O Império Bizantino

O Império Romano do Ocidente teve a sua rotina transformada após a invasão dos povos bárbaros. A grande civilização romana foi impactada pela influência dos povos germânicos e isso fez com que tudo parecesse voltar ao estado de primitivismo. Se o lado ocidental de Roma entrava em declínio, o Império Romano do Oriente se fortalecia a cada dia aproximando-se do legado da cultura grega clássica. Conhecido como Império Bizantino, o lado oriental se helenizava e sofria forte contribuição das civilizações orientais.

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Na Idade Antiga destacaram-se duas grandes civilizações, a grega e a romana. A importância das duas contém tamanha relevância que ainda hoje o legado deixado por seus povos influencia nas decisões tomadas em nossa sociedade. A democracia originária da Grécia e o direito romano são alguns exemplos do brilhantismo de grupos sociais que viveram em uma época marcada por governos autoritários e tiranos.

Além da contribuição política, os povos greco-romanos deixaram também um grande legado cultural incorporado por diversas sociedades. É impossível se aprofundar nos estudos da Grécia sem citar os grandes filósofos e pensadores dos seus tempos áureos ou falar dos romanos sem analisar as profundas mudanças sociais provocadas por governantes visionários que contribuíram para a formação de um grande império.

Quando o Império Romano do Ocidente foi invadido por povos bárbaros (palavra utilizada pelos gregos e romanos para identificar povos cuja cultura era diferente da sua) o caos adentrou a sociedade. A instabilidade provocada por eles terminou com a queda de um dos maiores impérios já conhecida pela história. Entre os invasores se destacaram os germanos que logo se empenharam em dominar todas as áreas da sociedade romana.

Com a queda do império ocidental, o império do oriente buscou se fortalecer para dominar o que antes era controlado por Roma. A capital do Império oriental era Bizâncio, antiga aldeia de pescadores gregos, urbanizada em 330 a mando do imperador romano Constantino. Conhecedores do legado greco-romano os líderes desse império buscaram orientação dos estudos deixados por eles para gerenciar a sociedade. Além disso, o estreitamento da ligação com o Oriente foi fundamental para arranjar novos aliados políticos e econômicos.

Bizâncio

Capital do Império Oriental, Bizâncio conservou a língua grega e inicialmente foi chamada de Nova Roma. Com o passar do tempo à cidade passou a ser chamada de Constantinopla em homenagem ao imperador Constantino. A capital foi sede do império oriental até o ano de 1453, quando foi dominada pelos povos turco-otomanos. De acordo com estudos, esses povos são originários do norte da China, teriam se convertido ao islamismo no século XI. O termo Otomano é derivado de Otman, que governou diversas tribos turcas. A importância desse acontecimento levou os historiadores a considera-lo um marco da passagem da Idade Média para a Idade Moderna.

A cultura de Bizâncio difundiu para os povos vizinhos ainda considerados bárbaros, como os sérvios, os búlgaros e os russos. Por onde passavam espalhavam a religião cristã promovendo uma conversão em massa. Após a passagem dos bizantinos os gregos entraram nessas regiões e fundaram escolas, igrejas, mosteiros e palácios inspirados na cultura e na arquitetura bizantina.

A posição geográfica favorável dos bizantinos localizada entre a Ásia e a Europa contribuiu para o fortalecimento de importantes laços comercias. Constantinopla é a única metrópole do mundo a se localizar em dois continentes diferentes. O território é separado pelo Estreito de Bósforo, passagem entre o mar Negro e o mar Egeu. Atualmente Constantinopla recebe o nome de Istambul e ainda conserva fortes características da cultura bizantina.

Local de passagem de comerciantes vindo do Oriente, a capital se beneficiou do comércio de especiarias, peles, grãos, tapetes, tecidos, peixes, sedas, mel e uma grande variedade de artigos originários da Índia, do Extremo Oriente e de muitas outras localidades. Caravanas e navios abasteciam o comércio do império gerando um intenso acúmulo de riquezas para os grupos burgueses.

Os recursos adquiridos foram em parte investidos na proteção das fronteiras do império, o que protegeu os bizantinos contra as invasões dos povos bárbaros. A natureza privilegiada também serviu como fortaleza, já que Constantinopla era quase toda cercada de água, a única parte seca era protegida por uma gigantesca muralha. Os tributos recolhidos pelo governo foram investidos na criação de um exército e marinha poderosos, capazes de blindar o território contra os invasores.

O Governo de Justiniano

Justiniano se destacou entre os outros imperadores bizantinos, sendo destacado na história como o mais importante entre s outros que governaram o Império Bizantino. Uma das metas do seu governo foi buscar a unificação do território que antes era dominado pelos romanos, assim conseguiu reconquistar parte da Itália, da África e da Península Ibérica. Ficou conhecido por ser um homem amante da cultura, do trabalho e da justiça.

Em seu governo Justiniano investiu na construção de grandes obras públicas, entre elas pode-se destacar a Catedral de Santa Sofia. Grandes pensadores forma financiados por ele e muitas das obras produzidas são referência atualmente em Istambul. O governo bizantino era centralizador e o monarca concentrava todos os poderes sendo considerado um representante legítimo de Deus na Terra por isso seu poder era incontestável.

Justiniano apresenta todas as características de um monarca absolutista, no entanto aplica-se a ele a expressão cesaropapismo, o que significa que o poder da Igreja estava submetido às decisões do imperador. O soberano controlava tanto as questões socioeconômicas e políticas quanto as religiosas.

A grande concentração de poder em uma única figura gerava descontentamento entre a população, já que a riqueza ostentada pela monarquia contrastava com a pobreza das camadas menos privilegiadas da sociedade. As contradições sociais estimularam diversas lutas contra o governo, geralmente as insatisfações eram provocadas pelos altos tributos que a população era obrigada a pagar. Os impostos era uma maneira de o governo arrecadar dinheiro para ser investido na segurança e na tentativa de impedir as invasões dos bárbaros.

Um dos episódios que ilustram bem esse período de insatisfação social ficou conhecido como Revolta Nika, rebelião liderada pelo povo contra o imperador. Durante o movimento os insurgentes fizeram diversas exigências, mas a intervenção da imperatriz Teodora fez com que a rebelião fosse sufocada.

Justiniano foi um grande legislador e teólogo, organizou todos os escritos sobre o direito romano em uma coleção intitulada como Corpus Jurius Civilis, conhecida também como o Código de Justiniano. A morte do mais ilustre imperador que já se teve notícia em Constantinopla causou um misto de sensações entre a população. Os mais desfavorecidos sentiram um grande alívio, pois já estavam cansados dos impostos abusivos, outros setores sociais comemoraram o fato de se verem livres de um imperador extremamente autoritário.

A tentativa de se proteger das invasões bárbaras que assolavam o continente, fizeram os bizantinos criar um distanciamento dos outros centros europeus. Esse desligamento com o restante da civilização europeia pode ter como culminância o abandono da língua latina e a adoção da língua grega. Assim, a última herança do grande Império Romano do Ocidente finalmente desapareceria.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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