança de encontrarem melhores condições de vida.

A modernização da agricultura que caracterizou a segunda metade do século XX (mecanização, uso de fertilizantes, desenvolvimento de variedades e espécies) não atingiu todos os agricultores do planeta, longe disso.

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Quase um terço ainda usa apenas ferramentas manuais, não utiliza fertilizantes e cultiva variedades e espécies que não foram especialmente criadas para a agricultura.

A agricultura “tradicional” é frágil devido à liberalização das trocas e à deterioração do meio ambiente. O êxodo rural que está ocorrendo nos países em desenvolvimento demonstra o enfraquecimento da agricultura por fatores econômicos e ambientais.

Fatores do êxodo rural

Fatores comerciais

As tendências de queda nos preços agrícolas internacionais dentro de um contexto econômico volátil e a concorrência acirrada de países agrícolas altamente poderosos nos mercados mundiais privaram os países em desenvolvimento da oportunidade de renovar suas ferramentas e métodos de produção e preservar sua participação no mercado.

Por não poderem ter uma vida decente com o trabalho, a mudança para a cidade parece inevitável.

Fatores ambientais

A desertificação também contribui para o êxodo rural. Definido pelas Nações Unidas como “a deterioração da terra em áreas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas devido a uma variedade de fatores como mudança climática e atividades humanas”, ela se espalhou por todos os continentes, mas atingiu a África e a Ásia com mais força.

Consequências do êxodo rural

As repercussões do êxodo rural são extremamente graves para os países afetados e podem mudar o cotidiano de toda a população.

Surgimento de megalópoles

Esses grandes fluxos migratórios tornam quase impossível construir as infraestruturas necessárias para acomodar essas populações: como resultado, as favelas e bairros pobres representam a maior parte do crescimento urbano nas cidades do hemisfério sul.

A população destes bairros altamente desfavorecidos representa 80% da população urbana total da África Subsaariana e 75% da Ásia Meridional.

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Além disso, esse êxodo rural não é causado pela escassez de mão-de-obra na indústria ou no setor de serviços. Essas cidades gigantescas também têm taxas de desemprego muito altas, condições dramáticas de saúde e outros problemas, como o aumento das taxas de criminalidade.

Desorganização dos meios de produção

Essa multiplicidade de desvios poderia enfraquecer o frágil equilíbrio do suprimento de alimentos, porque um aumento acentuado no número de consumidores urbanos drena uma parte significativa do trabalho agrícola sem oferecer nada em troca.

A agricultura, portanto, sofre com o êxodo de trabalhadores, uma melhoria na capacidade de importar alimentos não é uma opção viável quando consideramos o fraco potencial para exportações industriais na maioria dos países em desenvolvimento.

Investimentos em agricultura

No final, a melhor maneira de promover a manutenção dos camponeses em suas terras e aliviar a pressão nas áreas urbanas é intensificar o investimento na agricultura: estudos recentes demonstram claramente a eficiência superior da agricultura na redução da pobreza em comparação com outros setores econômicos.

O seu papel também é essencial em termos de segurança alimentar e distribuição da população, uma vez que a agricultura emprega mais de 2/3 dos trabalhadores nos países em desenvolvimento.

Êxodo rural no Brasil

O Brasil tem uma das economias que mais crescem no mundo, está se tornando cada vez mais popular nos setores da indústria e do turismo, e sua população continua crescendo rapidamente.

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Esse tipo de crescimento leva, invariavelmente, à urbanização, que se refere ao desenvolvimento de áreas urbanas e à migração de pessoas das áreas rurais para os centros das cidades.

No entanto, isso tem o efeito recíproco de expandir esses centros cada vez mais para o exterior, até que eles próprios invadam as áreas anteriormente rurais.

Histórico

O processo de urbanização no Brasil é relativamente recente, se comparado com outros países. A partir do reinado de Dom Pedro II até a República Velha, o país experienciou um rápido crescimento da população e dos processos de industrialização.

A cultura cafeeira, em expansão nesse período na região sudeste do país, incentivou a migração da população rural, que buscava melhor qualidade de vida nessas regiões. Já no início do século XX houve destaque para o avanço da urbanização nas regiões centro-oeste e norte.

Problemas do êxodo rural no Brasil

O problema com a urbanização rápida, é que as cidades não têm tempo ou recursos para acomodar e empregar as pessoas que vieram das zonas rurais.

Portanto, os migrantes se encontram vivendo em más condições e lutando por qualidade de vida. Isso levou a criação de assentamentos informais, como as favelas. Somente no Rio de Janeiro, por exemplo, existem aproximadamente 2 milhões de habitantes nas favelas.

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