Lúpus – O que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Com cerca de 65 mil pessoas e 1.700 mulheres afetadas pelo lúpus, a doença pode afetar vários órgãos e tecidos, como pele, articulações e rins.

O que é lúpus? Lúpus é uma doença inflamatória de origem autoimune, ou seja, o sistema imunológico ataca e destrói os tecidos saudáveis do corpo por engano.

Essa doença tem o nome de lúpus eritematoso sistêmico (LES) e pode afetar vários órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, cérebro, entre outros órgãos.

No Brasil, não há um número exato de quantas pessoas possuem a doença, mas estima-se que existam cerca de 65 mil pessoas com lúpus, sendo a maioria mulheres. Desse modo, acredita-se que uma a cada 1.700 mulheres tenha a doença no Brasil.

Tipos de lúpus

O lúpus pode ser dividido em quatro tipos: lúpus discoide, lúpus sistêmico, lúpus induzido por drogas, e lúpus neonatal. Saiba quais são as diferenças entre cada tipo:

Lúpus discoide – nesse tipo de lúpus a inflamação é sempre limitada à pele. Ele pode ser identificado a partir do surgimento de lesões cutâneas avermelhadas que costumam aparecer no rosto, na nuca ou também no couro cabeludo.

Algumas pessoas com lúpus discoide podem evoluir para a forma sistêmica, detalhada a seguir.

Lúpus sistêmico – essa é a forma mais comum de lúpus, podendo ser leve ou grave. Nesse caso, a inflamação acontece no organismo, comprometendo vários órgãos ou sistemas do corpo, isso significa que ele não é restrito só a pele.

Os sintomas desse tipo de lúpus depende do local onde ocorre a inflamação, como rins, coração, pulmões e até o sangue, além das lesões cutâneas e às articulações.

Lúpus induzido por drogas – alguns remédios ou drogas podem provocar uma inflamação temporária durante seu uso, e provocar sintomas que são muito parecidos com do lúpus sistêmico. No entanto, as manifestações desaparecem com o término do uso do remédio.

Lúpus Neonatal – esse tipo de lúpus é uma condição rara que afeta filhos de mulheres com lúpus, através dos anticorpos da mãe que atuam sobre a criança no útero. Ao nascer, a criança pode ter uma erupção cutânea, problemas no fígado ou baixa contagem de células sanguíneas.

Contudo, esses sintomas desaparecem completamente após alguns meses, sem efeitos duradouros. Além disso, alguns bebês recém-nascidos também podem apresentar um defeito cardíaco grave. Os médicos podem identificar a maioria das mães em risco, e a criança pode ser tratada ainda dentro do útero.

Causas do lúpus

Ainda não se sabe exatamente o que faz com que o sistema imunológico ataque e destrua os tecidos saudáveis do corpo. No entanto, algumas pesquisas indicam que a doença seja resultado de uma combinação de fatores, como hormonais, infecciosos, genéticos e ambientais.

Esses mesmos estudos apontam que pessoas com pré-disposição à doença podem desenvolvê-la ao entrar em contato com algum elemento do meio ambiente capaz de estimular o sistema imunológico a agir de forma errada, no entanto ainda não se sabe quais são esses componentes.

Contudo, os pesquisadores tem alguns palpites:

  • Luz solar: a exposição a luz solar pode iniciar ou agravar uma inflamação preexistente a desenvolver lúpus;
  • Infecções: ter uma infecção pode iniciar lúpus ou causar uma recaída em algumas pessoas;
  • Medicamentos: lúpus também pode estar relacionado ao uso de determinados antibióticos, remédios utilizados para combater convulsões e também para pressão alta.

Fatores de risco

Essa é uma doença que pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém, casos com mulheres são muito mais frequentes. Saiba o que pode facilitar a incidência de lúpus:

  • Gênero – a doença é mais comum em mulheres do que em homens;
  • Idade – apesar de poder aparecer em pessoas de qualquer idade, a maioria dos diagnósticos acontecem entre 15 e 40 anos, sendo a média de idade em torno de 31 anos;
  • Etnia – o lúpus atinge de três a quatro vezes mais mulheres negras, do que brancas, já que é mais comum em pessoas afro-americanas, hispânicas e asiáticas.

