Imigração Italiana no Brasil – Resumo, história, causas e regiões

Nos séculos XIX e XX os italianos vieram para o Brasil principalmente por motivos econômicos e socioculturais. Conheça um pouco dessa história.

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A imigração de italianos para o Brasil experimentou o auge entre os anos de 1870 e 1920. Os camponeses e pessoas mais simples representaram quase que a totalidade dos imigrantes que desembarcaram em território brasileiro, estabelecendo-se principalmente nas regiões sul e sudeste.

Apesar de não haver um consenso, hoje, estima-se que mais de 25 milhões de descendentes de italianos vivem aqui, de acordo com informações da Embaixada da Itália no Brasil.

Contexto histórico

Durante o período citado, o Brasil recebeu imigrantes de origens distintas. Porém, por conta do contingente de italianos, eles foram os que mais se destacaram, criando raízes que perduram até hoje.

São inúmeros fatores que contribuíram para isso. Alguns deles são a língua, que era mais próxima do português, do que a língua dos alemães e imigrantes do Oriente Médio. A religião cristã, revelada nos costumes católicos, também foi preponderante para essa consolidação.

No período em que a imigração teve início, muitos países europeus passavam por dificuldades econômicas e crises sociais. Na Itália, em especial, o alto crescimento demográfico e a extensa luta pela unificação do país fizeram com que a população rural passasse por muitas dificuldades.

Por conta das adversidades, a emigração foi muito estimulada pelo governo italiano, ao mesmo tempo em que era um alternativa de sobrevivência para as famílias. Os Estados Unidos chegaram a receber muitos imigrantes, porém, depois de algum tempo passou a dificultar a entrada dos estrangeiros.

Cartaz sobre Imigração Italiana
Cartaz com anúncio convidando os italianos a emigrarem para o Brasil (“Venham construir os seus sonhos com a família. Um país de oportunidade. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter o seu castelo. O governo dá terras e utensílios a todos.”)

O Brasil, por ser um país novo, foi considerado como uma alternativa viável. Além disso, em 1888, por conta da abolição da escravidão, a necessidade de mão de obra nas fazendas aumentou consideravelmente.

Foi assim que teve início o processo de imigração para o Brasil. Famílias inteiras de italianos tiveram a vinda patrocinada por fazendeiros e pelo governo brasileiro, com a garantia de alojamento e trabalho nas lavouras, na chamada imigração subvencionada.

Vinda dos italianos para o Brasil

Com a esperança de encontrar melhores condições de vida, cerca de 380 camponeses italianos foram trazidos pelo navio La Sofia, desembarcando no Brasil em 21 de fevereiro de 1874.

As longas viagens de navio eram feitas em condições precárias, mas de acordo com documentos históricos, a confiança em uma vida melhor dava ânimo às pessoas.

Navio com Imigrantes Italianos
Navio com imigrantes italianos com destino ao Brasil

Antes de embarcar eles precisavam percorrer longas distâncias dentro do próprio país, já que os navios saiam dos portos de Nápoles e Gênova. As passagens pagas pelos fazendeiros ou pelo governo brasileiro eram de terceira classe, quase sempre nos porões das embarcações.

A travessia demorava até 60 dias e por conta da insalubridade do ambiente escuro, úmido, sem ventilação e superlotado, muitas pessoas ficavam doentes e morriam antes de completá-la.

O desembarque acontecia em Santos ou no Rio de Janeiro e a partir daí, os imigrantes eram conduzidos para uma hospedaria, e posteriormente para o local onde iriam se instalar.

De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os imigrantes italianos da época da “grande imigração” partiram de diversas regiões.

A maioria deles, mais de 365 mil, partiram de Vêneto, no norte da Itália, uma região cuja zona rural enfrentava muitos problemas. Eles são seguidos de perto pelos italianos das regiões da Campânia (166 mil), Calábria (113 mil), Lombardia (105 mil), Abruzzi/Molise (93 mil) e Toscana (81 mil).

Somente as regiões da Ligúria, Umbria, Lácio e Sardenha não enviaram um número significativo de imigrantes ao Brasil.

Localização das colônias italianas

A maior parte dos imigrantes italianos se estabeleceram no sul e no sudeste do país. As primeiras colônias rurais foram criadas pelo governo brasileiro durante o século XIX.

As localidades inicialmente escolhidas foram a Serra Gaúcha, Bento Gonçalves e Garibaldi. Porém, com o passar dos anos o número de imigrantes aumentou, culminando na criação de um colônia em Caxias do Sul.

Por conta do clima propício da região, os italianos deram início ao cultivo de uvas, bem como a produção de vinhos. Ainda hoje a localidade é o maior destaque nacional neste quesito, produzindo vinhos apreciados ao redor de todo o globo.

No Rio Grande do Sul foram criadas outras colônias, entretanto, elas não foram tão bem sucedidas quanto essas, que originaram importantes municípios do estado.

Apesar da radicação no sul, até 1920, mais de 70% dos italianos se instalaram em São Paulo, principalmente nas fazendas de café. Por conta dos altos lucros gerados por essas propriedades, os cafeicultores conseguiram subsidiar a passagem de muitos imigrantes.

Ao longo do tempo eles foram se espalhando pelo território brasileiro, de modo que até 1920 Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, e Espírito Santo também sediaram importantes colônias italianas.

Fim do fluxo imigratório

Conforme informação citada anteriormente, um dos principais motivos da vinda dos italianos para o Brasil foi a abolição da escravidão. Por conta disso, a mão de obra precisou ser substituída, sendo os imigrantes a alternativa adotada.

Contudo, as condições de trabalho nas fazendas de café não eram nada boas e as notícias do trabalho semi-escravo acabaram chegando até a Itália. Esse fator foi decisivo para fazer os imigrantes trocarem o Brasil por outros países da América Latina e Estados Unidos.

Apesar disso, o fluxo de imigração continuou alto até meados da década de 20, quando a política fascista de Benito Mussolini ascendeu ao poder. Seu governo nacionalista passou ter total controle da imigração, dificultando a saída do país.

Outros motivos importantes foram o início da Segunda Guerra Mundial em 1940, deixando Brasil e Itália em lados opostos no confronto. Embora o país europeu tenha participado dos dois maiores conflitos mundiais, a economia conseguiu se recuperar, contribuindo para a decadência da imigração.

Cultura e principais contribuições dos imigrantes italianos

As tradições italianas trazidas pelos imigrantes estão muito presentes na cultura brasileira. Alguns dos pratos mais apreciados, e ainda consumidos no Brasil, foram implantados nessa época. Pizza, macarronada, molhos e massas em geral são alguns exemplos.

Muitas técnicas agrícolas foram trazidas e adotadas nas lavouras brasileiras pelos italianos. Além disso, nosso idioma também foi influenciado, algumas palavras muito usadas têm origem na Itália, como é o caso de maestro, alarme, poltrona, pastel e palhaço.

Sem contar nas palavras que foram “aportuguesadas”, como “ciao”, que virou tchau.

Em 21 de fevereiro é comemorado Dia do Imigrante Italiano no Brasil, como uma forma de homenagear essas pessoas que vieram de tão longe e se engajaram na construção de um país melhor. A data faz referência à chegada do primeiro navio de imigrantes, o La Sofia.

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