Os Movimentos Estudantis No Brasil

Em 1964, o presidente João Goulart seria afastado do poder devido a um golpe de estado liderado pelas forças armadas. Iniciou a Ditadura ou Regime Militar.

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Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora, cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor e fruto
Coração de estudante Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento. “Folhas, Coração, Juventude e fé.

O trecho acima foi extraído da canção Coração de Estudante, composta por Milton Nascimento e Wagner Tiso. Lançada no ano de 1983 logo se tornou um hino da sociedade brasileira que buscava mudanças nos rumos políticos do país. Em sua letra os compositores expressam a esperança em ver o início de um novo tempo no Brasil, à volta da democracia e o fim do regime militar que perdurava desde 1964.

O ano em que esses versos foram escritos foi marcado pelo início do maior movimento popular da história do Brasil, as Diretas Já. Entre as lideranças envolvidas nas manifestações, intelectuais, artistas, religiosos, operários, etc., podemos destacar a importante participação da UNE (União Nacional dos Estudantes).

A entidade lutou ativamente pelo fim da ditadura e a abertura democrática através de eleições diretas para presidente, os manifestantes baseavam a sua luta na emenda do deputado federal Dante de Oliveira que propunha a redemocratização do país e a volta de eleições com a participação popular. A emenda foi rejeitada pela Câmara dos deputados e em 1985 o processo eleitoral ocorreria novamente por vias indiretas.

O tom de esperança impregnado na música Coração de Estudante fez dela a trilha sonora dos comícios das Diretas Já. Os jovens estudantes cheios de esperança e ideologias foram os protagonistas de momentos cruciais da história do Brasil. A seguir vamos fazer uma análise de alguns dos movimentos estudantis que contribuíram para a mudança dos rumos políticos no país.

Os Estudantes Na Luta Contra O Regime Militar

Em 1964, o presidente João Goulart seria afastado do poder devido a um golpe de estado liderado pelas forças armadas. Era o início do período da nossa história conhecido como Ditadura ou Regime Militar.

A democracia foi deixada de lado, os que protestavam contra as arbitrariedades do governo eram duramente reprimidos, nesse contexto os estudantes organizaram um importante foco de resistência contra os militares. Dentro das escolas e principalmente das universidades, os jovens se reuniam em organizações mobilizadas na luta contra a falta de liberdade. No ano de 1968 a morte do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, então com 17 anos, seria o estopim para o aumento dos protestos contra o governo.

O estudante juntamente com outros jovens estava reunido preparando novas estratégias de luta quando foi surpreendido pela invasão da polícia militar, o episódio resultaria em sua morte. Edson Luís se tornaria um mártir na luta contra a repressão. As notícias envolvendo o assassinato se alastrariam rapidamente pelo país causando revolta entre a população e motivando a intensificação da luta.

Os militares preocupados com a repercussão negativa gerada pelo “incidente” decretariam o Ato Institucional n°5 o AI5, decreto emitido pelo governo que restringiria ainda mais os direitos da sociedade e aumentariam o poder do então presidente Costa e Silva. Essa ação dos militares deixava claro que os movimentos estudantis eram um importante mecanismo de conscientização da população brasileira.

Após a instauração do AI5, a UNE foi colocada na clandestinidade, os militares a consideravam uma organização subversiva que causava a desordem no país, diversos estudantes foram presos e torturados, outros tantos foram mortos e muitos desapareceram sem deixar rastros. A entidade perdia o direito legal de existir, porém não perderia a força e o foco, um número cada vez maior de estudantes e trabalhadores se engajariam na luta pela redemocratização.

Em 1979 o presidente Ernesto Geisel daria início à abertura democrática, nesse ano a UNE seria reorganizada e daria continuidade a suas ações contra o regime militar através de comícios e manifestações que pediam o retorno da democracia. Os estudantes foram um dos principais responsáveis pelas Diretas Já, sua participação seria fundamental para a redemocratização em 1985 e a aprovação de uma nova Constituição de 1988 que garantiria eleições diretas para a escolha do próximo presidente do Brasil.

Os Caras-Pintadas

Em 1992 o governo do presidente Fernando Collor seria abalado por uma série de denúncias de corrupção, além disso, um plano econômico desastroso não conseguia frear a crescente inflação. Collor foi o primeiro presidente eleito de forma direta após a ditadura militar, os brasileiros depositaram nele uma enorme confiança. Suas promessas de retirar o país da crise, acabar com a inflação e caçar todos os corruptos fizeram dele o candidato ideal. Porem após sua eleição vários escândalos envolvendo pessoas bem próximas a ele e uma denúncia feita pelo próprio fariam com que o presidente perdesse apoio popular.

Milhares de jovens foram às ruas para protestar contra o seu governo, vestidos de preto e com os rostos pintados entrariam para a história como o movimento das caras-pintadas. Aquela multidão de estudantes revoltados incentivaria outras pessoas a irem para as ruas protestar, acuado sem apoio político e social Collor renunciaria a presidência em dezembro de 1992.

Movimento Passe Livre

O ano de 2013 foi marcado pela eclosão de diversos protestos por todo o país. Entoando slogans como: “Vem! Vem pra rua! Vem!”. “O Gigante Acordou”. ”Não é por 20 centavos,” milhares de pessoas foram às ruas protestar. Eram muitas as reivindicações: manifestavam contra a corrupção, o caos na saúde e educação, contra a copa do mundo que seria sediada no Brasil em 2014, contra o aumento das tarifas de ônibus, etc. Essa última liderada por estudantes ficou conhecida como MPL, Movimento Passe Livre. Os protestos contra o reajuste nas passagens de ônibus seria o estopim para a deflagração de outras manifestações.

O MPL liderado por estudantes ganharia a adesão de outros grupos solidários com a causa, seu objetivo seria alcançado. Após muita pressão a tarifa de ônibus continuaria com o mesmo valor, não haveria aumento. O sucesso desse movimento estudantil gerou uma grande euforia na população, os brasileiros perceberam que sair às ruas para lutar pelos seus direitos ou esbravejar contra um sistema político corrupto, opressor e injusto talvez fosse à solução para o início de uma verdadeira reforma no país liderada pelo povo.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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