Sintomas de lúpus

Os sintomas do lúpus podem se desenvolver lentamente ou surgir de repente. Podem ser moderados ou graves, temporários ou permanentes.

Desse modo, a maioria dos pacientes com lúpus apresentam sintomas moderados, que surgem esporadicamente, em crises, nas quais os sintomas se agravam por um tempo e depois desaparecem.

Os sintomas variam de acordo com a parte do corpo que é afetada pela doença. Saiba quais são os sintomas mais comuns:

  • Fadiga;
  • Febre;
  • Dor nas articulações;
  • Rigidez muscular e inchaços;
  • Rash cutâneo –  vermelhidão na face em forma de borboleta sobre as bochechas e ponta do nariz. O rash afeta cerca de metade das pessoas com lúpus e piora com a luz do sol, podendo ser generalizado;
  • Lesões na pele que surgem ou pioram com a exposição ao sol;
  • Dificuldade para respirar;
  • Dor no peito ao inspirar profundamente;
  • Linfonodos aumentados;
  • Quedas de cabelo;
  • Feridas na boca;
  • Desconforto geral, ansiedade e mal-estar.

No entanto, dependendo da parte do corpo afetada existem outros sintomas que podem aparecer, como:

  • Cefaleia, dormência, formigamento, convulsões, problemas de visão, alterações de personalidade e psicose lúpica, em casos de lúpus no cérebro e sistema nervoso;
  • Dor abdominal, náuseas e vômito, em casos de lúpus no trato digestivo;
  • No caso de lúpus no coração é comum aparecerem sintomas como o ritmo cardíaco anormal, ou seja, arritmia;
  • Tosse com sangue e dificuldade para respirar, em casos da doença no pulmão;
  • Coloração irregular da pele e dedos que mudam de cor com o frio, podem ser sintomas de lúpus na pele.

Diagnóstico de lúpus

É difícil diagnosticar o lúpus, uma vez que os sintomas variam de pessoa para pessoa. Eles podem ser confundidos com outras doenças e mudam com o passar do tempo.

Além disso, não existe nenhum exame específico para tal diagnóstico, sendo necessário fazer a combinação de testes de sangue, urina e sintomas encontrados no exame físico.

O diagnóstico e o tratamento só podem ser feitos por um médico, por isso é importante consultá-lo caso tenha alguns dos sintomas citados anteriormente.

Tratamento para lúpus

A medicina ainda não desenvolveu um método para curar o lúpus, no entanto, existe tratamento, sendo o principal objetivo controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas com a doença.

Em casos da doença na forma mais branda, o tratamento pode ser com:

  • Anti-inflamatórios não esteroides para artrite e pleurisia;
  • Protetor solar para as lesões de pele;
  • Corticoide tópico para pequenas lesões cutâneas;
  • Uma droga antimalárica e corticoides de baixa dosagem para os sintomas de pele e artrite.

Para sintomas mais graves, ou que acarretem risco de morte, é necessário um tratamento mais agressivo, que pode incluir:

  • Alta dosagem de corticoides ou medicamentos para diminuir a resposta do sistema imunológico do corpo;
  • Drogas citotóxicas quando não houver melhora com corticoides ou quando os sintomas piorarem depois de interromper o uso.

Prevenção

Ainda não existem formas conhecidas de se evitar o lúpus. No entanto, pode-se evitar gatilhos que podem desenvolver a doença, como exposição excessiva ao sol.

Famosos com lúpus

Muitos artistas foram diagnosticados com lúpus, saiba quais são eles:

Selena Gomez – em 2015, a cantora comunicou aos fãs que havia sido diagnosticada com lúpus. Em 2017 ela passou por uma cirurgia de transplante de rins como parte do tratamento da doença;

Lady Gaga – em 2010, a cantora relevou em programa de TV que havia sido diagnosticada com lúpus, e afirmou que em seu caso a doença é genética. No entanto, ela ainda não apresentou nenhum sintoma;

Michael Jackson – o cantor recebeu o diagnóstico de lúpus eritematoso e vitiligo generalizado, entre o final da década de 70 e inicio da década de 80.

Veja também: Fibromialgia – Sintomas, causas, diagnóstico e tratamento da doença

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