Ilhas Malvinas ou Falkland – principais dados, economia, soberania

Alvo de uma disputa histórica entre Reino Unido e Argentina que já culminou até em guerra, o domínio do arquipélago é reivindicado pelos dois países

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As Ilhas Malvinas (ou Falkland, como os ingleses chamam) é um arquipélago na América do Sul, localizado próximo ao sul da Argentina e do Chile. Território ultramarino com governo autônomo do Reino Unido, a região também é reivindicada pela Argentina, posição que resultou, nos anos 80, em um conflito que teria nome de Guerra das Malvinas.

Confira os principais dados sobre a Ilha das Malvinas:

Principais dados
População (2018): 3.000
Área (km²): 12.173
Capital: Stanley
Moeda nacional: libra das Ilhas Malvinas
Língua oficial: inglês

Composta por duas ilhas principais – Malvina Ocidental e Malvina Oriental – e 200 ilhas menores, o território da Malvinas é, em sua maior parte, rochoso e desmatado. A vegetação das Malvinas é baixa, sem crescimento natural de árvores.  Devido a localização, as Ilhas Malvinas têm uma temperatura média anual de 5°C, com a máxima média de 9°C e a mínima de 3ºC.

A maior parte da população é composta de britânicos ou de descendentes de colonos, que foram para a ilha, em sua maioria, no século XIX.  A economia é baseada, principalmente, em pesca, criação de ovinos, agricultura, além de turismo.

A ilha é conhecida por ser o local de reprodução de milhares de pinguins. Também são abundantes na ilha outros animais como golfinhos, leões marinhos, elefantes-marinhos e lulas.

Reino Unido x Argentina

Catedral de Stanley, nas Ilhas Malvinas (Foto: Wikimedia Commons)

Os primeiros a fundarem assentamentos nas Ilhas Malvinas foram os franceses, no ano de 1764, na Malvinas Oriental. No ano seguinte, em 1765, foi a vez dos britânicos se estabelecerem na região, mas na Malvinas Ocidental.

Em 1766, a ocupação francesa foi substituída pela espanhola. Os assentamentos coexistiram até 1774, quando os britânicos se retiraram da ilha.

Desocupada, usada apenas ocasionalmente para a pesca, as Ilhas Malvinas é, em 1820, reivindicada pela Argentina, independente da Espanha desde 1816 e o país mais próximo do território. Os britânicos voltam a ocupar a área em 1833. Em 1841, um tenente-governador civil britânico é nomeado para a região e em 1885, é estabelecida uma comunidade britânica na ilha com cerca de 1800 pessoas. A Argentina, no entanto, não desistiu, e continuou com sua reivindicação.

Após a Segunda Guerra Mundial, a questão da soberania passou para a Organização das Nações Unidas (ONU). As reivindicações da Argentina baseavam-se em:

  1. No Tratado de Tordesilhas, feito entre Espanha e Portugal em 1494;
  2. Na sucessão do território, originalmente espanhol segundo o acordo entre Espanha e Portugal;
  3. Na proximidade das ilhas com a América do Sul e a Argentina;
  4. Na necessidade de colocar um fim a um status colonial.

Já o Reino Unido reivindicava sua soberania de acordo com:

  1. A posse, ocupação e administração contínua e efetiva das ilhas desde 1833;
  2. A determinação em aplicar aos habitantes das Ilhas Malvinas o princípio de autodeterminação dos povos, segundo a Carta das Nações Unidas, no qual a população exerceria seu direito e escolheria sua condição política.

Em 1965, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução convidando a Argentina e o Reino Unido para dialogarem de forma a encontrar uma solução pacífica para a disputa. As discussões estavam em curso quando, em 1982, o governo ditatorial militar da Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, o que iniciou a Guerra das Malvinas.

Guerra das Malvinas

Armas descartas em Stanley, capital das Ilhas Malvinas, em 1982 (Foto: Wikimedia Commons)

A invasão da Argentina às Malvinas foi uma tentativa do governo militar tentar unir a nação, que na época, criticava os ditadores de má administração e abuso dos direitos humanos. Trazendo a discussão da soberania argentina na região poderia inflamar o sentimento patriótico da nação e desviar a atenção dos problemas do país.

A resposta do Reino Unido não demorou a chegar. Com uma tropa muito maior do que a argentina e armamento estadunidense – já que os Estados Unidos eram aliados dos britânicos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – eles venceram os argentinos em cerca de dois meses.

Para o governo ditatorial argentino, a derrota pesou muito. Em pouco mais de um ano, a ditadura teve fim na Argentina e foi substituída por um governo democrático. Já para o Reino Unido, a vitória garantiu a vitória do Partido Conservador da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, no poder na época, nas eleições de 82.

Situação atual

Apesar da Argentina e do Reino Unido terem restabelecido as relações diplomáticas, o país sulamericano não desistiu de reivindicar o território das Malvinas – mesmo com o resultado do referendo de 2013, no qual a maioria dos habitantes do arquipélago manifestaram a vontade de continuar sob a soberania britânica.

O fato do Reino Unido ter encontrado e começado a extrair o petróleo também levantou discussões sobre o prévio conhecimento dessas reservas, o que reaqueceu a disputa entre os dois países.

Mesmo com as questões não resolvidas, as Ilhas Malvinas continuam sob domínio britânico.

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