Regência verbal e nominal

O que é regência verbal? Chamamos de regência verbal a relação de subordinação existente entre um verbo (termo regente) e seus complementos (termos regidos)

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A sintaxe é uma palavra que deriva do latim sintaxis, que por sua vez tem origem em um termo grego cujo significado é coordenar. Trata-se de uma área da linguística que nos ensina a coordenar e a unir as palavras de modo que sejam formadas orações, por meio das quais podemos expressar conceitos. Entender esse importante elemento da gramática é essencial para quem deseja escrever melhor e aprimorar a capacidade discursiva, seja na oralidade, seja na escrita.

Entre os elementos que devem ser observados em uma análise sintática estão a regência verbal e a regência nominal. Chamamos de regência a relação de interdependência que se estabelece entre as palavras quando elas se combinam para formar os enunciados linguísticos (orações, frases etc.). Quer entender o que é regência verbal e regência nominal e também as diferenças existentes entre elas? Fique atento porque o Escola Educação vai explicar, de forma simples e eficiente, essa questão para você. Boa leitura e bons estudos!

O que é regência verbal?

Chamamos de regência verbal a relação de subordinação existente entre um verbo (termo regente) e seus complementos (termos regidos). A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os complementam, isto é, os objetos diretos e objetos indiretos. Em relação à transitividade, poderão ser intransitivos – quando o verbo não exige complemento, pois nele há sentido completo – e transitivos – quando o verbo exige complemento, elementos que serão chamados de objetos diretos ou objetos indiretos (quando existir a obrigatoriedade de uma preposição entre o verbo e seu complemento).

1. Verbos Intransitivos

Os verbos intransitivos são mais facilmente identificados. Isso acontece porque eles não precisam de complemento, pois são completos por si. Por exemplo, quando falamos que alguém morreu, o verbo morrer tem sentido completo, não precisando de complemento para ser entendido. Veja outros exemplos:

Choveu muito ontem. (chover é verbo impessoal, portanto, não exige complementação).
Mariana parece cansada. (Parece, conjugação do verbo parecer, é um verbo de ligação, portanto, não exige complementação).

Ela é feliz. (É, conjugação do verbo ser, é um verbo de ligação, portanto, não exige complementação).

Observe que, apesar dos verbos citados acima não exigem complementação, eles estão acompanhados pelos seguintes elementos:

muito ontem. (muito = advérbio de intensidade/ontem = advérbio de tempo)
Cansada. (cansada = advérbio de modo)
Feliz. (advérbio de modo)

Esses elementos não devem ser considerados como objetos diretos, haja vista que os verbos que os acompanham são intransitivos. A função sintática que eles desempenham na oração é de adjuntos adverbiais, e ajudam a completar o sentido da oração.

2 Verbos transitivos

Os verbos transitivos são aqueles que exigem complementação, haja vista que não possuem sentido completo quando sozinhos. Eles poderão ser verbos transitivos diretos, verbos transitivos indiretos ou ainda verbos transitivos diretos e indiretos (simultaneamente).

2.1. Verbos transitivos diretos

Os verbos transitivos diretos são complementados por objetos diretos e não exigem preposição para o estabelecimento da relação de regência. Observe alguns exemplos:

O sol da manhã iluminava as colinas verdes. (iluminava = verbo transitivo direto/ colinas verdes = objeto direto)

Amo aquele rapaz. (amo = verbo transitivo direto/ aquele rapaz = objeto direto)

Quero bolo! (quero = verbo transitivo direto / bolo = objeto direto)

Para facilitar a identificação de um verbo transitivo direto, faça perguntas para os verbos. As principais perguntas são: o quê? e Quem? As respostas para essas perguntas serão os objetos diretos.

São verbos transitivos diretos, dentre outros:

  • abandonar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar,convidar, defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.

2.2. Verbos transitivos indiretos

Os verbos transitivos indiretos são complementados por objetos indiretos – esses verbos exigem uma preposição para o estabelecimento da relação de regência. Observe os exemplos:

Gostamos da prova. (gostamos = verbo transitivo indireto/da prova = objeto indireto)
Respondi às questões. (respondi = verbo transitivo indireto/ às questões = objeto indireto)
Devemos obedecer aos nossos pais. (obedecer = verbo transitivo indireto/ aos nossos pais = objeto indireto)

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Obs.: Os pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são lhe, lhes (ambos para substituir pessoas). Não se utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes. [/box]

[box type=”note” align=”” class=”” width=””]

Exemplos:

Respondeu-lhe à altura.

Respondi-lhes com educação.

[/box]

Para facilitar a identificação de um verbo transitivo indireto, faça perguntas para os verbos. As principais perguntas são: de quê? De quem? A quê? A quem? Note que o verbo faz pergunta com preposição, e o objeto responderá da mesma maneira.

2.3. Verbos transitivos diretos e indiretos

Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de um objeto direto e um indireto. Eles também são conhecidos como verbos bitransitivos, contudo, essa nomenclatura é considerada, pelos gramáticos, ultrapassada. O objeto direto está relacionado às coisas, e o objeto indireto está relacionado às pessoas. Confira os exemplos abaixo:

Agradeço aos ouvintes a audiência. (Agradeço = verbo transitivo direto e indireto/ aos ouvintes = objeto indireto introduzido pela preposição aos/ a audiência = objeto direto)

Entreguei a flor à professora. (Entreguei = verbo transitivo direto e indireto/ a flor = objeto direto/ à professora = objeto indireto introduzido pela preposição à, que nada mais é do que a junção, por meio do fenômeno da crase, da preposição “a” com o artigo “a”).

São verbos transitivos diretos e indiretos entre outros:

  • Atirar, atribuir, dar, proporcionar, doar, perdoar, ceder, pagar, apresentar, ofertar, oferecer, pedir, prometer, explicar, propor, prevenir, relatar, ensinar, preferir, devolver, chamar, entregar, perguntar, informar, aconselhar e narrar.

Regência Nominal

Regência nominal é o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome. Essa relação sempre será intermediada por uma preposição:

Bacharel em Direito.
em Deus.

Veja nas tabelas a seguir alguns nomes que são acompanhados de uma ou mais preposições que os regem:

Substantivos

Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos

Acessível a Entendido em Necessário a
Acostumado a, com Equivalente a Nocivo a
Agradável a Escasso de Paralelo a
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Descontente com Insensível a Sito em
Desejoso de Liberal com Suspeito de
Diferente de Natural de Vazio de

Advérbios

Longe de
Perto de

Luana Alves
Graduada em Letras

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